A omissão do Apóstolo Jair de Oliveira – Em áudio, Lilian Brunelli afirma que parte da cobertura em nome do Supremo Concílio da Igreja Casa da Bênção foi paga com dinheiro de corrupção

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O Blog apurou um suposto esquema de ocultação de patrimônio e omissão do Supremo Concílio da ITEJ (Igreja Tabernáculo Evangélico de Jesus), órgão que controla administrativa e eclesiasticamente  a denominação fundada pelo apóstolo Doriel de Oliveira, falecido em 2016, e que ficou nacionalmente conhecida como Casa da Bênção.

Apóstolo Jair de Oliveira, atual presidente nacional da ICB/SCT

No lugar do apóstolo Doriel de Oliveira, quem assumiu o comando da ICB Brasil foi seu primeiro-vice, Jair de Oliveira, superintendente da ICB no estado do Espírito Santo. Apesar do sobrenome, Jair não é parente de Doriel. Ele chegou à Casa da Bênção ainda garoto junto com o irmão, Daniel de Oliveira. Ambos eram obreiros, se tornaram pastores e depois fundaram a ICB no Espírito Santo e na Bahia. Jair é pastor e tem o segundo grau completo.

A DELAÇÃO DA EX-TESOUREIRA DA ICB- BRASÍLIA

Em 16 de março de 2018, publiquei aqui no Blog longa reportagem exclusiva sobre a delação premiada de Marlucy de Sena Guimarães de Oliveira, ex-tesoureira da ICB e que também atuava para o ex-distrital Junior Brunelli. A delação ocorreu anos  após a deflagração da Operação Hofini, realizada em 2012, de responsabilidade da Divisão Especial de Repressão ao Crime Organizado (Deco) da Polícia Civil do DF (PCDF), e que recebeu esse nome em alusão ao sacerdote Hofini, que roubava dízimos e ofertas dos fiéis.

Confira a delação nos 6 volumes do Processo contra Brunelli por desvio de recursos públicos de convênios:

VOL 1 VOL 2 VOL 3 VOL 4 VOL 5 VOL 6

Precisamente no dia 25 de maio de 2012, os agentes da Deco prenderam o assessor e pastor Adilson de Oliveira, o contador Carlos Antônio Carneiro e o empresário Spartacus Savite, 39. Brunelli ficou foragido durante dois dias, até se apresentar na 5a Delegacia de Polícia (Área Central de Brasília) acompanhado de advogados. Ele ficou preso por nove dias e já teve condenação no caso. Além de  réu no processo no âmbito da Operação Caixa de Pandora, que sepultou sua carreira  política, ele foi condenado em outro processo, desta vez no âmbito da Operação Hofini.

Em agosto de 2020, a  1ª Vara Criminal de Taguatinga condenou  o ex-deputado distrital Júnior Brunelli a mais de dez anos de prisão e pagamento de multa, no processo 0034026-85.2010.8.07.0007, no caso do desvio de verba de emendas (Operação Hofini).

Ex-deputado distrital Junior Brunelli condenado nos processos da operações Caixa de Pandora e Hofini.

O ex-deputado Júnior Brunelli, na sua primeira legislatura (2003-2006) aprovou um projeto de lei  em 2005 que dava a Associação de Assistência Social Monte das Oliveiras (AMO), comandada por familiares de Brunelli, o status de entidade de utilidade pública. Facilitando assim o recebimento de verbas federais e distritais através de emendas, como o caso de desvio investigado pela operação Hofini. Jair de Oliveira chegou a fazer parte da AMO mas depois foi substituído.

Maria das Mercês Pereira de Souza e Marlucy de Sena Guimarães de Oliveira, rés na Ação Penal 2010.07.1.034477-4, fizeram o acordo de delação para revelar todos os bastidores de como Brunelli montou um esquema para se apropriar de dinheiro público. Em troca da delação, elas receberam o perdão judicial. Marlucy se  comprometeu a entregar 02 caminhões trio elétrico, 1 sala comercial na Torre A do Alameda Shopping, em Taguatinga ,  além de 48 pagamentos.  Os bens foram colocados por Brunelli em seu nome para não levantar suspeitas. Já Maria, além de 48 pagamentos, se comprometeu a entregar um veículo  Strada 2007.

Na delação, elas contaram como tudo aconteceu. Ambas entregaram documentos, recibos, cópias de cheques, extratos, anotações e HD que comprovam as denúncias. No depoimento, Marlucy afirma que o primo de Brunelli, Adilson de Oliveira, era humilhado por Brunelli, que gritava com ele e o obrigava a obedecer suas ordens.

