Amamentação é tema de sessão na Câmara Legislativa do DF em alusão ao Agosto Dourado

0
19
Importância dos Bancos de Leite Humano também fizeram parte da pauta

JOSIANE CANTERLE, DA AGÊNCIA SAÚDE DF

Amamentar pode parecer algo natural e fácil num primeiro momento, mas nem sempre as coisas acontecem como o planejado. Nessas horas é fundamental ter uma boa rede de apoio e profissionais que possam orientar. Como tantas mulheres, Luciana Sobreira planejou um parto normal e logo amamentar no peito o seu primeiro filho, José. O parto não foi como ela imaginava e nem a amamentação. Os primeiros 15 dias do puerpério se passaram e Luciana acumulava rachaduras no bico do seio com sangramentos e peito empedrado, além da dor. Enquanto isso José perdia peso. Foi aí que ela buscou ajuda do Banco de Leite Humano.

“A primeira vez que eu fui lá tinha medo de colocar o José no peito e tirar pois ele mastigava muito, não sabia mamar. Eu chorava desesperadamente, me sentia incapaz, pensei em desistir de amamentar e elas me ajudaram muito. Me ensinaram a colocar o dedo e tirar a boquinha dele, colocar o peito direito, a ordenhar a mama, a fazer as massagens para aliviar a dor. Se eu não tivesse a ajuda do banco de leite eu teria desistido”, agradece a mãe de José que agora está com 3 anos e ganhou um irmãozinho, com quem ainda divide o peito.

Esse foi o depoimento que demonstrou a importância do Banco de Leite Humano para o aleitamento materno no Distrito Federal durante a Sessão da Câmara Legislativa, alusiva ao Agosto Dourado. A sessão foi realizada em uma sala de bate-papo na internet e foi coordenada pela presidente da Frente Parlamentar da Primeira Infância, Júlia Lucy.

Quem também deu seu depoimento destacando os impactos positivos da amamentação para a saúde foi o secretário da Saúde, Francisco Araújo. O chefe da pasta contou que sua mãe pôde amamentá-lo até quase três anos de idade.

“Isso até hoje reflete no meu sistema imunológico. Foi por eu ter mamado muito na minha mãe quando pequeno que está ajudando a suportar essa pandemia firme e forte e não ter pegado Covid até o momento”, brinca.

Ele também destacou a importância do aleitamento materno para a redução da mortalidade infantil, tema que a coordenadora do Aleitamento Materno e Bancos de Leite Humano do DF, Miriam Santos, também trouxe para o debate.

Ações conjuntas

Miriam, que também é pediatra, apontou os números que comprovam que ações conjuntas podem garantir a vida de muitas crianças. “Pela primeira vez no DF nós chegamos a 8,8 a cada mil de mortalidade infantil. Para se ter uma ideia, quando o BLH do Hospital Regional de Taguatinga foi fundado, em 1978. morriam cerca de 40 crianças por mil (nascidos) e isso é de extrema importância. É lógico que não foi uma ação só da Saúde. É da educação, da segurança pública, do desenvolvimento social, da infraestrutura, de todo o GDF”.

Fundamental no salvamento de vidas, o Corpo de Bombeiros do DF também desempenha um papel fundamental na vida de centenas de prematuros. Eles são os responsáveis por buscar, nas casas, o leite doado pelas mães para os bancos de leite humano, o que garante a alimentação para os pequenos nascidos antes do tempo ideal.

“É uma alegria imensa saber que centenas de crianças, milhares de crianças no Brasil, por conta desse programa de aleitamento materno, junto de outros programas que a gente sabe que a saúde faz, colabora para que milhares de crianças tenham uma sobrevida e cheguem à vida adulta, tenham uma vida normal e saudável. E para a gente é uma alegria poder participar”, destacou o Comandante Geral do Corpo de Bombeiros, Lisandro Paixão dos Santos.

Em uma de suas intervenções, a deputada Júlia Lucy apontou os dados do quanto o aleitamento materno é uma prática entre a maioria das mulheres do DF. Segundo a parlamentar, “o aleitamento materno exclusivo até seis meses representa 68,6%, para menores de 2 anos é de 54,4%, e nesse caso o OMS não recomenda que seja exclusivo, mas complementar”. Ela lembrou que Brasília é considerada a capital brasileira dos Bancos de Leite Humano e fez um apelo para que mais mulheres se tornem doadoras e não deixem os estoques dos bancos caírem neste período de pandemia.

Também estiveram presentes na live a subsecretária de Promoção para Mulheres da Secretaria da Mulher, Fernanda Falcomer, a diretora de assistência à primeira infância da Secretaria de Justiça, Kênia Costa Queiros, e a coordenadora do Programa Criança Feliz da Secretaria do Desenvolvimento Social, Fernanda Monteiro.

O vídeo pode ser acessado na íntegra no YouTube.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui