ACIC: POR UM PROGRAMA DE PACIFICAÇÃO DO ENTORNO

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Por um programa de pacificação do Entorno

Enquanto o Rio de Janeiro percorre caminho inverso, investindo em um programa de pacificação das regiões povoadas por problemas sociais e dominadas pelo tráfico de drogas e a violência, no Entorno do Distrito Federal uma discussão sem ação prática se arrasta a anos e transformando a região numa zona de impunidade e de mazelas sociais. Segundo informações oficiais 5 mil inquéritos policiais se encontram parados nas delegacias, o mais alarmante é que esse número representa 50% do total de boletins de ocorrências policiais registrados e sem qualquer apuração por parte dos órgãos de segurança pública nos 19 municípios que compõem o Entorno da capital do Brasil.

Do ponto de vista psicológico, e em conversa com alguns moradores, já se percebe que um sentimento de impunidade generalizada. Ao percorrer cidades como Águas Lindas, vizinha a cidade de Ceilândia e Taguatinga, no período noturno, o que se vê são ruas desertas e uma população refém do medo e trancada em suas casas. O aumento das ocorrências de homicídios, a inexistência de investigação, permite que os autores dos crimes permaneçam soltos, o que resulta em aumento das estatísticas de violência.

A falta de um plano de gestão estratégica de segurança pública para o Entorno contribui para a percepção de que as autoridades de segurança perderam o controle. Informações da policia civil de Goiás demonstram que o contingente na região é de 300 homens, enquanto o necessário, segundo fontes, seria de pelo menos 790. A situação é caótica, os números de inquéritos aumentam, as investigações se acumulam, o reduzido efetivo de delegados, escrivães e agentes de investigação não conseguem dar respostas ao clamor da população por segurança.

Os últimos acontecimentos, como as fugas de detentos no presídio de Alexânia (GO), após uma rebelião de presos, é exemplo da necessária elaboração de um plano de pacificação do Entorno. Investir em segurança pública no Entorno, além de implantar um “PAC” visando a aceleração de investimentos sociais, é urgentíssimo, antes que crime organizado faça daquela região um território fértil para suas atividades. Oferecer à população do Entorno, acuada pela violência, a presença efetiva do Estado é questão de manutenção do reconhecimento do próprio Estado, sob pena dessa inação abrir espaço para a instituição do serviço de proteção paraestatal similar aos que eram oferecidos pelos traficantes nos morros cariocas.

Diante desta situação, o Governo Federal precisa agir rápido, o GDF e o Governo de Goiás precisam de ajuda, há que se definir urgentemente os termos de um protocolo de pacificação para o Entorno, o tecido social já deu sinais de que pode romper a qualquer momento. Um barril recheado de desigualdades pode explodir e levar seus estilhaços até o Palácio do Planalto. É notório que a população do Entorno convive com duas realidades bem distintas, uma da “BrasIlha”, a fantasiosa capital da República e a outra de um Entorno permeado de problemas que aparentam ser insuperáveis.

A insatisfação da população é nítida, basta verificar as manifestações por melhoria nos transportes públicos em Santo Antônio do Descoberto e Planaltina de Goiás, fechamento de rodovia em Valparaíso por construção de passarelas e agora o aprofundamento de um antigo descaso social, o aumento da criminalidade e da violência.

Por fim, o enfrentamento dos problemas do Entorno do Distrito Federal não podem mais ser feitos por meio de soluções cosméticas, como aumento momentâneo das forças de segurança. Há que se fazer um choque de investimentos sociais e econômicos, instalando infraestrutura básica(água, esgoto e asfalto), saúde, educação, transporte e principalmente investimento em pesquisa com vistas a se descobrir a vocação da população para que se desenvolva os meios de geração de emprego e renda. O momento é de juntar esforços, delegar responsabilidades e retirar os brasileiros do Entorno da miséria promovida pela desatenção do Estado. Ceilandia-DF, 19 de julho de 2011

Associação Comercial de Ceilândia – ACIC

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