Na delação premiada, as ex-funcionárias da igreja afirmaram que no período compreendido entre março e dezembro de 2009, os denunciados, conscientes e voluntariamente se reuniram com o propósito de cometer crimes. Para tal finalidade,  utilizaram a Associação Monte das Oliveiras (AMO), e as empresas JA Produções, Espaço Painéis e Big Star Produções. Documentos comprovam que era Brunelli quem autorizava os pagamentos. Em 2012, o então titular da Delegacia De Repressão ao Crime Organizado, Henry Lopes, afirmou que o suposto esquema comandado pelo ex-deputado Júnior Brunelli (ex-PSC) poderia ter desviado R$ 2,6 milhões do governo do Distrito Federal.

Material apreendido pela Polícia na segunda parte da operação Hofini

Em continuidade à Operação Hofini, que resultou na prisão do ex-distrital Júnior Brunelli (sem partido) durante nove dias, policiais civis da Divisão de Combate ao Crime Organizado (Deco) cumpriram na manhã do dia 18 de junho de 2012 mandados de busca e apreensão em três regiões do Distrito Federal. Os policiais recolheram documentos e computadores que teriam sido escondidos após a prisão de Brunelli.

Além dos quatro homens já indiciados pela Deco em maio daquele ano, três mulheres responderão pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e formação de quadrilha. O grupo é suspeito de, sob o comando de Brunelli, ter usado a Associação Monte das Oliveiras (AMO) para desviar pelo menos R$ 1,7 milhão em verbas públicas, em 2009.

De acordo com o delegado Henry Peres, chefe da Deco, nove dias após ser deflagrada a Operação Hofini, duas mulheres esconderam documentos e computadores com informações que supostamente comprometeriam o ex-deputado. Os objetos teriam sido levados para a sede do seminário da Igreja Tabernáculo do Evangelho de Jesus (Itej), no Recanto das Emas. O local foi um dos alvos da polícia. Os agentes também realizaram buscas na Colônia Agrícola Samambaia e em Taguatinga Sul, onde moravam uma mulher e um pastor ligados a Brunelli.

Os investigadores recolheram provas que reforçaram a denúncia de que a AMO teria sido criada apenas para práticas criminosas. Em 2009, Júnior Brunelli, então deputado, fez emendas parlamentares que beneficiaram a instituição. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Social e Transparência de Renda (Sedest) liberou R$ 1,7 milhão para a realização de quatro projetos sociais voltados a idosos na associação instalada nos fundos da Catedral da Bênção, igreja comandada pelo pai de Brunelli. O dinheiro, no entanto, nunca teria sido utilizado para o fim destinado, segundo a Deco. A polícia acusa o grupo de falsificar notas e fazer a lavagem do dinheiro para justificar os gastos da AMO.

Quando foi publicado aqui a delação de Marlucy, a ICB ficou em choque com as denúncias e  detalhes relatados e com os nomes de alguns envolvidos fazerem parte da administração do SCT.

O próprio bispo Jair de Oliveira falou comigo ao celular e disse ter ficado “chocado” e que “tomaria as providências necessárias para que o escândalo não atingisse a imagem da ITEJ”. Ele chegou a marcar um encontro mas no entanto, nunca apareceu. Uma reunião foi marcada em Caldas Novas para tratar o assunto com os líderes da ICB mas os mesmos não quiseram ouvir este jornalista nem ver os relatos e documentos que corroboraram para a matéria. Preferiram ouvir os acusados e “perdoá-los” naquela ocasião em Caldas Novas,  quando Jair simplesmente não apareceu alegando estar doente.

Em fevereiro de 2021, foi publicado aqui matéria sobre ex-assessores do ex-deputado Junior Brunelli, fato que novamente fez com que houvesse um grande movimento dentro da ICB.

Finalmente o SCT decidiu me ouvir, e para isso, usou um amigo pessoal a quem muito respeito e admiro, o atual superintendente da ICB Bahia, Bispo Daniel de Oliveira, que enviou à este jornalista um áudio pedindo uma reunião para que eu fosse ouvido e levasse documentos a respeito das denúncias. A reunião foi marcada para o dia 9 de maio. Ninguém apareceu no hotel marcado. Ao fim do dia, alegaram que haviam chegado tarde da noite à Brasília e o Bispo Daniel, também em áudio, pediu que eu tomasse café no dia seguinte .

Entretanto, às 7h10 do dia 10 de maio o Bispo Daniel de Oliveira enviou novo áudio remarcando para o fim do dia. A reunião com este jornalista nunca ocorreu mas a direção nacional da ICB ouviu os argumentos dos denunciados sem ouvir nem ver os argumentos e documentos do denunciante. A omissão foi total neste dia e mais uma vez Jair de Oliveira não quis ouvir o outro lado, que documentalmente é farto.

