CAIXA MILIONÁRIO AJUDA CANDIDATOS A SE ELEGER

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Levantamento realizado pelo Correio com base nas parciais de doações de campanha informadas ao TSE indica que a ampla maioria dos candidatos com orçamentos %u201Cvitaminados%u201D teve êxito nas urnas

 

Lúcio Vaz/Correio Braziliense

Na corrida mineira, Aécio Neves e Antonio Anastasia administraram cofres bem abastecidos no estado. Conquistaram vaga no Senado e no governo - (Maria Tereza Correia/EM/D.A Press)  
Na corrida mineira, Aécio Neves e Antonio Anastasia administraram cofres bem abastecidos no estado. Conquistaram vaga no Senado e no governo

Um caixa de campanha farto é fundamental para a eleição. Essa regra vale tanto para candidatos a cargos proporcionais, como deputado federal, como para aqueles que concorrem a cargos majoritários, como governador ou senador. Levantamento feito pelo Correio, com base na segunda parcial das doações registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que a grande maioria das campanhas milionárias obteve sucesso nas urnas. Das 43 maiores campanhas para deputado federal, todas acima de R$ 1 milhão, apenas sete candidatos não se elegeram. Nas disputas pelos governos estaduais, 20 candidatos que ficaram na primeira colocação contaram com mais dinheiro do que os concorrentes. As doações pesaram menos na disputa pelo Senado. Das 37 campanhas milionárias, 15 fracassaram.

O valor das campanhas ainda vai aumentar quando for feita a declaração definitiva dos candidatos, até 2 de novembro. O levantamento atual leva em consideração as campanhas que já ficaram acima de R$ 1 milhão. Com o resultado da eleição, também é possível avaliar o custo do voto. Esse número será maior para todos após a declaração final no TSE, mas os atuais permitem comparar o valor do voto entre as diversas campanhas. Entre os candidatos à Câmara, a campanha mais cara foi a de Vaccarezza (PT-SP), com R$ 2,79 milhões arrecadados até agora. Como ele fez 131 mil votos, cada um custou R$ 21,2 — um valor bem acima da média de R$ 9,34. O voto mais barato foi o de Anthony Garotinho (PR-RJ), que declarou ter arrecadado cerca de R$ 1 milhão. Ele fez 694 mil votos — ou R$ 1,46 a unidade.

Vaccarezza conseguiu a reeleição com pelo menos R$ 2,79 milhões de arrecadação. O custo por voto, de acordo com dados preliminares do TSE, foi de R$ 21,2 - (Luiz Alves/Divulgação)  
Vaccarezza conseguiu a reeleição com pelo menos R$ 2,79 milhões de arrecadação. O custo por voto, de acordo com dados preliminares do TSE, foi de R$ 21,2

Os milionários do Paraná fracassaram nas urnas. Wilson Picler (PDT-PR) investiu R$ 2,43 milhões (quase a totalidade do próprio bolso) e conquistou 69 mil votos. Cada um custou R$ 35. Ficou como terceiro suplente da coligação que reunia grandes partidos, como o PMDB e o PT. Como suplentes da mesma coligação ficaram os candidatos do PMDB Odílio Balbinotti e Marcelo Almeida. Cada voto de Almeida custou R$ 20. Ele é também o candidato de maior patrimônio declarado: R$ 683 milhões. Marcelo é filho do lendário empresário Cecílio do Rego Almeida, dono da empreiteira CR Almeida.

Picler não acha que tenha desperdiçado o dinheiro: “Investi nesse ideal. Eu podia comprar um iate, uma mansão, mas não me sentiria feliz com isso. Eu me sentiria um covarde. Me sinto feliz, honrado em receber esses 69 mil votos”. Apesar do discurso, ele demonstra mágoas com o processo eleitoral. “Não tem campanha barata. É que o pessoal não pode declarar. Vai declarar a origem como? O mundo da política é um submundo de acertos, de ardilosidades.”

Majoritários
O dinheiro também parece ser decisivo nas eleições para os governos estaduais. Em 20 estados, o candidato mais votado foi o que teve maior campanha. Em outros seis, aquele que teve a maior arrecadação ficou em segundo. Mas fica sempre uma dúvida quando se trata de campanhas majoritárias em que as pesquisas anunciam com antecedência os favoritos do eleitor. Os candidatos foram eleitos porque tiveram mais dinheiro ou os empresários apostaram naqueles que tinham maior possibilidade de vitória? Em São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin arrecadou muito (R$ 15 milhões) e teve muitos votos (11,5 milhões). Foi eleito no primeiro turno. O custo unitário ficou em R$ 1,3 — bem abaixo da média de R$ 2,7 entre as campanhas milionárias. Antônio Anastasia (PSDB), eleito governador de Minas, teve caixa de R$ 15,4 milhões, mas teve menos votos: 6,2 milhões. O custo subiu para R$ 2,46 a unidade.

O voto mais caro entre os governadores com campanha milionárias foi de André Puccinelli (PMDB-MS). Ele conseguiu R$ 8,2 milhões em contribuições e fez apenas 704 mil votos — R$ 11,7 por unidade. O voto mais barato foi o de Tarso Genro (PT-RS): apenas R$ 1 a unidade. Os dois foram eleitos no primeiro turno. Mas nem sempre o dinheiro resolve. Osmar Dias (PDT-PR) arrecadou bem mais do que Beto Richa (PSDB), mas perdeu a eleição. Foram R$ 13,2 milhões contra R$ 8,1 milhões do tucano, como registra a segunda parcial de doações eleitorais. No Amazonas, o ex-ministro Alfredo Nascimento (PR) recebeu R$ 6,3 milhões e fez apenas 382 mil votos (R$ 16,6 a unidade). Perdeu a eleição para Omar Aziz (PMN), que gastou apenas R$ 4,3 para cada voto.

Entre os senadores eleitos, Aécio Neves (PSDB-MG) foi um dos que obtiveram melhor aproveitamento. Ele arrecadou R$ 5,5 milhões e fez 7,5 milhões de votos. O custo unitário ficou em R$ 0,73. O pior aproveitamento entre os candidatos milionários foi o de Heráclito Fortes (DEM-PI). Ele gastou R$ 6,4 por voto, mas não foi eleito. Dos 37 candidatos ao Senado com campanha acima de R$ 1 milhão, 20 ficaram em primeiro ou em segundo lugar, o que assegurou a eleição. Outros 11 ficaram na terceira posição.

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