ARRUDA NÃO ASSUME ERROS, MANDA RECADO E TENTA ENVOLVER RORIZ

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O governador José Roberto Arruda mandou o seguinte recado através do Jornal de Brasília desta terça-feira (5): O governador José Roberto Arruda (sem partido) mandou ontem um recado: “Quem fez as armadilhas vai acabar caindo nelas próprias!” Sem tom de ameaça, mas bem objetivo na observação, o aviso tinha endereço certo: seu ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, pivô do suposto esquema de caixa dois. A indicação pode ser estendida também para seu adversário político, o ex-governador Joaquim Roriz (PSC).

Diariamente a equipe de governo de Arruda trabalha para manter a governabilidade e impedir que haja qualquer atraso no cronograma de obras e objetivos de gestão, traçados ainda durante a campanha eleitoral. “Nesse momento de crise tenho dormido pouco”, confessou Arruda, angustiado por ter de atuar em duas frentes – primeira, a administrativa e, a segunda, no trabalho de provar sua inocência das acusações que lhe são imputadas.

No recado, Arruda foi claro e objetivo ao direcioná-lo para Durval. O ex-secretário, na tentativa de amenizar as penas que pagará pelos crimes de formação de quadrilha, estelionato, peculato, corrupção ativa e passiva, fraude à licitação e crime tributário, colaborou com a Polícia Federal para ganhar o benefício da delação premiada. Mas com a vasta lista de processos a que responde (37, sendo um deles criminal), dificilmente o ex-secretário ficará livre do encarceramento. Roriz também deve “colocar as barbas de molho”. A equipe de governo tem feito um levantamento rigoroso e analisado todas as contas de 1999 a 2006, referentes aos dois últimos mandatos do ex-governador. A defesa de Arruda vai mostrar que ele herdou um câncer entranhado no GDF.

A secretaria de Fazenda finalizou ontem o levantamento sobre os repasses feitos para as empresas na área de informática no período de 1999 a 2009. Em uma comparação de gastos dos governos de Joaquim Roriz (PSC) e de José Roberto Arruda (sem partido) há uma diferença de R$ 1 bilhão. As planilhas informam que desde o começo de seu governo, Arruda totalizou R$ 441 milhões em repasses para as empresas que mantêm contrato com o GDF. É uma grande diferença quando comparados com os três últimos anos de governo Roriz, em que a quantia movimentada foi de R$ 1,4 bilhão.

Amanhã termina o prazo para a secretaria de Fazenda entregar as planilhas ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme determinação do ministro Fernando Gonçalves. Embora o magistrado tenha requerido o detalhamento somente do período de 2007 a 2009, a equipe de governo optou por encaminhar desde o ano de 1999, como forma de demonstrar que “os gastos de Arruda foram infinitamente menores que os de Roriz”.

A estratégia deu certo. Apesar de os números não confirmarem se houve ou não irregularidades nos contratos de informática, os dados apresentados revelam maior aplicação de recursos públicos para essa finalidade. Em um período de onze anos, o GDF investiu R$ 2,3 bilhões em informática. Conforme denunciou o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, essa área seria uma fonte provedora de caixa dois que, segundo ele, serviu para cobrir despesas de campanha no ano de 2006. Quando analisados os valores informados pela secretaria de Fazenda, fica comprovado que entre os anos de 2004, 2005 e 2006, o menor valor do governo Roriz é o dobro do gasto feito pelo governo Arruda, se comparado ao ano. Mas em todos os finais de mandatos os valores superaram aos dos três anos anteriores. Para fechar o ciclo do governo Arruda, há de se esperar o balanço de investimentos de 2010.

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