TEORIA DA INTERVENÇÃO NO DF: CONSPIRAÇÃO DO PLANALTO?

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Advogado José Clerot: o ex-deputado federal e ex-ministro do STM é cotado para administrar o GDF

Me chamaram de louco quando comecei a contar a saga dos 'piratas do cerrado' no Distrito Federal. Citei nomes e mostrei caminhos que hoje são conhecidíssimos dos eleitores, da imprensa, do Judiciário e da Polícia.  Acompanhe o raciocínio: no escândalo do Mensalão do PT, não havia imagens. O esquema era quase que profissional. Quarenta pessoas foram indiciadas mas até agora, nada! Enquanto isso, o DEM se tornou no principal opositor ao governo do PT. E em 2006, o DEM elegeu apenas um único governador: José Roberto Arruda. O GDF virou vitrine e o Planalto, ciente disso,  acompanhou tudo. Deu corda até que eles próprios se enforcassem em seus próprios erros, mentiras e atos insanos

Sigmaringa Seixas: amigo de Lula e influente no PT.

. Desde 27 de novembro de 2009, os políticos envolvidos achavam que estaria tudo 'bem', ou seja: a Polícia Federal recolheu material para análise e depois daria o veredito. Mas assessores do governador, principalmente algumas pessoas despreparadas de inteligência e conhecimento (inclusive um ex-deputado distrital), resolveram mostrar serviço, e acabaram por enviar à  prisão, o próprio chefe. As gafes, as negociatas e as conversas da turma do DEM, foram devidamente catalogadas. Com o depoimento do ex-presidente da Codeplan e ex-secretário de Relações Institucionais do DF, Durval Barbosa, o processo tomou outro rumo e acabou municiando o inquérito no STJ. O ex-governador Joaquim Roriz sabia dos vídeos, tinha informações. Ele chegou à afirmar que "Arruda não seria candidato de jeito nenhum" e que "não poderia falar por que, mas que definitivamente Arruda não seria candidato". Agnelo Queiroz, do PT, também teve acesso aos vídeos, assim como o polêmico jornalista Edson Sombra, que segundo o próprio, convenceu a Durval a fazer a delação premiada. E o Planalto acompanhava tudo de longe. Diante dos últimos acontecimentos, não restara outra alternativa a não ser tirar Arruda do conforto de Àguas Claras e colocá-lo para esfriar a cabeça em uma sala na Polícia Federal. Houve uma nova busca e apreensão em Águas Claras. Com Arruda preso, pelo até a próxima quinta-feira, Paulo Octávio assumiu o GDF. Mas dificilmente permanecerá no cargo, devido às muitas denúncias que o envolvem. Com a eventual saída de Paulo Octávio, quem assume o governo do Distrito Federal é o presidente da Câmara Legislativa do DF, Wilson Lima. No entendimento da Justiça, o Executivo, a Câmara Legislativa do DF e o Tribunal de Justiça do DF, estão sob suspeição. E o Planalto sabe disso. Daí, ganha força a teoria da Intervenção no DF, capitaneada pelo PT nacional em conjunto com o Planalto. Sem o pessoal do DEM no comando do GDF, o caminho fica fácil para se colocar um petista de carteirinha no Buriti. De um lado, o presidente Lula tem preferência pelo advogado Sigmaringa Seixas, que é apoiado pelo ex-deputado José Dirceu. De outro lado, o presidente do Senado, senador José Sarney,  apoia o advogado José Luiz Clerot, ex-ministro do Supremo Tribunal Militar, ex-deputado federal e que já foi interventor em outras situações. De um lado, o PT tenta emplacar Sigmaringa, o que ajudaria muito o PT no Distrito Federal, que ficou muito desgastado com o Mensalão do PT, denunciado pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB). Seria assim, uma situação surpreendente: afinal, o interventor poderia nomear milhares de pessoas e usar a publicidade oficial para mostrar 'serviço'. Enquanto isso, Sarney defende um nome com experiência, maturidade e disciplina para colocar ordem na casa: José Clerot. O presidente Lula só não contava com a astúcia de Sarney (e o PMDB, logicamente), que já se antecipou aos fatos e tirou da manga do jaquetão, o nome do ex-ministro. A conspiração do Planalto visa fortalecer a candidata Dilma Roussef no DF. Mas a população de Brasília não viu, desde o episódio do Mensalão do PT, nenhuma postura em "nome da ética" por parte de Sigmaringa Seixas. Ele preferiu a omissão. O Planalto usa seu ministro Franklin Martins, para dirigir os capítulos que aniquilaram o DEM no DF. Mas não foi o Planalto quem destruiu o DEM: foi a ambição do próprio partido e de seus filiados, ávidos por poder e dinheiro. Se em 2006, Arruda não tivesse feito um pacto com Durval, talvez não ganhasse a eleição, mas certamente não estaria neste momento, sozinho em uma fria cela na Polícia Federal. Alguns defendem que o governador do DF seja o presidente da Câmara Legislativa, deputado Wilson Lima, que não está envolvido no escândalo (até o momento). Outros defendem a nomeação de um interventor para administrar a cidade até o final do ano. A crise é moral, é política e é caso de Polícia. Há novos mandados de busca e apreensão na cidade. Talvez duas outras pessoas sejam presas na próxima semana. A situação política da capital federal é imprevisível e inacreditável. O Planalto que usar os erros do DEM para catapultar a candidatura de Dilma. A teoria da intervenção ganha força, e só tem um obstáculo: José Sarney. Afinal, quem não gostaria de governar o DF neste momento de crise em pleno ano eleitoral?

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