ARTIGO O vendedor de falas

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*Robério Negreiros

A proximidade do período eleitoral no Distrito Federal, parece, divide os grupos políticos em dois segmentos distintos, mas extremamente semelhantes. Independentes de matizes ideológicas, os políticos se acomodam em uma das duas trincheiras possíveis: ou são pedras do denuncismo – e para isso usam as estruturas públicas para legitimar os ataques aos concorrentes – ou são as vítimas de telhado de vidro que reagem com outras acusações contra os seus algozes.  

Ou seja, como na maioria das vezes os dois lados tem fragilidades a serem exposta, confunde-se quem é a vitima e quem é o executor. Para o eleitor fica nebuloso decifrar quem é o mocinho e quem é o bandido. Neste cenário surge um terceiro personagem: o oportunista vendedor de falas. Este é o pior tipo de político. Ele emerge do mar de lama com discurso falacioso, mas conveniente em uma situação de tanta fumaça provocada pela troca de tiro entre os políticos de grosso calibre.

Trata-se de um discurso vazio, formado por palavras chaves estratégicas: redução dos gastos com verbas de gabinete, transparência e ataque as gestões de agora e do passado. É evidente que todos somos a favor da transparência e todos temos ressalvas às administrações que passaram pelo governo. Mas todo esse discurso do oportunista é vazio e sem materialidade. É gente que reduz o uso da verba de gabinete, mas também não tem nenhum trabalho efetivo a favor do povo. Este é verdadeiramente o político que faz apenas promessas e ilude o povo.

Meu medo nessa dicotomia em que todos querem ocupar o lugar de bons e relegar aos demais ao lugar de maus, é que essa guerra de dossiês e operações policiais espetaculares, feitas para serem vistas nos telejornais, abrem espaço para o oportunista. Como, presumo pelas pesquisas que tenho visto, há uma tendência do eleitorado de votar em novos nomes, distintos dos tradicionais caciques candangos, talvez tenhamos um novo comandante vindo das fileiras oportunistas à frente do Buriti. Se isso acontecer, só nos restará pedir a Deus que salve o DF. E seja o que Deus quiser.   

*Robério Negreiros é deputado distrital e vice-líder do PMDB na CLDF

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