Acordo foi cumprido pela metade

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O acordo para que Robério Negreiros (PSDB) ajudasse a eleger Agaciel Maia (PR) presidente da Câmara Legislativa passava pela garantia de que seria o único candidato à segunda secretaria. Com isso, Rodrigo Delmasso (PTN) se tornaria o líder do governo na Casa, enquanto o outro ficaria com o cargo na Mesa – a segunda secretaria é responsável pela gestão de um orçamento anual de R$ 511 milhões. Desde sempre, Negreiros flertou com a candidatura de Joe Valle (PDT), sustentada pelo Bloco Trabalho e Sustentabilidade, com o apoio de Tadeu Filippelli, da oposição e dos descontentes. Com um pedido da cúpula nacional do PSDB e a palavra de Rollemberg, que oficializou Delmasso no cargo minutos antes da eleição, estava tudo aparentemente certo para que Agaciel vencesse a disputa por 13 a 11. Só que não foi o que aconteceu.

Explodiu o deputado

No começo da eleição, Delmasso declarou verbalmente que teria se retirado da disputa para a 1ª e para a 2ª secretarias. Contudo, o nome dele permanecia nos documentos do processo eleitoral. Por diversas vezes, Negreiros perguntou ao colega se havia se retirado da disputa da 2ª Secretaria e ele dizia que sim. Foi o presidente Juarezão (PSB) que fez o tucano explodir quando avisou que Delmasso ainda figurava na cédula.

Estratégia

Consciente do temperamento explosivo de Negreiros, deputados da oposição teriam soprado no ouvido do parlamentar: “Não seja bobo. Estão te traindo. Mude o voto”. As palavras atingiram em cheio os brios de Negreiros, que mudou o voto. E o Buriti perdeu a eleição. No fim das contas, Negreiros conseguiu a 2ª Secretaria e Delmasso a liderança. Quem perdeu mesmo foi o governador Rodrigo Rollemberg, que tem patinado na articulação política. Agora, Delmasso terá de se explicar ao Buriti e Negreiros ao partido. Governistas não perdoaram o novo líder do Buriti: “Em apenas 20 minutos de liderança, Delmasso sentenciou o governo a dois anos de tormenta na Câmara”.

Inédito

Pela primeira vez na história do DF, um governador não consegue emplacar um aliado no comando da Câmara. Mas a derrapagem do governo não pode ser resumida a este episódio. Isso nada tem a ver com a escolha de Agaciel. Muito pelo contrário. Agaciel é um dos políticos mais fortes e bem articulados da atual legislatura. Rollemberg não soube montar uma base. Não cumpriu acordos. Não conseguiu formular projetos convergentes com a bancada governista. Não manteve um diálogo com os aliados. Não soube construir pontes, laços, vínculos. Tudo fez com que a caneta perdesse força. O governador partiu para a eleição com uma minúscula margem para erros e surpresas. E foi surpreendido.

Vitória da oposição

A oposição, por outro lado, atingiu todos os alvos. Desde o começo, em todos os cenários, apostava no empate da votação. O jogo foi tão pesado que surgiu a ideia de adoecer deputados para diminuir os votos de Rollemberg. Nomes da base sairiam de atestado para não votar sem se indispor com o governo. Celina Leão (PPS) sorriu muito ao se refortalecer com a vitória política. Raimundo Ribeiro (PPS) conquistou a 3ª Secretaria, responsável pelos processos legislativas da Casa. Esta é a espinha dorsal dos trabalhos legislativos no Plenário e nas comissões. Filippelli conseguiu erguer Wellington para a vice-presidência da Casa e ganhou força para 2018.

Drácon

Agora, os olhares da Casa estão voltados para o futuro dos processos dos deputados envolvidos pela Operação Drácon. O novo presidente Joe Valle (PDT) vai engavetá-los ou levará à frente? Pelos cálculos e nomes experientes do Legislativo, abril é um prazo razoável para fazer conclusões sobre este assunto. Servidores de gabinetes envolvidos no escândalo foram vistos sorridentes pelos corredores da Casa.

Encolhimento

Depois da queda governista, resolveram refazer as contas do tamanho real da base. Se antes o GDF tinha 13 votos, agora só pode contar com oito. Agaciel Maia (PR), Juarezão (PSB), Luzia de Paula (PSB), Telma Rufino (PROS), Lira (PHS), Professor Israel (PV), Rodrigo Delmasso (PTN) e Julio Cesar (PRB). “O governo já sofria em 2016. Vai ter muito mais trabalho nos próximos dois anos”, previu um membro da base. Os três votos da bancada do PT são instáveis. E deverão ficar mais ainda. Afinal, eles apoiaram o candidato do GDF indo contra a decisão da Executiva Regional do PT.

 

Fonte: Do Alto da Torre/Jornal de Brasília

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