ALBERTO FRAGA FALA AO JORNAL ALÔ BRASÍLIA

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“O GDF não tem oposição”

Camila Costa

camila.costa@jornalalobrasilia.com.br

“Existe um vídeo altamente comprometedor. Não tenho dúvidas de que logo logo vão começar a pipocar os escândalos”. O ex-deputado federal Alberto Fraga não titubeia ao falar do governo Agnelo Queiroz e, mesmo depois de cem dias, Fraga não facilita. Em casa, só de olho nas redes sociais e no andamento do governo, o político se prepara para voltar à cena e, segundo ele, para enfim estabelecer relação de oposição com o governo petista. Em entrevista exclusiva ao Jornal Alô Brasília, Fraga abriu o jogo e falou, também, sobre a crise no DEM.

O senhor chegou a declarar que uma avaliação concreta do governo Agnelo só poderia ser feita com 100 dias de gestão. Agnelo disse que está satisfeito com o resultado desses primeiros meses, e o senhor, o que acha?

Ele não fez nada. Qualquer governo tem que ter cem dias para a gente poder avaliar, agora, se você for fazer uma avaliação do que foi feito, ele não fez absolutamente nada. Nós estamos esperando que aconteça alguma coisa, que depois do carnaval ele possa apresentar alguma coisa e dizer ao que veio. Até agora ele só fez trapalhada. Nomeação de defunto, acabou com educação integral, sem dar uma explicação plausível para pais e mães que ficaram sem o serviço. As obras, ele não conseguiu concluir e o que tem de importante que ele está anunciando é tudo do governo passado.

Todo governo começa com algumas dificuldades, precisa ajustar muitas coisas. Agnelo já teria conseguido estruturar a área administrativa do governo?

Não conseguiu organizar. Primeiro cometeu um grande erro, quando exonerou de maneira súbita e intempestiva, milhares de comissionados, como se fossem apenas cabos eleitorais. Quando você ganha o governo você tem que ter lugar para quem trabalhou para você. Na sua grande maioria, os comissionados exercem funções importantes. Quando ele exonerou, sem nenhum planejamento, ele deixou a máquina pública, que é pesada, totalmente parada. E agora vai ter que contratar. Queria que eles mudassem o discurso. Quando exonera e demora para contratar é para engordar a receita.

Então, a exoneração dos comissionados foi uma estratégia do governo?

Sim, eu acredito que sim. Ele fez uma estratégia para fazer caixa. Mas, a máquina administrativa está parada, e nós conhecemos vários serviços de importância para a sociedade que estão parados, sem poder oferecer o que deveria para a população, em virtude da exoneração dos comissionados. Tenho informação que secretário deste governo está falando para as pessoas que vem do entorno, para não virem mais se consultar aqui no DF. Estão fazendo trapalhada. Dizem que querem um governo com transparência e ficha limpa, mas mandei ele ler as fichas dos secretários dele. O que foi nomeado para a direção da Codeplan, Manoel Tavares, está envolvido em um escândalo da Fundação Gonçalves Lêdo, que desviou R$ 150 milhões de reais. Vou até plagiar o Psol, ele realmente colocou a raposa para tomar conta do galinheiro. Não tenho dúvidas de que logo logo vão começar a pipocar os escândalos.

O senhor acha que tem algum material, alguma gravação, vídeo comprometedor do governo?

Sim, tem, inclusive, altamente comprometedor. Claro que existe. Um vídeo onde aparece uma grande autoridade negociando dinheiro. Se é o Agnelo, eu não sei. Não posso acusar sem a prova.

E crise do PR com GDF?

Não tem crise nenhuma com o PR. O PR está brigando por cargos.

E sobre a oposição ao governo. Existe?

Eu acho que não. Ou você é oposição ou é situação. Tem deputado que deveria ser de oposição, mas vira e fala que tem negócios da família com o governo, que não pode ser contra. Então não vá ser político, vá cuidar dos negócios. Não dá para misturar. Eu gostaria que tivesse pelo menos seis deputados de oposição. Wellignton Luiz (PSC) tá lá calado o tempo todo. Olair Francisco (PTdoB) tem que ser de oposição, se não for o partido tem que enquadra-lo. Se Washington Mesquita (PSDB) não for oposição, o PSDB tem que expulsar ele. Ele não pode continuar com esta brincadeira. É deputado de primeiro mandato, mas ele sabe muito bem o que é oposição e o que é base. O DEM tem uma resolução que proíbe qualquer coligação com o PT e o PSDB também tem. Talvez os deputados não estejam sendo orientados por seus partidos.

O DEM está sendo esta oposição?

