Candidatos ao GDF têm discursos específicos, mas todos atacam adversários

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Para especialistas, o pragmatismo de alianças fala mais alto
Depois de duas semanas de campanha, a estratégia de cada um dos candidatos ao Governo do Distrito Federal está devidamente definida e vem sendo mostrada nas ruas, comícios e entrevistas. O destino desejado é apenas um, o Palácio do Buriti. Mas os caminhos e as palavras utilizados para tentar atingir o objetivo são diferenciados. Há, entre os seis concorrentes, discursos de continuidade, volta ao poder, terceira via e ruptura total com o modelo político e a prática atuais. Segundo especialistas ouvidos pelo Correio, algumas vezes as bases ideológicas podem ser relegadas em prol das coligações.

O governador Agnelo Queiroz (PT) tenta a reeleição e está à frente da maior união de siglas, com um total de 16 aliadas. Ele usa a estratégia de destacar as realizações do governo desde 2011. Sabedora dos pontos mais vulneráveis da gestão, a coordenação de campanha direciona a fala do candidato e do grupo aos feitos nas áreas de saúde, segurança pública, educação e mobilidade urbana. De quebra, ele ainda alfineta o ex-governador e candidato José Roberto Arruda (PR), garantindo que o atual governo realizou muito mais que o do adversário. O petista tenta reforçar a ideia de que passou boa parte da gestão arrumando a casa e diz que precisa de mais quatro anos à frente do GDF para investir em mais projetos. A parceria com Dilma Rousseff também tem sido muito lembrada.

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Se Agnelo elegeu Arruda como seu principal alvo, a recíproca é verdadeira. O candidato do PR, que conta com outros quatro partidos na coligação, sabe que o adversário a ser derrotado é o atual governador. Voltando à disputa quatro anos depois de ter abandonado o Palácio do Buriti, em meio a uma crise sem precedentes, o ex-governador afirma que sofreu um golpe. Ainda assim, sustenta que, em pouco mais de três anos de administração, fez muito mais do que Agnelo. Ele diz querer voltar para dar continuidade ao projeto que sofreu ruptura em 2010.

Enquanto os candidatos do PT e PR se rivalizam, outros nomes procuram se aproveitar da polarização dos dois grupos. O primeiro que colou a imagem a uma suposta terceira via — ainda que se recuse a usar esse termo — foi o senador Rodrigo Rollemberg (PSB), que deixou o grupo de Agnelo e correu para a oposição a fim de construir a própria candidatura. Ele tem atacado abertamente o ex-aliado, a quem chama de gestor incompetente, e Arruda, que define como ficha suja. Aliado ao PDT, o candidato enfrenta questionamentos sobre a aliança com partidos de base ideológica diferente do PSB, como o PSD e o Solidariedade. Por outro lado, a tentativa maior é capitalizar com a aliança entre Eduardo Campos, presidenciável do partido, e a ex-senadora Marina Silva, mais votada para presidente no DF em 2010.

Outro candidato que se esforça para surfar na onda da terceira via é o deputado federal Luiz Pitiman (PSDB). Eleito na coligação petista em 2010, ele escolheu Agnelo Queiroz como alvo preferencial na atual campanha. Faz críticas pesadas ao governo, que considera ineficiente em todas as áreas. Mas, ao contrário dos adversários, poupa Arruda. O posicionamento faz parte de uma possível futura aliança, caso a disputa vá para o segundo turno — visto que a aproximação entre o PSDB é mais clara com o grupo do ex-governador. Mais do que se apegar a qualquer aliado local, no material de divulgação, Pitiman cola a imagem à do presidenciável tucano, Aécio Neves.

Antônio Carlos de Andrade, o Toninho do PSol, por sua vez, tem usado a tática do contra tudo e contra todos. Terceiro colocado na eleições passadas ao governo (teve 14% dos votos), ataca os adversários, sem distinção. Critica o governo Agnelo, que considera ineficiente; o ex-governador Arruda, a quem define como ficha suja; Pitiman, tratando-o como mais uma candidatura de direita; e Rollemberg, ao qual quase se aliou e que afirma tê-lo decepcionado ao fazer acordo com o PSD. A sexta candidata, Perci Marrara (PCO), adere a um discurso de rompimento total com as estruturas atuais.

Análises

O cientista João Paulo Machado Peixoto, professor da Universidade de Brasília (UnB), tem acompanhado de perto a evolução da campanha no DF este ano. Ele explica que o discurso da terceira via pode até ser atraente, uma vez que a população pode ter aversão ao modelo atual e ao passado, mas os indícios não são fortes. “Se o povo acha que o atual governo não resolveu os problemas e que o anterior foi marcado por corrupção, então, é correta a análise dos outros candidatos em tentarem se vender como vias alternativas. Mas não é possível dizer se isso terá êxito”, afirma. O também cientista político David Verge Fleischer, titular na UnB, observa um quadro eleitoral em que a ideologia não tem mais tanta importância. “As alianças são feitas para se eleger. Por isso, há partidos tão diferentes aliados. O pragmatismo prevalece. O que pesa é o tempo de propaganda na televisão. Isso é uma pena, afinal, os acordos deveriam ser feitos em torno de programas para melhorar a vida da cidade”, disse.

Reportagem de Almiro Marcos, Kelly Almeida, Matheus Teixeira e Camila Costa

 

 

Fonte: Correio Braziliense

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