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Será que todos são iguais?

Por Miguel Lucena*

É comum ouvir que todos os políticos são iguais, todos os homens, todas as mulheres, todos os que se querem atingir com alguma pecha negativa. Resolve-se assim, facilmente, uma questão complexa, generalizando as responsabilidades individuais.

O homem arranja outra mulher, dorme fora de casa, chega bêbado e sujo de batom na segunda-feira. “Todos os homens são iguais”, consola-se a esposa ou companheira desprezada.

O homem retribui o elogio que vem do público feminino dizendo que mulher só traz de diferente o nome e o CPF, porquanto repete as mesmas atitudes, a mania de controle da localização do namorado, noivo ou marido, as perguntas sobre com quem e onde estava, como se fosse aula de redação para preencher o onde, quando, como e por quê.

Esse tipo de argumento somente favorece o errado, porque, ao ser misturado, o inocente paga pelo pecador.

Ocorre muito isso na política, o que favorece o nivelamento por baixo. Para determinados eleitores, tanto faz votar em um assaltante de bancos quanto em um cidadão cumpridor de seus deveres, pendendo a balança para quem oferecer mais vantagens.

Só haveria lógica em comparar o cidadão que sai para trabalhar às 5h com o ladrão que ataca as vítimas na parada de ônibus se todos fossem realmente iguais, mas não são. É incorreto igualar a operária e a dona de casa com a prostituta que faz programas e vende drogas.

Não podemos perder a fé em nós mesmos, senão é melhor desistir até da esperança.

*Miguel Lucena é Delegado de Polícia Civil do DF, jornalista e escritor.

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