Semanas depois, dois diretores do Supremo Concílio da ITEJ (SCT) entraram com queixa-crime contra este jornalista. Nas ações, não comprovaram documentalmente que as acusações eram inverídicas.

Nas duas ações, a Justiça preferiu o caminho da conciliação, ou seja, devido à proximidade dos envolvidos, que já trabalharam juntos na ICB, que a matéria fosse retirada e que tudo ficasse pacificado. Em ambos os casos, cumpri a minha parte mas no caso do pastor  Arcentik Dias, o mesmo não cumpriu a parte dele.

Aliás, para relembrar, Arcentik chegou assinar documento em nome da Associação Monte das Oliveiras (AMO) para pedir verba pública.

Assinatura de Arcentik Dias em nome da AMO

Dias após a audiência de conciliação, Arcentik emitiu um documento aos pastores do SCT onde fez afirmações mentirosas contra este jornalista, ao dizer que, na audiência virtual ocorrida no dia 27/4/21, eu não havia apresentado provas das acusações que lhe foram imputadas e que havia dito também que ele (Arcentik) não era “ladrão nem corrupto” –  e com um detalhe: com o consentimento do presidente nacional da ICB apóstolo Jair de Oliveira! As provas em questão já estavam na matéria e na delação de Marlucy que o citou várias vezes!

Arcentik Dias, pastor e diretor do SCT, tentou usar uma audiência de conciliação em “atestado de bons antecedentes” para ficar bem na fita na ICB e continuar na tesouraria do SCT

E neste dia, como era audiência de conciliação, não era necessário apresentar documento algum. E foi o advogado dele quem perguntou primeiro o que poderia ser feito para por fim à história. Em nome da amizade que mantive com o pai de Arcentik, irmão Maurício, que após um ataque cardíaco fulminante morreu em meus braços quando eu ainda era adolescente, propus então resgatar a amizade em nome da igreja, mas ele quis insinuar que eu havia mentido na matéria. Como posso ter mentido se o nome dele aparece em vários lugares e documentos?

No SCT, o pastor Marcus Galdino encaminhou aos pastores da ICB, o texto acima com o tal “Esclarecimento do Pr Arcentik Dias”. Repare que o documento foi autorizado pelo apóstolo Jair de Oliveira. Cometeram crime em conjunto. Mais uma tentativa frustrada de tentar denegrir jornalista que denunciou fatos amparado por testemunhas,  documentos e fontes, ignorados pela gestão de Jair de Oliveira

Na próxima semana, tanto Jair de Oliveira quanto Arcentik Dias serão acionados judicialmente por injúria contra este jornalista investigativo. Responderão na Justiça por tamanha afronta e tentativa de desmoralizar este profissional da imprensa.

Também este jornalista pedirá à Receita Federal e ao Ministério Público que investigue a vida financeira de todos os diretores do SCT, com o devido cruzamento de receitas, despesas, bens e declarações de imposto de renda inclusive de seus familiares. Os motivos estarão anexados aos pedidos. Se nada devem, não terão o que temer.

A OMISSÃO DO PRESIDENTE DO SUPREMO CONCÍLIO

Mas o que chama atenção no atual presidente nacional da Igreja Tabernáculo Evangélico de Jesus (ITEJ), agora chamada de ICB (Igreja Casa da Bênção), é a omissão de Jair de Oliveira. Antes de virar deputado em 2002, Brunelli ocupava importante cargo na SAB (Sociedade de Abastecimento de Brasília), e foi acusado de corrupção. O então governador decidiu simplesmente fechar a empresa pública para não atingir seu governo e imagem. Brunelli foi parar na capa do jornal Correio Braziliense e foi denunciado no meu programa Notícia Total que era exibido todas as manhãs na TV Brasília. Brunelli me processou e perdeu.

Mas um detalhe chamou atenção. Brunelli havia adquirido um grande apartamento luxuoso na recém criada cidade chamada Sudoeste, em Brasília. E para adquirí-lo, usou o Supremo Concílio para pagar o imóvel e fez um contrato de “empréstimo” de gaveta, onde pagaria em várias parcelas o valor do imóvel, que posteriormente ficou com a primeira esposa de Brunelli. Mas o SCT tinha esse dinheiro todo para comprar o imóvel? De onde veio o dinheiro? Ninguém no SCT até hoje questionou a tal operação e a omissão de Jair e de outros.

