artigo – BASE ALIADA OU ALUGADA?

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* Raimundo Ribeiro

Depois de cinco meses do novo governo, Brasília piorou.
Pessoas morrem nas portas dos hospitais, das casas, nas águas do lago.  Escolas oferecem comida estragada, o metrô está superlotado e a passagem vai aumentar.
Como se não bastasse, os já péssimos serviços públicos não são prestados, porque as categorias fazem greve ou ameaçam fazê-la.
Esse é o retrato de um governo incompetente, sem autoridade e indiferente às necessidades da população.
Enquanto isso, o governador (será ?) vai para a Argentina (sabe-se lá fazer o que), e depois à Europa, a pretexto de observar estádios de futebol.
Muitas explicações poderiam ser apresentadas para explicar esse quadro caótico da nossa cidade, mas não caberiam neste artigo. Por isso, me limito a falar sobre uma, que na época já se desenhava, mas que foi pouco considerada no momento eleitoral.
Refiro-me ao “frankstein”,  à época da eleição, apelidada de aliança PT/PMDB. Não era uma aliança construída de modo programático e muito menos ideológica, mas uma “cruzada” para ganhar a eleição a qualquer custo.  É o que se pode chamar de base alugada, em vez de aliada.
Juntaram-se aqueles que gostam de negócios e usam a política, e aqueles que gostam de política, mas usam negócios.
Ganharam a eleição. O resultado já é conhecido: diariamente os jornais (externos, pois os de Brasília encontram-se – alguns voluntariamente – amordaçados pela atração fatal que irradia das verbas publicitárias) noticiam que o governo não se entende com a Câmara, e essa não funciona, porque deputados exigem cargos e “espaços” (eufemismo para fazer o que quiser dos órgãos públicos).
E porque isso ocorre? Simplesmente porque não existe identidade ideológica nem programática entre o governo e a chamada base e, consequentemente, não existe programa de governo a ser implantado.
Em outras palavras: acontece porque quem ganhou a eleição não foi um partido político que deseja implantar seu ideário, mas um grupo de pessoas, a maioria delas, bastante conhecidas como políticos profissionais, na pior acepção da palavra. Essas pessoas tinham como único objetivo assumir o poder a qualquer custo, para satisfação de seus inconfessáveis interesses.
Por isso, quem é da base, não é por afinidade ideológica ou programática (até porque isso nunca foi cogitado por ocasião da “costura” eleitoral), mas por interesses menores e alguns “não republicanos”, o que justifica plenamente o título desse artigo.
E enquanto isso, o GDF serve suco de laranja. Até quando isso vai durar? A resposta depende de cada um de nós e dos ventos que já sopraram no Egito e no Oriente Médio.
Brasília, 25 de maio de 2011.
*Raimundo Ribeiro é advogado, professor universitário e vice-presidente do PSDB/DF.

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