artigo – MORTE AOS JORNALISTAS

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ARTIGO
Morte aos jornalistas

Rosenwal Ferreira (*)

Enganam-se os críticos quando afirmam que foi o PT, no elo com a esquerda raivosa, quem plantou as sementes autoritárias para cercear a liberdade de imprensa, calar os críticos e destruir o jornalismo investigativo. O viés autoritário tem respaldo em boa parte da sociedade brasileira. São muitos os ditadores encastelados em associações de classe, conselhos de categorias profissionais, clubes e outras entidades.

Ameaçadores e repulsivos agem com ferocidade ao ver seus interesses contrariados. Quando são desmascarados agem com fúria e tornam o ato de informar, um desafio. Por força da profissão, e muito a contra-gosto, recentemente ousei publicar alguns artigos mostrando a improdutiva lambança reinante no Conselho Regional de Administração Goiás, CRA/GO, dirigindo minhas críticas ao homem que se tornou símbolo da autarquia, concentrando um impressionante número de cargos e exercendo o poder de fato.

Foi um Deus nos acuda, com espaço para retrucar, o administrador José Carlos dos Santos, “presidente da Comissão de Licitações, presidente da Comissão de Eventos, presidente da Comissão de Obras, diretor de Fiscalização, membro da Comissão de Tomadas de Contas” e candidato a presidente, se defendeu atacando a mim e sem responder às graves acusações contidas no relatório da administradora Maria Cátia de Oliveira.

O minucioso levantamento de contas fala em malversação de recursos, contratos irregulares, improbidade nas contratações, no pagamento de diárias, na construção da delegacia de Mineiros, rombo de 320 mil reais na realização do Congresso Brasileiro de Administração e outras incoerências. O documento me foi entregue por conselheiros do próprio órgão, confirmado pela relatora, dezenas de testemunhas da área e, ainda, ouvi testemunhas lesadas que estão movendo ações com base no que está documentado.

Pois bem, eu não inventei o tal relatório. Mesmo querendo, eu não conseguiria acesso aos dados. Eles envolvem as vísceras do órgão. Antes de divulgar as denúncias, procurei uma resposta entre os envolvidos que sequer retornaram meus telefonemas. Depois que revelei o que estava acontecendo é que fui acossado de todos os lados.

O senhor José Carlos dos Santos, mesmo coalhando a cidade de outdoors, não conseguiu se eleger. Seu ódio se voltou contra mim. Não só me transformei no bode expiatório de sua derrota, como objeto de fixação de sua vingança. Afirma que sou abominável, que o persegui e até já marcou, via imprensa, um encontro na Justiça no mês de abril de 2011.

Num choroso artigo, me censura por conhecer mais de 60 países, por hospedar em hotéis cinco estrelas e gostar de vinhos de safra nobre. E daí José Carlos? Isso quer dizer o quê? Depois de 40 anos de atividades profissionais eu devia ser um fracassado? Tudo o que fiz, e faço, sempre foi às minhas custas e, até hoje, mantenho o bom hábito de atuar em até oito atividades, trabalhando de 14 a 15 horas por dia.

Nunca fui político, jamais usei qualquer entidade de classe para progredir e tenho uma reputação que atrai muitos clientes. Como especialista em comércio exterior, o senhor também deve viajar. Vai descobrir que a imprensa livre é muito importante. O senhor não perdeu as eleições para Rosenwal Ferreira. Eu não tenho voto. Perdeu para os fatos.
Se eu fosse desqualificado, como afirma em seu artigo, os administradores não me dariam crédito algum. O que pensa que eles são? Crianças? Eu divulguei o que já corria em todos os botecos. Analisaram e decidiram.

O Diário da Manhã, democraticamente, publicou todos os seus artigos. A maioria deles se exaltando aos confetes. Administrador José Carlos dos Santos, o senhor acha mesmo que se tivesse realizado um excelente trabalho aos seus pares, alguém daria bola ao que relatei? Nunca. Agradecidos pela sua generosidade, num acúmulo de cargos que beira o ridículo, seria o presidente mais votado da história.

Não caiu a ficha que ninguém saiu em sua defesa? Nunca lhe ocorreu o fato de que nenhum leitor, agradecido pelas benesses do profissional perfeito (pai de família, conselheiro e professor) escreveu uma linha discordando do que escrevi?
Tenho uma lista de mais de 30 profissionais que me visitaram pessoalmente. A maioria sempre teve receios de lhe confrontar. Sabem de sua índole vingativa. Sei que vai cumprir suas ameaças de atazanar minha vida. Faz parte. Morte aos jornalistas. Gente como eu tem a péssima mania de revirar os podres.

Apenas um alerta. Suas ameaças de retaliação podem sofrer o processo bumerangue. Ao me processar sem motivos, considerando que sempre teve o mesmo espaço para se defender, a lei pode lhe alcançar. Sabia? Acho que não. Assim como não sabe que uma de minhas sócias é uma administradora. Ou seja: eu não preciso de nada no órgão que o senhor tentou, e não conseguiu, se estabelecer como ditador. Esqueça-me, ô cara. Escolha outro para continuar na mídia e fazer campanha.

 (*) Rosenwal Ferreira é jornalista e publicitário (rosenwal@terra.com.br / twitter: @rosenwalf)

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