CARTA DA MISSIONÁRIA RUTH

Mas o que chama atenção agora, é a carta assinada pela viúva do apóstolo Doriel de Oliveira que faz um pedido desesperado ao apóstolo Jair de Oliveira.

Carta da missionária Ruth ao SCT

Na carta, datada de 25 de janeiro de 2021 e entregue ao SCT, a missionária Ruth Brunelli de Oliveira, de 84 anos,  pede encarecidamente que lhe seja restituído de fato e de direito, o apartamento onde reside atualmente, uma cobertura  localizada em Águas Claras, no Distrito Federal.

O apartamento foi “doado” ao casal pelo SCT, mas até pouco tempo atrás nem a missionária Ruth sabia que o apartamento foi adquirido pelo próprio SCT direto com a Construtora! E agora o SCT não quer transferir para o nome da co-fundadora da ICB o imóvel. Confira abaixo a escritura de compra do apartamento.

Basta clicar:

cobertura 1

O imóvel, uma cobertura localizada na Avenida Pau Brasil, lote 20 Torre 2, apto 2801, na cidade de Águas Claras, no Distrito Federal, com área privativa de 325,79 m2 foi adquirida da Construtora Via Engenharia S/A pelo valor de R$1.194.841,17 em 19 de dezembro de 2014, pago pelo Supremo Concílio da ITEJ (CNPJ 00557538/0001-00). Até recentemente a cobertura continua no nome do Supremo Concílio, atualmente avaliada em mais de 3 milhões de reais.

O ÁUDIO QUE REVELA O CONHECIMENTO E A OMISSÃO DE JAIR DE OLIVEIRA SOBRE A COMPRA DA COBERTURA

Em áudio exclusivo, gravado em 17 de novembro de 2020, e já presidente da ICB, o apóstolo Jair de Oliveira aparece defendendo o direito do SCT ficar com o apartamento sob o pífio argumento que foi comprado com dinheiro da igreja, mas é imediatamente interrompido pela filha de criação da missionária Ruth, Lilian Brunelli, que contesta o fato.

“O apartamento penso eu, aconteceu da mesma forma, segundo informação que eu tenho (dada por Arcentik) , o apartamento grande, entrou recursos ali que eram da igreja, da igreja, da igreja, da igreja, Então o bem foi pago com dinheiro da igreja e  por isso ele fez o que fez”, afirma o apóstolo Jair.

Irmã de Junior Brunelli, Lilian revelou que a cobertura havia sido comprada com dinheiro de três envolvidos e que havia dinheiro de corrupção, fato que não surpreendeu o apóstolo Jair de Oliveira

Confira o áudio de Lilian Brunelli onde a pastora e irmã do ex-deputado Junior Brunelli fala que tem dinheiro de corrupção na compra do apartamento:

 

Em seguida, Lilian Brunelli rebate e faz uma revelação que não surpreendeu o apóstolo Jair de Oliveira, atual presidente da Igreja Casa da Bênção. “Aí não, aí não. A gente tava sabendo que o apartamento estava no nome dela, o amarelinho. Ela vendeu um apartamento que estava no nome dela e eu inclusive,  que não morava aqui, e me lembro que quando vim aqui uma vez eu lembro de uma reunião que o Arcentik falou “missionária, o apartamento está em seu nome para o apóstolo não vender para pagar dívida da igreja, porque a casa da QSE 5 que era casa dos sonhos que foi vendida para pagar dívida. Ela vendeu o apartamento para dar a chave desse outro. Entrou dinheiro sujo da política? Entrou,  e entrou dinheiro também do Supremo Concílio. Tem três partes aí. Entrou dinheiro do apartamento dela, do Junior (Brunelli) não sei como, mas lembro dessa negociação, se falar que não entrou o senhor tem como provar,  e entrou dinheiro sim do Supremo Concílio” afirmou Lilian Brunelli diante do presidente do SCT,   Jair de Oliveira e da missionária Ruth Brunelli de Oliveira. No áudio, percebe-se claramente que Jair não contestou a fala de Lilian.

PERGUNTAS PERTINENTES

Como pode o apóstolo Doriel, antes de morrer, entregar um documento dizendo que a cobertura era da igreja se já estava todo o tempo em nome da igreja? E se estivesse no nome dele, mesmo assim precisaria da assinatura da esposa, Ruth, para repassar o imóvel para o nome da igreja. O detalhe é que o apartamento está no nome do SCT desde sua compra e não está sequer no nome da Igreja Tabernáculo Evangélico de Jesus (alvo de dezenas de ações judiciais principalmente trabalhistas).