É isso que vamos ter que ver. Fazer uma avaliação. Estou aguardando a convenção nacional do partido, dia 15 de março, e espero que, a partir daí, as coisas comecem a mudar em Brasília. Mas, a única esperança que eu vejo de fazer oposição em Brasília é por meio dos veículos pequenos. A grande mídia já está comprada. Isso o PT sabe fazer muito bem. No governo Cristovam foi que se inventaram as verbas milionárias para publicidade.

No mês passado, o senhor acusou o GDF de nepotismo em seu Twitter?

Chico Vigilante tem dois irmãos no governo. O presidente da CEB, Rubem Fonseca, teve o filho nomeado. O Bolívar, o assessor direto dele, teve a mulher nomeada.

Mas, no governo anterior, a sua mulher não foi afastada pelo mesmo motivo?

A minha mulher, quando saiu a Súmula 13, imediatamente eu falei: peça demissão. E ela pediu, para não caracterizar nepotismo. Mas, com eles, a súmula já está ai um bom tempo, e eles estão fazendo isso. O nepotismo cruzado eles estão fazendo direto. Tem vários casos. Já cheguei a contar 17 pessoas no governo. Mas, mesmo trabalhando no governo, a minha mulher trabalhava, não é igual esses que, acima de tudo, ainda ficam em casa.

Ainda está de pé a intenção de assumir a presidência do Democratas?

Pela quantidade que eu tive, eu espero que o DEM me prestigie. Fazer oposição sem mandato é muito difícil. O principal motivo, inclusive, é este, fazer oposição, fiscalizar o governo. Não vamos cometer a prática que eles, petistas, sempre fizeram. No governo Arruda tínhamos cinco parlamentares que eram de oposição e a Câmara Legislativa permitiu que ele fizessem o carnaval que fizeram lá dentro, tudo para fazer jogo de cena. Eu espero que a oposição não precise inventar nada, é só ter fiscalização que eles próprios fazem trapalhadas.

Sobre o transporte público, como o senhor avalia a crise do Passe Livre?

Qual foi o dia que teve greve, confusão na Fácil quando eu era secretário? Nunca houve um dia que não mandei que tivesse a recarga imediatamente. Quando fizemos o projeto e entregamos na Câmara, eles deformaram o projeto, inclusive, o Sr. Paulo Tadeu, que é mentiroso ao dizer que foi ele que criou o Passe Livre. Quem criou fomos nós do governo passado e eu, enquanto secretário, que implantei o sistema. Ele pode até ter tido uma ideia, mas existe vício, o projeto dele nem sequer foi apreciado, pois é vício de origem. Um deputado não pode fazer um projeto que gere despesa para o poder Executivo. Isso é um princípio básico. Ele fez propaganda política dizendo que foi ele. Mentira! No dia que Agnelo e sua turma fizer alguma coisa, que não estava previsto ou em andamento do governo passado, eu vou aplaudir.

E o Plano Diretor de Transporte do DF?

Eu que fiz a licitação pública, um trabalho super necessário e importante para o DF. Comecei a fazer mudanças no transporte e quando procurei não tinha um plano diretor. Ele é a norma padrão que vai dar o direcionamento do que vai ser feito daqui a dez ou 15 anos. Não existia isso. Eu fiz a licitação, a empresa que ganhou fez pesquisa, inclusive, coloquei no Plano Diretor a região do entorno. Fizemos pesquisa na origem, no destino, um trabalho fantástico, foi caro, mas um trabalho que vai ficar ai para o resto da vida. Então, até agora a única ação concreta que o governo Agnelo fez foi criar o Centro de Atendimento ao Turista.

O ex-governador Arruda voltaria a se candidatar?

Não sei. Não faço a mínima ideia. Quem decide o destino de um político é a população. Assim como eu. Não sei se vou ser deputado federal, porque quem vai me mostrar isso é a população.

O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab vai deixar o DEM até 30 de março, vai fundar um novo partido. O partido está em crise?

É uma crise, uma situação preocupante. O Kassab está fazendo isso na busca de cargos. Essa é a diferença. Eu ando triste porque não tenho o que fazer, estou cuidando das minhas coisas. Você quando tem um emprego, um trabalho, você se distrai. E eu não faço acordos. Durante meus 12 anos de mandato não tem nada que me prenda ou diga que não posso mexer com uma ou outra classe. Eu faço o que tem que ser feito. O DEM não acaba, mas pode encolher muito. Eu só vejo a minha saída do DEM se sentir que o partido não é mais o nosso. Eu já tive muitos problemas com o partido, foram eles que me atrapalharam na minha eleição, mas eu tenho um grupo político dentro do DEM e eu espero que esta situação se resolva. Eu só posso dizer se fico ou saio no final de março.

Da Redação do Jornal Alô Brasília

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