‘Barão da cocaína’, preso em mansão, tem patrimônio de R$ 100 milhões

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Marcelo Oliveira é dono de fazenda, posto de gasolina, casa de câmbio, veículos e imóveis: tudo comprado, segundo a polícia do DF e de Goiás, com o dinheiro do tráfico. Grupo liderado por ele trazia à capital 450kg de pasta-base de cocaína a cada 15 dias

Kelly Almeida

Financiada pela venda de pasta-base de cocaína, a lista de bens do traficante Marcelo Oliveira aumenta a cada investigação dos agentes civis envolvidos na prisão dele. Entre fazendas, postos de combustíveis, empresas de factoring (troca de cheque por dinheiro), casas de câmbio, criação de gado e imóveis, os valores podem ultrapassar os R$ 100 milhões. Ele foi detido na última quinta-feira durante a Operação Resgate, realizada em parceria com as polícias civis do Distrito Federal e de Goiás.

Marcelo é considerado o maior traficante das duas unidades da Federação. Somente neste ano, quase uma tonelada de pasta-base foi apreendida com o grupo dele, segundo os investigadores — cerca de 400kg foram recolhidos nessa última ação, e o restante, em fevereiro. Com a venda de toda a mercadoria, o acusado lucraria pelo menos R$ 10 milhões.

A prisão do suspeito não encerra as investigações conduzidas pelos policiais da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc), de Goiás. Eles tiveram apoio dos agentes da Coordenação de Repressão às Drogas (Cord), da Polícia Civil do DF. Até chegarem a Marcelo, os policiais monitoraram durante um ano e meio os passos dele e dos comparsas. Descobriram que ele se mudou de Goiânia para o DF há aproximadamente dois anos. Aqui, mantinha uma vida altamente luxuosa. “São muitos bens no nome dele, que gosta de ostentar e manter o luxo a custo do tráfico. É esperto e não fala muito por telefone. Mas as interceptações mostram os outros suspeitos o chamando pelo nome e de chefe. Semanalmente, estava em Goiânia para fazer as negociações do tráfico”, ressalta o chefe da Denarc, Odair Soares.

Contato em presídios
Na mansão em que Marcelo morava no Park Way, os agentes apreenderam três carros importados e material para ajudar nas investigações. Tudo será analisado. Escutas telefônicas captadas com autorização da Justiça também indicam ligações entre o traficante com comparsas dentro de presídios. Nas conversas, sempre o mesmo assunto: negociação de compra e venda de pasta-base de cocaína. A cada 15 dias, pelo menos 450kg da substância eram trazidos do Paraguai pelo grupo. No Distrito Federal e em Goiás, a droga era revendida em poucos dias. “Como ele tem casas de câmbio, tinha facilidade em pegar outras moedas e pagava toda a pasta-base em dólar”, detalha Odair.

No Departamento de Polícia Especializada (DPE), Marcelo negou qualquer envolvimento com o tráfico de drogas. “Ele é bem articulado e leva na conversa quem não está preparado. Disse-nos que foi preso no passado por tráfico, mas que não fazia mais isso. Vamos continuar as investigações aqui no DF para saber se ele tem conexão com outros traficantes”, detalha o chefe da Cord, Rodrigo Bonach. Ontem, Marcelo e os outros presos na Operação Resgate foram transferidos para o Centro de Detenção Provisória (CDP).

 Fonte: Correio Braziliense

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