Alírio Neto critica veto à lei que previa o acesso da população às contas públicas

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Mesmo sem mandato, o político promete uma oposição ferrenha a Rollemberg, mas dará prazo de cem dias para que o governador dê respostas às promessas
Millena Lopes
millena.lopes@jornaldebrasilia.com.br

alirionetoxrollemberg
O veto à lei aprovada na Câmara Legislativa que abria a senha do Sistema Integrado de Gestão Governamenta (Siggo) para todos os cidadãos do DF é uma promessa não cumprida pelo governador Rodrigo Rollemberg. Pelo menos é que o acha o ex-deputado distrital Alírio Neto (PEN), autor do projeto.

“Fica claro que ele não vai honrar a palavra dele”, dispara Alírio, lembrando que, durante a campanha, Rollemberg prometeu colocar placas em áreas estratégicas da cidade para dar transparência às contas do governo. Na época em que Alírio apresentou o projeto, houve quem dissesse que a ideia tinha sido copiada do então candidato ao governo.

Mesmo sem mandato, Alírio promete uma oposição ferrenha a Rollemberg. Mas disse que dará um prazo de cem dias ao governador para que dê respostas às promessas. O ex-deputado diz que, até agora, o que tem visto é um “estelionato eleitoral”.

Alírio ainda não circulou pela Câmara nesta legislatura. Aproveitou os primeiros dias do ano para tirar férias e viajar. Mas, enquanto aguarda o primeiro período da gestão de Rollemberg, planeja conversar com os distritais, para que considerem derrubar o veto à lei aprovada na Casa.

Tradução dos dados

O governo pretende “traduzir” as informações disponibilizadas pelo sistema para divulgá-las à população. Argumentam que os dados da forma como são disponibilizados pelo Siggo é de difícil leitura. Hoje, apenas técnicos do GDF e deputados têm acesso aos números.

“O Governo do DF está se alinhando para disponibilizar tais informações no Portal da Transparência, pois o Siggo é extremamente técnico, de modo que todos os dados necessitam de um tratamento especial para melhor leitura pela população”, explicou o secretário da Fazenda, Leonardo Colombini, à Câmara, semana passada.

Colombini disse ainda que o governo estuda a implementação do que chamou de “Siggo Cidadão”, uma plataforma similar, de leitura mais fácil, o que, nas palavras dele, “supriria a carência dessas informações por parte da sociedade e tornaria a visualização das contas mais transparente.”

Sair da linha de frente para ter independência

Para garantir independência e “falar o que quiser”, Alírio planeja até licenciar-se da presidência do PEN no DF. A distrital do partido – Luzia de Paula – está alinhada com o governador e o ex-deputado diz que não quer atrapalhar os planos dela. “Vamos reformular o partido”, resumiu.

Ele faz questão de dizer que não faz parte do governo, a exemplo da companheira de legenda. “Não faço parte desse estelionatário que aplicaram em Brasília. Pode pintar de ouro na minha frente, que eu não concordo”, frisa.

O ex-deputado diz que o governador não pode mais colocar a culpa dos atuais problemas do DF no ex-governador Agnelo Queiroz, do qual Alírio foi aliado. “Dizer que não sabia que os problemas do DF existiam é uma grande mentira. Todo mundo sabia”, sustenta.

“Preocupado”

Sem poupar críticas à atual gestão, Alírio, que no segundo turno declarou apoio ao então candidato ao GDF, Jofran Frejat, enumera as promessas que Rollemberg até agora não cumpriu. “A gente tem que achar uma forma de a população cassar uma pessoa que não cumpre o que promete depois de eleito”, observa.

Para ele, o atual governador prometeu que não aumentaria os impostos, que faria eleição para administrador regional e que reduziria o número de comissionados. . “Demagogos e oportunistas”, ataca, para repetir que nada foi cumprido.

Sequência de problemas

Assim que Rollemberg foi eleito, Alírio antecipou-se à apresentação do projeto que abria o Siggo para a população. Na época, ele disse que sua intenção era “ajudar” o governador a cumprir as promessas de campanha.

Na mesma época, Alírio lançou uma campanha nas redes sociais, exigindo que os administradores regionais não fossem escolhidos a partir de indicação política, mas por eleição direta, conforme prometera Rollemberg, durante a campanha.

Foi Alírio também o autor da lei que obrigava o governador a submeter à Câmara Legislativa as criações e extinções de cargos e órgãos na administração pública. O Ministério Público entrou com ação e a lei foi considerada inconstitucional.

Fonte:  Jornal de Brasília

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