AGNELO QUEIROZ: “QUERO UNIR A CIDADE”

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Do Correio Braziliense: “Duas horas depois de saber que estava eleito governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT) disse, em entrevista ao Correio, que a capital do país inicia agora um novo ciclo. O petista conquistou 66,1% do votos válidos e derrotou um estilo que pretende combater nos próximos quatro anos. Depois de ataques duros na reta final da campanha, Agnelo afirma não ter mágoas. Mas sinaliza que não vai deixar para trás o embate eleitoral. Promete processar os adversários que levaram depoimentos de testemunhas da Operação Shaolin ao horário eleitoral e não vai aceitar parceiros de Joaquim Roriz ao seu redor. “Quero unir a cidade. Só não vai colaborar quem tiver a visão que representa o rorizismo”, disse.

A primeira medida de seu governo, segundo antecipou na campanha, será um choque de gestão na saúde. Nesta semana, ele começa a formar a sua equipe, sem pressa, sintonizado com os aliados locais e nacionais. Para Agnelo, a vitória dupla do PT — no governo do Distrito Federal e no Palácio do Planalto — é a realização de um sonho. O novo chefe do Executivo acredita que terá mais recursos e facilidades de executar projetos, com a afinidade entre as duas gestões. Agnelo sustenta que seu grande desafio, no entanto, é encerrar a crise. “Farei tudo o que estiver ao meu alcance para devolver a autoestima ao Distrito Federal”, afirmou.

O senhor derrotou o rorizismo com uma votação expressiva. O que muda?

Encerra-se um ciclo. Daremos início agora a uma nova fase no Distrito Federal, um novo caminho. Faremos um governo com princípios. Não vamos transigir na ética, na transparência e na austeridade. Vamos fazer funcionar os serviços públicos, especialmente os de Saúde. Vamos priorizar a vida das pessoas. É uma mudança radical. Vamos preservar a cidade e colocar em prática o sonho de JK para os 50 anos de Brasília, com uma boa qualidade de vida para os moradores da capital.

Pela primeira vez, o seu partido vai governar o DF e o país simultaneamente. Qual é o impacto, na sua gestão, da eleição de Dilma Rousseff?

É a realização de um sonho. É a oportunidade de realizar uma política social, de tirar pessoas do estado de pobreza, de dar moradia digna, preservar o meio ambiente e, ao mesmo tempo, promover o desenvolvimento econômico. Vamos trabalhar em sintonia com o governo federal. Temos muita identidade com os programas. Nosso plano de governo coincide com o da Dilma, por exemplo, na construção de creches, na qualificação profissional, no saneamento básico e na ampliação do Metrô. Com certeza, essa afinidade trará mais recursos para o DF e vai acelerar a implementação dos compromissos de campanha.

O senhor foi ministro do Esporte. A adequação de Brasília para a Copa de 2014 é uma prioridade?

Queremos aproveitar esse grande evento mundial para trazer desenvolvimento para a nossa capital. Essa é uma oportunidade de ouro. Quero fazer de Brasília a cidade mais esportiva do país. No governo federal, elabora-se a política do Esporte. No governo do Distrito Federal, poderei executá-la.

A sua adversária, Weslian Roriz, divulgou nota em que anuncia que o grupo político dela, liderado por Joaquim Roriz, fará “oposição ferrenha” ao seu governo. O que o senhor acha disso?

Eu fico muito satisfeito. Vou fazer de tudo para unir a cidade, promover a autoestima dos moradores e tirar o Distrito Federal das páginas policiais. Só não vai colaborar quem tiver a visão que representa o rorizismo. Essa visão não me interessa. Significa o atraso, a corrupção, a falta de compromisso com a população, a desonestidade estúpida.

Nas últimas semanas, a campanha do PSC fez ataques ao senhor no programa eleitoral. Ficou alguma mágoa?

Não tenho mágoa de ninguém. Foi uma bela campanha. Mas o episódio mais triste ocorreu quando utilizaram bandidos para me atacar. Pessoas que não conheço e com quem nunca tive nenhum tipo de relação. Essa postura fere a democracia. É um método sórdido, é brutal pagar um bandido para me atacar. Vou processar essas pessoas até o último dia do meu governo, até o fim.

Qual será a sua primeira medida depois da posse em janeiro?

Vou promover um choque na saúde pública, com uma série de medidas para tirar o setor do colapso, até concretizar uma reforma estrutural. A Saúde merece uma ação emergencial. Eu mesmo vou conduzir isso. No começo, serei o secretário da pasta, com uma equipe sintonizada com as mudanças. Isso é necessário porque vou mobilizar o governo inteiro nessa prioridade. Para isso, é preciso ter autoridade política para consertar a saúde. Minha atuação será direta pelo menos nos dois ou três primeiros meses.

Como será a formação de seu governo?

Ainda preciso sentar com minha equipe e com os aliados para conversar sobre isso. Até então, estava focado na campanha. Não pensei em cargos nem conversei com ninguém. É a mais pura verdade. Vou pensar nisso a partir de amanhã (hoje). Antes da posse, vou tirar uns dias de descanso, como qualquer cidadão merece. Nos últimos nove meses, trabalhei 18 a 19 horas por dia. Emagreci quase nove quilos.

Acredita numa transição tranquila?

O governador Rogério Rosso me telefonou para me parabenizar pela vitória e disse que está absolutamente à disposição para ajudar. A vice-governadora, Ivelise Longhi, também se colocou à disposição e esteve pessoalmente comigo. Acredito num processo tranquilo.

Qual foi o sentimento ao constatar que o senhor foi eleito governador do Distrito Federal, com 66% dos votos válidos?

Foi um sentimento de enorme gratidão, de profundo respeito pelos eleitores e de grande responsabilidade. Sinto que tenho um dever. No começo da campanha, a população estava machucada, decepcionada. Agora sinto esperança. Eu sei que tenho uma responsabilidade e farei tudo o que estiver ao meu alcance para devolver a autoestima ao Distrito Federal. Vamos mostrar que temos um povo honesto que não tem nada a ver com corrupção.

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