‘Bando de lixo!’, grita zelador demitido de tríplex para advogados de Lula

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José Afonso Pinheiro prestou depoimento como testemunha de acusação.
Ele diz estar sem emprego por ser envolvido em algo que não tem culpa.

Do G1 PR

José Afonso Pinheiro, ex-zelador do condomínio em que fica o tríplex no Guarujá atribuído pelo Ministério Público Federal (MPF) a Luiz Inácio Lula da Silva, irritou-se com os advogados do ex-presidente, em audiência realizada por videoconferência, na Justiça Federal em Curitiba, nesta sexta-feira (16). Ele foi arrolado como testemunha de acusação na ação penal em que Lula e sua mulher, Marisa Letícia, são réus na Operação Lava Jato.

Ele disse, frente ao juiz Sérgio Moro, estar desempregado porque foi “envolvido em uma situação que não tem culpa nenhuma”. A resposta surgiu quando o advogado Cristiano Zanin Martins, defensor de Lula, perguntou sobre o ingresso de Pinheiro na política – o ex-zelador foi candidato a vereador em Santos, nas últimas eleições, pelo Partido Progressista (PP), mas não foi eleito.

“Eu perdi meu emprego, perdi a minha moradia, e aí você vem querer me acusar, falar alguma coisa contra mim? Como é que você sustentaria a sua família? Você nunca passou por isso! Quem é você para falar alguma coisa contra mim? Vocês são um bando de lixo! Isso que vocês são. O que vocês estão fazendo, fizeram com nosso país, isso é coisa de lixo!”, exaltou-se a testemunha.

Sérgio Moro, então, pediu que o zelador respondesse às perguntas com mais objetividade e menos “emocionalmente”.

“Após todos esses fatos, eu passar por uma tremenda dificuldade, eu fui procurado por um partido político, que me convidou, e foi assim que foi o ingresso na minha vida política”, respondeu José Afonso Pinheiro à defesa de Lula.

Pinheiro relatou que saiu como candidato porque passa pela “maior dificuldade”. O nome usado por ele nas urnas foi “Afonso Zelador do Tríplex”.

“Eu é que fui o afetado, entendeu? Eu que fui prejudicado nessa situação e nada mais justo que eu usar o tríplex, como outros candidatos usam outros nomes qualquer (sic)… Nada mais justo as pessoas saberem que eu era o zelador do tríplex”, justificou ao advogado Cristiano Zanin, defensor de Lula e Marisa Letícia.

Então, após esta resposta, Sérgio Moro explicou ao zelador que ele não estava sendo acusado de nada. “Ninguém está dizendo que o seu ingresso na política foi algo errado ou coisa que o valha. O senhor não está sendo acusado aqui de nada nesse sentido. Deixar isso muito claro”, explicou o juiz federal.

Lula JG (Foto: Reprodução: TV Globo)Lula esteve no tríplex antes e durante obras de reforma, diz testemunha (Foto: Reprodução: TV Globo)

O zelador garantiu que Lula esteve no tríplex antes e durante as obras de reforma. “Ele [Lula], Dona Marisa [Marisa Letícia, esposa de Lula], mais um grupo de segurança e mais um pessoal da OAS junto também”, afirmou o zelador, sobre uma das visitas.

“Todos sabiam lá que o apartamento pertencia ao ex-presidente Lula, inclusive, até os condôminos sabiam que era dele o apartamento. Lá sempre houve esse comentário”, contou.

Pinheiro relatou ter apresentado todas áreas do condomínio para Marisa Letícia, como piscina e salão de festas: “Área comum que ela achou muito boa, achou próxima da praia. Ela falou que era um pé na areia”.

“Ela se portava como proprietária”, disse a testemunha em relação ao comportamento de Marisa Letícia quando visitava o tríplex. Ele disse ainda que o apartamento nunca foi visitado para corretores para venda.

O zelador voltou a afirmar que Igor Ramos Pontes, gerente de regional de contratos da OAS, pediu que ele não falasse a ninguém que o imóvel era de Lula. “Ele pediu pra mim, foi até enérgico comigo, ao falar que não era pra falar que o apartamento pertencia ao senhor Luiz Inácio e a dona Marisa e nem que eles compareceram ao apartamento. Era pra falar que o apartamento pertencia à OAS, isso ele foi bem enérgico comigo”.

No final da audiência, o juiz pediu desculpas a José Afonso.

“Eu lamento o fato de o senhor ter perdido o seu emprego nessa ocasião, lamento muito isso. E lamento se algumas perguntas tenham soados ofensivas ao senhor. Acredito que não tenha sido essa a internção do advogado, mas, ainda assim, peço desculpas em nome do juízo e agradeço a sua colaboração”, concluiu.

 

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