Bancada evangélica reforça a Câmara Legislativa

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Defesa da família tradicional ganha força, com aumento dos representantes do segmento para sete distritais
Daniel Cardozo
daniel.cardozo@jornaldebrasilia.com.br
O famoso slogan “Em defesa da família” terá continuidade na Câmara Legislativa a partir do ano que vem. A bancada evangélica aumentou de quatro para sete deputados e, com isso, é esperada uma mudança de comportamento da Casa.

Foram reeleitos Wasny de Roure (PT), atual presidente da Câmara, e Celina Leão (PDT). Juntam-se a eles Júlio César (PRB), Rodrigo Delmasso (PTN), Sandra Faraj (SD), Rafael Prudente (PMDB) e Renato Andrade (PR).

Vários dos assuntos com militância contrária da bancada evangélica, como casamento entre pessoas do mesmo sexo e descriminalização da maconha, são de competência do Congresso Nacional. Mesmo assim, os parlamentares da Câmara Legislativa pretendem influenciar as decisões nacionais.

É o caso de Rodrigo Delmasso (PTN), pastor da igreja evangélica Sara Nossa Terra. Nas redes sociais, ele protesta contra cartilhas que erotizariam as crianças e adolescentes e fez campanha falando dos valores cristãos.

Delmasso promete que atuará não apenas pautado pela religião. “A bancada vai trabalhar em unidade, defendendo valores e princípios da família. Isso foi uma construção de antes da eleição, por acreditarmos que a sociedade pede esse tipo de atuação. Trabalhar a favor da família também é pensar na mãe que não tem uma creche para deixar os filhos e ir trabalhar”, exemplificou.

Área fundiária

Além de defender políticas públicas para valorizar a “família tradicional”, o Bispo Renato, líder da Igreja Episcopal Apocalipse, também quer atuar na área fundiária. “A regulamentação dos templos religiosos é uma questão que já tratei quando fui deputado e pretendo dar continuidade. Também é preciso ter um olhar de lupa para projetos como a Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos) e Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB), para que não ocorra influência da especulação imobiliária”, afirmou.

Eleito pela primeira vez em 2006, o bispo volta ao cargo após passagem pela Secretaria do Trabalho.

Representantes de toda a sociedade

Apesar de evangélico, o deputado Wasny de Roure cobra uma postura diferenciada dos demais colegas de bancada. Para ele, não adianta ser parlamentar se for para legislar apenas em favor dos fiéis. “Vários deputados foram eleitos com apoio de igrejas, mas é importante articular com a sociedade, porque somos representantes dela como um todo e não apenas de membros de igrejas. As instituições religiosas precisam ser cautelosas no debate, porque a política transcende as doutrinas”, opina o atual presidente da Casa.

Mesmo assim, o petista enxerga uma certa desconfiança quando se fala em bancada evangélica, termo usado até de maneira pejorativa. “A imprensa trabalha essa imagem, como se fôssemos um segmento que só se baliza pela religião”, complementou.

Os representantes da bancada já se preparam para agir em caso de novo decreto que preveja punição para homofobia, como no ano passado. O governador Agnelo Queiroz regulamentou uma lei do ano 2000 que previa sanções a comércios que promovessem discriminação motivada por orientação sexual. O decreto foi revogado no mesmo dia, sob a justificativa de não ter passado pela área jurídica do GDF.

Críticas à criminalização da homofobia

1 – Rodrigo Delmasso critica a regulamentação do decreto que prevê sanções por homofobia e usa a “liberdade de expressão” como argumento. “Era uma lei extremamente discriminatória”, opina.

2 – O distrital eleito até aceitaria uma nova redação da lei, desde que não ocorram punições diferentes daquelas que já previstas no Código Penal, para discriminação de outras minorias.

3 – O polêmico decreto não foi comentado por Renato Andrade, mas ele afirmou ser totalmente contrário a qualquer medida que seja contra o conceito de “família tradicional”.

4 – Já para Wasny de Roure, será necessário um debate mais amplo em caso de nova regulamentação do decreto.

5 – Para o presidente da Câmara, nunca é demais ouvir a sociedade, mas para isso, as igrejas precisam ser consultadas e “não se pode sair apenas em defesa das lideranças LGBT”.

Fonte:  Jornal de Brasília

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