Após ameaça de morte, conselheiros de tribunal do DF fazem curso de tiro

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Aula foi ministrada pela Polícia Civil a membros do Tribunal de Contas.
Ameaça surgiu após investigação sobre benefício a bombeiros e PM.

Gabriel LuizDo G1 DF

Após ameça de morte ao presidente do Tribunal de Contas do Distrito Federal, cinco conselheiros da Corte receberam nesta sexta (19) um curso especial de defesa pessoal promovido pela Divisão de Operações Especiais da Polícia Civil. Com armas em mãos, eles aprenderam medidas de segurança para usar o equipamento, descobriram como fazer o carregamento e qual a técnica correta para apertar o gatilho e acertar o alvo. O curso também foi dado a uma promotora do Ministério Público de Contas.

Em 21 de janeiro, o presidente do Tribunal de Contas do DF, Renato Rainha, disse que ele e o conselheiro Manoel de Andrade foram ameaçados de morte. O motivo seria uma auditoria que apurou fraude na concessão de benefícios a militares que deixaram Brasília após a aposentadoria.

Na ocasião, Rainha disse que iria reforçar a segurança e sugerir um curso de defesa pessoal aos outros seis conselheiros.

A ameaça foi feita por carta anônima, postada no dia 11 de janeiro. A auditoria que apura as irregularidades na concessão do benefício teve início em 1999. Desde então o tribunal vem cobrando o reembolso do dinheiro desviado.

Conselheiros em aula de tiro promovida pela Polícia Civil (Foto: Tribunal de Contas do DF/Divulgação)Conselheiros em aula de tiro promovida pela Polícia Civil (Foto: Tribunal de Contas do DF/Divulgação)

Ao todo, 350 policiais militares e 500 bombeiros são suspeitos de cometer a fraude. A investigação apontou que os militares não comprovaram a efetiva mudança de domicílio. Uma das evidências é o fato de que eles continuaram recebendo multas de trânsito por infrações cometidas no DF.

A indenização de transporte foi um valor recebido entre 1995 e 2002 por militares na reserva. Inicialmente o benefício era destinado apenas a servidores das Forças Armadas, mas foi estendido às duas categorias do DF.

Presidente do tribunal, conselheiro Renato Rainha, com arma em punho (Foto: Tribunal de Contas do DF/Divulgação)Presidente do tribunal, conselheiro Renato Rainha, com arma em punho (Foto: Tribunal de Contas do DF/Divulgação)

De acordo com o tribunal, militares mentiam a cidade para a qual se mudariam com o objetivo de receber auxílios que alcançavam R$ 200 mil (em valores atuais) – quanto mais longe do DF, maior a verba. O benefício era calculado com base no preço das passagens para a família e no custo da mudança.

A auditoria revelou que os suspeitos chegavam a indicar o mesmo endereço de residência e o mesmo corretor de imóveis. Um destino comum era a cidade de Tabatinga, no interior do Amazonas. Pelo menos 34 militares afirmaram que se mudaram para a cidade – desses, 31 assinaram contrato com um locatário em comum.

A Polícia Militar informou que não recebeu nenhum comunicado oficial sobre o caso. A corporação disse que os policiais que respondem ao processo estão aposentados há mais de dez anos e que alguns deles já morreram.

O G1 entrou em contato com o Corpo de Bombeiros e foi informado de que iriam buscar as respostas junto aos “setores competentes da corporação”.

Conselheiro Renato Rainha apresenta carta em que recebe ameça de morte (Foto: Gabriel Luiz/G1)Conselheiro Renato Rainha apresenta carta em que recebe ameça de morte (Foto: Gabriel Luiz/G1)

Pelo correio
A carta diz que Rainha e Manoel de Andrade, chamado de “Manoelsinho”, mandaram “descontar indevidamente” de policiais militares e bombeiros a indenização do transporte pela mudança de cidade. O emissor se declara membro da inteligência da PM e afirma que “certos militares” estão prontos para matá-los.

“Se ate desembro vcs não resolverem a situação vocês irão pro inferno (sic)”, diz um trecho. O responsável pela carta diz que o conteúdo não se trata de uma ameaça, mas que é uma realidade, e que os dois “não verão o Natal deste ano” (veja íntegra da carta abaixo).

A carta foi aberta pelo chefe de gabinete, afirmou o presidente da Corte. “Quando li, levei a conhecimento dos demais conselheiros. Eles entenderam que poderia ser uma ameaça real”, disse Rainha. O presidente afirmou ter comunicado a ameaça à Polícia Civil e aos comandos do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar. “Disseram que o setor de inteligência tomará todas as medidas necessárias.”

Segundo Rainha, a carta foi escrita com erros de português como estratégia para que o emissor não fosse identificado. Para ele, a situação é um caso isolado. “Já sofri várias ameaças, mas por carta foi a primeira. Não estou com medo, mas vou redobrar os meus cuidados. Inclusive vou continuar andando armado”, disse Rainha, que já foi delegado da Polícia Civil.

O presidente afirma que o tribunal tem efetivo para garantir a segurança dos conselheiros, mas pode pedir auxílio às outras corporações, caso seja necessário. “Vou oferecer aos conselheiros que quiserem fazer esse curso de defesa pessoal e também de orientação para defesa própria e de familiares”, afirmou. “Vamos sempre tomar os cuidados necessários.”

Leia abaixo a íntegra da carta

“Renato Rainha,
Vc e o Manoelzinho estão mandando descontar indevidamente dos PMs e BMs a indenização de transporte de 20 anos ou mais.
Vou lhe dar um aviso. Sou da inteligência da PM e já te como certos militares já prontos para mata vc e Manoelsinho.
Se ate desembro vcs não resolverem a situação vocês irão pro inferno.
Quero ver vc e ele com uma 12 nas suas caras e quero ver vocês cagarem de medo.
Não e ameaça. E uma realidade. Vocês vão morrer
Vocês não verão o Natal deste ano.”

Carta com ameaça de morte ao presidente do Tribunal de Contas do DF, Renato Rainha (Foto: Reprodução)Carta com ameaça de morte ao presidente do Tribunal de Contas do DF, Renato Rainha (Foto: Reprodução)

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