Assuntos estratégicos nas mãos de interinos

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A expectativa é de que a situação de interinidade de alguns cargos favoreça ao governador promover uma minirreforma no secretariado e rever posição dos aliados em sua gestão

Lea Queiroz
 Jornal da Comunidade

 

Com o afastamento de Cláudio Monteiro, duas das principais funções ligadas ao governador têm comando provisórioFoto: Leonardo Prado / Agência CâmaraCom o afastamento de Cláudio Monteiro, duas das principais funções ligadas ao governador têm comando provisório

Depois de passar relativamente bem pelo turbilhão de um depoimento na CPI Mista do Cachoeira, no Congresso Nacional, no início de junho, o governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz dá prosseguimento a seu governo, mas ainda com pendências a resolver em sua administração que hoje possui gestores interinos em cargos estratégicos. É o caso da chefia de Gabinete do governador, que tinha como titular o advogado Cláudio Monteiro, afastado após denúncias de envolvimento com o suposto contraventor goiano, Carlos Augusto Ramos (o Carlinhos Cachoeira). 
No lugar de Monteiro, assumiu interinamente Vera Lúcia Araújo de Souza, e o governador ainda não anunciou a efetividade dela no cargo ou quem será o próximo titular. A função é de “extrema” confiança e não convém ao governador ficar sem um titular com respaldo para tomada de decisão.
Outra função igualmente estratégica do governo de Agnelo, o de secretário-executivo do Comitê Organizador Brasília 2014, também era atribuída a Cláudio Monteiro, sem dúvida homem de confiança do governador, e com o afastamento do ex-chefe de gabinete, quem responde pelas responsabilidades do comitê é o coordenador Sérgio Graça. Embora seja um homem experiente na área do esporte e esteja no projeto dos preparativos da Copa, não se sabe se Graça fica com a titularidade do cargo ou poderá ser substituído.
Ainda no alto escalão, os secretários de Governo, Paulo Tadeu, e da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Sedhab), Geraldo Magela, deixaram o comando de suas pastas, no início de junho, sob o pretexto de auxiliar o GDF na votação do orçamento no Congresso Nacional. Desde então, os petistas reassumiram seus mandatos na Câmara dos Deputados e ainda não se fala no retorno deles ao Executivo local.
De acordo com sua regulamentação, a Secretaria de Estado de Governo do Distrito Federal objetiva dar assistência e assessoramento direto e imediato ao governador do DF no desempenho de suas atribuições, principalmente nos assuntos relativos à sua coordenação e à integração das ações governamentais. Entre outras atribuições de cunho estratégico cabe à Secretaria de Governo subsidiar o GDF com informações sobre a execução das políticas públicas e o funcionamento dos serviços públicos para melhoria da qualidade de vida da população, além de promover políticas de integração entre a população e as administrações regionais, com o objetivo de identificar e definir prioridades, visando à elaboração do programa plurianual e das leis orçamentárias anuais.

 

PDOT, LUOS e Parque Cidade Digital são prioridades

Cristiano Araújo ainda não voltou ao ExecutivoFoto: Carlos Gandra / CLDFCristiano Araújo ainda não voltou ao Executivo

Na Sedhab, quem responde pela secretaria na condição de interino é o secretário adjunto Rafael Oliveira. A pasta tem entre suas atribuições cuidar de temas relevantes para o DF como a revisão do Plano de Ordenamento Territorial (PDOT), que está prestes a ser votado na Câmara Legislativa, e a Lei de Uso e Ocupação do Solo (LUOS), que está em fase conclusiva de elaboração. As legislações impactam diretamente na vida da população do DF e são ainda temas polêmicos, que precisam ser conduzidos com a força de decisão e encaminhamento do comandante da pasta. 
No final de abril, os deputados distritais Cristiano Araújo (PTB) e Raad Massouh (PPL) também deixaram o comando das secretarias de Ciência e Tecnologia e de Micro e Pequenas Empresas, respectivamente. Os deputados alegaram necessidade de dar encaminhamentos a projetos parlamentares no âmbito da Câmara Legislativa. Raad já voltou ao Executivo, mas Cristiano não tem previsão de retorno.
Enquanto isso, quem assume o comando de um dos projetos prioritários do governo, a implantação do Parque Tecnológico Cidade Digital, é o secretário interino da Secretaria de Ciência e Tecnologia, Gustavo Brum.  No último dia 18 de junho, o governador Agnelo Queiroz autorizou a realização de consulta e audiência públicas para reunir contribuições sobre o projeto. Na ocasião, o governador também reafirmou que o parque tecnológico, que será concebido por meio de parceria público-privada e constituição de sociedade de propósito específico, está mantido como uma das prioridades de seu governo. O deputado Cristiano Araújo ocupava a Secretaria de Ciência e Tecnologia do DF desde outubro de 2011.
Para completar o estado de vacância, o administrador regional de Vicente Pires, Dirsomar Chaves, entregou seu cargo na última semana. A cidade passa por intenso processo de encaminhamento das regularizações, mas ainda não se fala sobre quem será o novo administrador, o que aumenta a ansiedade da população do lugar.
Nos bastidores do Buriti a expectativa é de que o momento seja favorável para rever alianças e trocar bastões de poder, ainda mais levando-se em conta o desgaste de algumas figuras da base de Agnelo e a necessidade de reconhecer a força de aliados que ainda não ganharam destaque na administração. Pode ser hora de uma minirreforma política. Procurado para falar sobre o assunto, o porta-voz do governador, Ugo Braga, não deu retorno sobre as pretensões de mudanças de Agnelo Queiroz. Alguns interinos também preferiram não se manifestar sobre a permanência no cargo sob a alegação de que estão à disposição do governador.

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