Barraco federal. Renan Calheiros bate boca com Cristovam Buarque

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O que começou com uma troca de farpas entre dois senadores da República terminou em graves acusações de parte a parte no fim da tarde desta terça-feira (12/7).

 

Lilian Tahan

LILIAN TAHAN

A confusão teve início quando o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), resolveu se posicionar sobre o adiamento da análise do projeto estabelecendo punição para autoridades que cometerem algum tipo de abuso. Em um primeiro momento, o peemedebista, em tom manso e temperatura morna, disse que o reagendamento do tema para agosto seria uma boa oportunidade para se debater o assunto com a sociedade.

O clima esquentou quando o presidente mencionou o colega Cristovam Buarque (PPS-DF). Relembrou Renan Calheiros: “Outro dia, vi uma declaração do senador Cristovam dizendo que, talvez, o presidente do Senado, por atender ao pedido do STF, o faça por motivações pessoais. Isso me chocou e embaça a presidência do Senado Federal, porque se há uma coisa que eu procurei demonstrar aqui, senador Cristovam, e não é de hoje, mas desde a época em que o senhor saiu candidato a presidente da Republica, foi não deixar nenhuma dúvida de que aqui como presidente do Senado, eu me coloco sempre em função da posição majoritária dos senadores.”

Renan falou mais um tanto no sentido de que é a favor das investigações de autoridades, defendeu as delações e Cristovam, que o assistia, pediu a palavra e jogou gasolina no embate. “Fala-se em abuso de autoridade, mas muitos estão imaginando que é abuso contra autoridade. Até porque morrem 10 mil crianças assassinadas e a gente nunca se preocupou. Todos os dias, são algemadas centenas de pobres, quase todos negros, e a gente não fala nada contra esse abuso de autoridade. Trazer esse projeto neste momento dá uma sensação geral de que os senadores querem se proteger e, como o senhor que trouxe o projeto, fica mais ainda em cima do senhor”, disse Cristovam.

 

Acusações
Renan reagiu com carga total e jogou uma suspeição sobre o colega, que remonta a 2006, quando o parlamentar concorreu à Presidência da República pelo PDT. “Qualquer investigação tem que ser levada em consideração, e o homem público tem que estar exposto. Eu me recordo, quando o senhor disputou as eleições, que nós fomos procurados pelo então tesoureiro do PDT. Ele trazia denúncias de doação ilegal e de receptação não contabilizada”, disparou o presidente.

Cristovam ficou nervoso. Subiu o tom e perguntou se Renan não havia feito nada a respeito. Renan disse que ainda dava tempo, e Cristovam esbravejou:

Se o senhor não fez nada, o senhor prevaricou. Foi isso o que o senhor fez, prevaricação

Renan retrucou que o caso ainda não prescreveu e disse que o episódio com o tesoureiro do PDT era “o primeiro de delação do país”. Provocação pura de parte a parte, que certamente terá consequências para além do plenário.

No meio da discussão, Cristovam sugeriu que o presidente levasse o caso para o Conselho de Ética. Não é difícil que o embate “prevaricação versus doação ilegal de campanha” entre na fila do escaninho mais bombado do Congresso Nacional nos últimos tempos.

 

 

 

 

 

 

Fonte: Grande Angular/Metropoles

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