Antigo grupo de Roriz e Arruda se rearticula de olho em 2018

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A avaliação negativa do governo Rollemberg e a perspectiva de o socialista não se reeleger em 2018 têm agitado os bastidores da política local. Uma coalizão formada pelo grupo que deu suporte às gestões Joaquim Roriz e José Roberto Arruda acredita que pode se aproveitar do momento atual. A meta é fincar bandeira no Palácio do Buriti, apesar do histórico de atuação ligado a dois governadores cujos mandatos foram mergulhados em sucessivos escândalos de corrupção. Figuras conhecidas da política local, como o ex-vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB) e os deputados federais Alberto Fraga (DEM) e Izalci Lucas (PSDB), estão à frente do projeto. Eles têm encabeçado reuniões periódicas para discutir o assunto, e novo encontro está marcado para esta quinta-feira (20/10), um jantar na casa do parlamentar tucano.

A leitura que fazem da situação é simples: com as forças somadas, seriam imbatíveis nas urnas. Divididos, como ocorreu nas duas últimas eleições, o espólio cairá novamente no colo da esquerda. Além de Filippelli, Izalci e Fraga — que foi o anfitrião do último encontro, em setembro —, outros personagens têm participado das conversas. Entre eles, o ex-candidato ao Buriti Jofran Frejat (PR) e o ex-vice-governador Paulo Octávio, além de representantes do PP e do PSC.Um dos trunfos que o grupo faz questão de ressaltar nas conversas periódicas é o tempo de tevê que essa coalizão pode ter na propaganda eleitoral de 2018. Como PMDB, PSDB, DEM, PP, PR e PSC somam, juntos, centenas de deputados federais, essa representatividade abocanharia um grande naco dos programas partidários. Segundo a legislação eleitoral, 90% do tempo disponível para candidatos na tevê e no rádio são distribuídos proporcionalmente ao número de representantes que os partidos têm na Câmara dos Deputados. Os 10% restantes são distribuídos igualitariamente. E cada minuto de inserção nos lares dos brasilienses pode ser traduzido em votos.

E quem encabeçaria uma chapa em 2018?
Se por um lado há convergência no discurso de união para aumentar as chances do grupo nas urnas, por outro já começou a disputa para saber quem capitanearia a eventual chapa em 2018. Filippelli não esconde a pretensão de ocupar o posto de chefe do Executivo distrital. “Quando chegar a hora, se estiver em condições, quero liderar esse grupo”, admite Filippelli.

A dois anos das eleições, essas condições a que o próprio Filippelli se refere são imprevisíveis. Mas uma fotografia do cenário atual somada ao resgate histórico de sua atuação ajudam a prever as chances do político em 2018. Hoje, Filippelli tornou-se um assessor à sombra do presidente da República, Michel Temer. O status político do ex-vice-governador oscilará de acordo com o desempenho de Temer.

Se o governo federal tomar fôlego e colocar o Brasil em um patamar menos dramático do que o de agora, Filippelli surfará na onda e incrementará seu portfólio político. Um contexto desfavorável a Temer lhe atingirá com mesmo impacto. As últimas semanas demonstraram uma disposição da classe política e econômica para garantir a governabilidade a Temer. Isso não o livra de ter de lidar com as ameaças de que a desgraça de Eduardo Cunha lhe atravesse o caminho.

Fora as intercorrências externas, Filippelli terá de administrar seus próprios erros e acertos e tentar provar, primeiro para o próprio grupo, que tem potencial eleitoral; depois, para o eleitorado, que teria capacidade de gestão. Nos dois casos, terá desafios a enfrentar. Entre os quais, arrumar um discurso coerente para se desvincular do ambiente de corrupção associado aos governos de Roriz e do estigma de incompetência administrativa colado em Agnelo Queiroz (PT).

Preparado para brigar pelo protagonismo na chapa de 2018, o deputado Alberto Fraga coleciona pesquisas de opinião que o favorecem. “Não podemos deixar a vaidade atrapalhar essa eleição como atrapalhou no passado”, prega. Mas a vaidade não é o componente com maior potencial de atrapalhar o grupo. A fragilidade jurídica, sim. Vários integrantes do grupo que tentará voltar ao poder em 2018 têm pendências na Justiça.

Arruda e Paulo Octávio, por exemplo, estão na iminência de serem julgados nos ações referentes à Caixa de Pandora. Arruda responde a 12 processos. Paulo Octávio, a 11. Se forem condenados em segunda instância, podem ser presos antes do início da próxima campanha política. A manutenção do entendimento segundo o qual o réu pode ser preso a partir da condenação colegiada cria um ambiente de insegurança para os dois, mesmo que a intenção seja a de trabalhar nos bastidores das eleições.

Em janeiro deste ano, ao lado de Agnelo Queiroz (PT), Tadeu Filippelli foi declarado inelegível por oito anos pelo Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE-DF). Ambos foram condenados por uso de publicidade do GDF para se favorecer na disputa de 2014, quando concorreram à reeleição na chapa encabeçada pelo petista. Eles recorreram da decisão e aguardam o desfecho do caso. Se Filippelli não reverter a condenação, estará fora do páreo.

Reparte
Com bastante tempo faltando para as definições de 2018, Izalci adota a matemática da inclusão. Para ele, há quatro cargos majoritários em disputa: governador, vice e duas vagas de senador — além de duas de suplente. “Todos aqui são possíveis candidatos a todos os cargos. O que não podemos mais é deixar a esquerda governar. Eles não sabem gerir e os últimos anos mostram isso”, avalia.

Izalci Lucas também pode ter obstáculos no caminho ao Buriti. Em março deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a quebra dos sigilos fiscal e bancário do tucano. O pedido, feito pelo Ministério Público, faz parte do inquérito que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos do programa DF Digital na época em que Izalci foi secretário de Ciência e Tecnologia.

Enquanto tentam alinhar uma estratégia, os possíveis candidatos também intensificam as próprias agendas. No último fim de semana, por exemplo, Filippelli foi a sete eventos, entre reuniões de associações comunitárias, feiras e eventos de igrejas.

Fraga, que se definiu para a reportagem como um “recluso”, goza da atuação parlamentar e do palanque da tribuna da Câmara para se projetar. Na mesma situação encontra-se Izalci. Afinal, os discursos dos deputados em plenário têm espaço garantido nos meios de comunicação da Casa — a TV e a Rádio Câmara.

Fonte: Metropoles

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