Daniela Min, esse enigma de tailleur e lábios afiados, flutua entre os papéis de servidora da Educação e articuladora política como quem troca de máscara no baile da corte. Já Isaquias Gargamel, um burocrata com alma de inquisidor, controla aluguéis, contratos e corredores da Secretaria como quem segura os fios de uma marionete.
E como em toda grande farsa, o palco é o quarto. Sob os lençóis – onde o travesseiro serve de confessionário e o edredom de bunker – o casal voltou a conspirar. O alvo da vez: uma coordenadora de ensino que ousou contrariar interesses. Para isso, Daniela e Isaquias contrataram espiões amadores, armados de celulares e silêncios, para seguir e filmar a professora da porta de casa até a escola, ida e volta, todos os dias. O plano? Desgastar, expor, fragilizar. Afinal, quem resiste à dúvida constante, ao olhar de quem sabe demais?
Mas eles não pararam aí. Em um episódio à parte, decidiram brincar com o destino de uma escola em Samambaia. Ordenaram o atraso intencional do pagamento do aluguel do prédio onde funcionava uma unidade de ensino fundamental. A ideia era simples e torpe: pressionar o proprietário até que ele se curvasse, beijasse a mão do casal e abrisse o cofre para dividir os lucros do aluguel com seus novos sócios invisíveis. Nada como a fome do poder disfarçada de negociação.
E nos corredores da Secretaria, onde o medo tem cheiro de café velho e papel mofado, corre a sussurrada profecia: a próxima ofensiva será na área da merenda escolar. Um novo banquete para Daniela e Isaquias, que já afiam garfos e facas enquanto decidem, entre carícias e cochichos, qual será o próximo prato da conspiração.
Porque para esse casal, o amor se mede não em flores, mas em dossiês, contratos e silêncios comprados. Eles não fazem juras de fidelidade, fazem pactos de poder. E para quem ousa se atravessar no caminho, resta apenas o papel ingrato de figurante em uma novela escrita entre os lençóis da desonra.