BRB financia mansão para senador carioca

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Na política, amigos costumam se ajudar mutuamente nos bastidores para subir na vida, mas tal prática parece ter ultrapassado os limites da ética, moral e bom senso na atualidade brasiliense.

Enquanto muitos empresários e profissionais liberais brasilienses levam um sonoro “não” quando buscam empréstimos ou financiamentos no BRB, o senador Flávio Bolsonaro acaba de adquirir uma mansão em Brasília no valor de  R$ 5,97 milhões. E ainda financiou uma boa parte no Banco de Brasília (BRB), presidido por Paulo Henrique Costa, conhecido como PH.

Parte do total pago na mansão foi financiado pelo Banco de Brasília (BRB). Na matrícula, obtida pelo site O Antagonista, consta o parcelamento de R$ 3,1 milhões via BRB, em 360 meses. A mansão pertencia à RVA Construções e Incorporações, do advogado e empresário Juscelino Sarkis. O valor do imóvel é quase QUATRO VEZES o patrimônio declarado por ele nas eleições de 2018.

É preciso lembrar que o emprego de Flávio Bolsonaro é o mandato de senador. Ou seja: pode terminar a qualquer tempo ou na próxima eleição.

O projeto de poder de Ibaneis e PH, presidente do BRB,  parece não ter fronteiras. Sobra dinheiro para o Flamengo mas falta para times do DF, e ainda sobra dinheiro para brindes caríssimos e até sala VIP no Aeroporto Internacional de Brasília.

Enquanto isso, a saúde está num caos só e a economia do DF em crise constante com lockdowns estranhos, onde o vírus do COVID-19 parece não incomodar o transporte público, nem agir entre as 20h e 5h, e os gastos milionários para a instalação de hospitais de campanha viraram escândalo de corrupção.  Essa conta promete não fechar mesmo num futuro próximo.

Por outro lado, é só seguir a dica: Senador Flávio Bolsonaro, amigo do senador Ciro Nogueira, padrinho de Paulo Henrique Costa, presidente do BRB, que sonha ir para Banco do Brasil… Alguém duvida que ele assumirá o BB?

O salário bruto de um senador é de R$ 33.763, que, após descontos, cai para R$ 24,9 mil. O valor do novo imóvel é mais que o triplo do total de bens declarados por Flávio à Justiça Eleitoral em 2018, quando disputou uma vaga no Senado. Naquela ocasião, Flávio declarou um total de bens de R$ 1,74 milhão, incluindo um apartamento residencial na Barra da Tijuca, no Rio (R$ 917 mil), uma sala comercial no mesmo bairro (R$ 150 mil), 50% de participação da empresa Bolsotini Chocolates (uma franquia da Kopenhagen, de R$ 50 mil), um veículo Volvo XC (R$ 66,5 mil) e aplicações e investimentos que somavam R$ 558,2 mil.

O senador e seu sócio entregaram a loja de chocolates após o estabelecimento entrar no radar da investigação do Ministério Público. A franquia da Kopenhagen é apontada pela Promotoria como uma forma de o senador lavar dinheiro supostamente desviado da Assembleia Legislativa do Rio quando era deputado estadual. Ele nega.

As condições do financiamento do imóvel de Flávio no Banco de Brasília (BRB), no valor de R$ 3,1 milhões, são vantajosas na comparação com simuladores de outras instituições financeiras. A título de exemplo, em outro banco, ele obteria uma taxa mínima de 5,39% ao ano. Para financiar R$ 3,1 milhões, teria de arcar com uma parcela inicial de R$ 23.222,93, considerando valor do imóvel, entrada, idade do senador, seguros e taxa de administração. Isso consumiria quase todo o ganho líquido de Flávio, de R$ 24,9 em fevereiro.

De acordo com o simulador do BRB, com uma renda mínima acima de R$ 46 mil, um financiamento de R$ 3,1 milhões teria prestações iniciais acima de R$ 18 mil, o que representa mais de 70% da remuneração líquida do senador. O BRB é uma instituição financeira do governo do Distrito Federal, comandado por Ibaneis Rocha (MDB), aliado da família Bolsonaro.

 

 

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