A cobertura apostólica cuja compra pelo Supremo Concílio deverá ser investigada pelo Ministério Público

Este fato da cobertura estar em nome do SCT levanta algumas suspeitas: Teria Brunelli usado novamente o SCT para ocultar patrimônio? Jair de Oliveira sabia e se omitiu diante do assunto? Por quê ficou calado quando Lilian o confrontou?

Por outro lado, segundo relatos ouvidos pelo Blog, o apóstolo Jair de Oliveira estaria usando o cargo para beneficiar pessoas próximas. Recentemente ele trocou a direção de algumas filiais para colocar pessoas próximas à ele e de sua família, que mantém base eclesiástica em Vitória-ES. Pastores que deram suas vidas durante anos para erguer igrejas subitamente foram substituídos por pessoas ligadas a Jair.

 

Desde a morte do fundador da Casa da Bênção, Jair de Oliveira não conseguiu impor marca e  liderança nacionalmente que um grande líder evangélico costuma ter. Nos últimos anos a  ICB perdeu muitos membros, se envolveu em escândalos e omissões.

Jair de Oliveira no Instagram não diz que é presidente da Igreja Casa da Bênção (ICB) e tem poucos seguidores diante do tamanho da denominação fundada pelo casal de missionários Doriel e Ruth

Por outro lado, nas redes sociais Jair de Oliveira sequer  se apresenta como presidente da igreja Casa da Bênção. Basta ver sua conta no Instagram, com poucos seguidores para quem conduz uma igreja com mais de duas mil filiais.

Jair de Oliveira em foto para a urna eletrônica em 2002, quando disputou a vaga de deputado federal. Após ter o nome envolvido no escândalo da farra das passagens, não quis buscar a reeleição

No Espírito Santo, Jair de Oliveira já foi vereador, deputado estadual e deputado federal, e só não concorreu à reeleição em 2006 porque seu nome apareceu no escândalo das passagens aéreas, denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Parlamentares foram acusados de negociar as cotas de passagens aéreas com empresas de turismo, que depois revendiam para particulares. Dos parlamentares sem mandato, Jair de Oliveira foi denunciado juntamente com Renato Casagrande (à época, senador) e Nilton Baiano que foram deputados federais até 2006. Ao final, após muita pressão de tubarões da política, o caso foi estranhamente arquivado no TCU. Jair tem medo de escândalo mas têm andado bem perto de situações perigosas envolvendo o nome da ICB e do SCT.

O fato que envolve a cobertura, por exemplo, é digno de intensa e profunda investigação por parte dos órgãos competentes, e cabe à banda coerente e séria da Casa da Bênção que questione urgentemente por quê o SCT pagou por uma cobertura milionária que não é para uso direto da igreja.

QUESTIONAMENTOS

Por outro lado, por quê esconderam da missionária Ruth o fato de que o apartamento estava todo o tempo em nome do SCT? Por quê o SCT não quer transferir a cobertura para o nome da viúva do fundador? Como foi pago o apartamento? Cheque do SCT? transferência do SCT? Da parte de Brunelli, quanto entrou e como entrou na negociação?

Uma vida inteira do casal de missionários dedicada à igreja Casa da Bênção, agora nas mãos de quem comanda o Supremo Concílio. A missionária Ruth merecia um tratamento muito melhor por parte da direção da ICB e do SCT.

Por outro lado, é uma afronta e uma vergonha o que o SCT está fazendo com a co-fundadora da Casa da Bênção, que teve de se humilhar em carta ao SCT pedindo o direito de ter o apartamento onde mora em seu nome. A missionária Ruth Brunelli de Oliveira merecia respeito, dignidade e acima de tudo, gratidão por uma vida inteira dedicada à igreja. Ela não sabia até pouco tempo atrás  que havia dinheiro de corrupção na compra do imóvel.

É preciso que haja transparência nas ações do SCT. Talvez a quebra dos sigilos fiscal e bancário dos diretores do SCT possam revelar algumas verdades incontestáveis.

E o apóstolo Jair de Oliveira está certo quando afirmou em sua conta no Instagram que “a Igreja é maior que a liderança”. A ICB é maior que a liderança sim. Quando não há transparência, há mudança!

Diante de tanta omissão por parte de uma fraca gestão, o melhor que Jair de Oliveira pode fazer pela igreja Casa da Bênção que ele diz tanto amar, é simplesmente renunciar. Ficaria menos feio, porque explicar tanta omissão é pecado demais.

E acreditem: o SCT vai dizer que isso é perseguição deste jornalista, ataque do diabo e outras mentiras para ofuscar os fatos. Não é. É simplesmente o cumprimento do texto Bíblico em João 8:32 que diz: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

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