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Vandalismo tirou de circulação sete trens do Metrô-DF

Vídeos mostram a situação do transporte público depois do ataque de baderneiros.

Raphaella Sconetto
raphaella.sconetto@grupojbr.com

Janelas, vidros, bancos, iluminação e até mesmo o teto. Nada escapou dos vândalos que depredaram pelo menos 28 ônibus do transporte público da capital durante o Carnaval. A Companhia do Metropolitano (Metrô) também não escapou e ao menos sete trens estão fora de circulação. Os estragos, constantes em datas de eventos deste tipo, podem ter sido maiores. Dados oficiais ainda não foram divulgados.

Os atos aconteceram, principalmente, na madrugada, momento em que os foliões voltavam para a casa. Os ônibus foram recolhidos para manutenção e boletins de ocorrência foram registrados na Polícia Civil, que investiga os casos. Das empresas de coletivos, a Urbi foi o principal alvo, com 14 ônibus depredados, segundo a assessoria de imprensa que os representa. A companhia atende as regiões do Núcleo Bandeirante, Samambaia, Recanto das Emas e Riacho Fundo 1 e 2.

Segundo o monitor de operação da Urbi, Alezino Correia da Silva, cenas como essas se repetem em todos os feriados que promovem eventos públicos. “Neste Carnaval, o caos foi de domingo para segunda-feira. Conseguiram quebrar o fundo de um ônibus. Eles pulam catraca, gritam com o motorista e o cobrador”, aponta. “O pessoal já vem alterado e quando vai embora estão completamente fora de si. Quem sofre é quem trabalha para eles, igual a gente”, completa.

A “sorte”, segundo o monitor, é que os estragos são fáceis de arrumar. “É coisa de um e dois dias. Mas, como é feriado, vai demorar um pouco. Provavelmente, na quinta-feira, quando todos voltam a trabalhar, menos ônibus estarão rodando”, acredita o monitor. A Urbi foi justamente a empresa com maior número de depredação.

Mais estragos

A Pioneira, que atua no Itapoã, Paranoá, Santa Maria e Gama, teve sete ônibus do BRT alvos do vandalismo. A Piracicabana, por sua vez, contabiliza pelo menos cinco ônibus com algum estrago nas linhas que atendem Sobradinho, Planaltina, Cruzeiro, Varjão e Fercal.

Já a Viação Marechal, responsável pelo transporte em parte de Taguatinga e do Park Way, Ceilândia, Guará e Águas Claras, teve o menor índice de estragos: dois veículos foram alvo.

O levantamento dos ônibus compreende o período entre sexta e segunda de Carnaval e foi realizado pela Associação das Empresas Brasilienses de Transporte Urbano de Passageiro (Abratup).

Metrô não escapou

A Companhia do Metropolitano (Metrô) ainda não divulgou os dados oficiais de quantos trens foram depredados durante o Carnaval. No entanto, o Sindicato dos Metroviários (SindMetrô) contabilizou sete trens com algum estrago somente no sábado. Os veículos estão parados, aguardando manutenção, e podem impactar a vida dos passageiros nos próximos dias.

Circulam nas redes sociais vídeos e fotos mostrando janelas no chão, confusões nos vagões e até agressões. “Isso tudo é a falta de funcionários. O Metrô não consegue lidar com essa multidão e o governo tem essa consciência, mas insiste em deixar do jeito que está”, critica a diretora de comunicação do SindMetrô, Renata Campos.

O perfil dos vândalos, segundo Renata, é de jovens de 16 a 23 anos, bêbados. “Eles levam tudo na brincadeira. Acham graça. Tem um dispositivo de segurança nas portas, aí eles quebram, ficam apertando toda hora. Atrapalha o fluxo do metrô, atrasa. Depois a culpa recai nos funcionários”, argumenta.

A diretora diz que não é de hoje que episódios de vandalismos acontecem. “Em outros feriados que existem festas públicas o metrô também é quebrado por alguns usuários”, lamenta. “Não tem funcionário para fiscalizar e aí não consegue controlar”, completa.

Usuários reclamam

Quem depende do transporte público repudia as ações dos vândalos. A doméstica Neide Pereira, de 40 anos, usou o metrô todos os dias no feriado e relatou, ao Jornal de Brasília, a ausência de seguranças e criticou a sujeira deixada por foliões nos vagões. “Sábado foi o pior dia. Estava muita bagunça. Para eles, que estão se divertindo, pode até parecer legal, engraçado, mas para a gente que trabalha e depende, não é legal pegar um transporte nesse estado”, opina.

A recepcionista Marlei Goncalves da Silva, de 29 anos, foi curtir o último dia de Carnaval com a família e garantiu que voltaria cedo para casa para evitar os horários de pico. A mulher, que trabalhou nos outros dias do feriado, conta que quando voltava para a casa, à noite, viu desrespeito por parte de alguns foliões. “Muita gritaria, pessoas chutando o banco em que você está sentada. Eu vi até gente fumando maconha dentro do ônibus esses dias. Estão sempre bêbados. Eles não têm respeito nenhum pelas pessoas”, reclama Marlei.

Ponto de vista

Situações como essa não escancaram apenas a falta de segurança pública. Segundo o especialista Nelson Gonçalves, a questão é ainda mais complexa. “É falta de educação social. As pessoas têm o costume de atribuir nenhum valor ao bem público, não têm a conscientização de que é para todos”, afirma. “Não basta colocar mais policiais, mais segurança. É uma situação muito específica e não há uma receita de bolo para solucionar. Temos que tentar políticas de conscientização para a preservar o bem público. Essa mesma pessoa que depreda é aquela que vai ter a necessidade de usar o transporte público depois”, conclui.

Fonte: Jornal de Brasília

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