Candidatos apostam nas regiões com maior potencial eleitoral

2
10

Cidades como Ceilândia, Taguatinga, Samambaia, Recanto das Emas e Riacho Fundo II englobam mais de 720 mil eleitores

    JURANA LOPES
jcosta@grupocomunidade.com.br
  Redação Jornal da Comunidade

As eleições de 2014 estão cada vez mais próximas e praticamente todos os pré-candidatos estão em articulação política juntamente com a cúpula de seus partidos. Além de se preocuparem com suas propostas e projetos, um fator importante e que conta muitos pontos em uma vitória é saber qual região administrativa será mais fácil de conseguir votos.
Muitos políticos que estão no poder souberam fazer uma campanha eleitoral bem elaborada e voltada principalmente para cidades em que são conhecidos por seus trabalhos. Um exemplo disso é o distrital Cláudio Abrantes (PT), conhecido na região de Planaltina e Sobradinho por sua atuação na Via Sacra de Planaltina, interpretando Jesus Cristo. Além dele, há o deputado distrital Washington Mesquita (PTB), famoso em Taguatinga por sua atuação religiosa, sendo um dos organizadores da famosa Festa de Pentencostes, celebrada todos os anos pelo padre Moacir Anastácio.

Investir em campanha em cidades como Taguatinga podem contar muitos pontos na hora da apuração dos votosFoto: Getúlio Romão / CedocInvestir em campanha em cidades como Taguatinga podem contar muitos pontos na hora da apuração dos votos

Investir a campanha em determinadas regiões administrativas pode contar muitos pontos na hora da contagem de votos. Cidades como Ceilândia, Taguatinga, Samambaia, Recanto das Emas e Riacho Fundo II são campeãs de votos, pois além de terem uma grande população, o quantitativo eleitoral também é elevado, comparado com outras cidades menores, como Candangolândia e Paranoá.
Segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF), as cinco cidades juntas possuíam, até dezembro de 2013, um total de 728.982 eleitores, sendo que em todo o Distrito Federal o total era de 1.977.243 eleitores. De acordo com o levantamento, Ceilândia possuía 305.251 eleitores, seguida por Taguatinga, com 188.752, Samambaia com 139.708, Recanto das Emas com 75.912 e por último, Riacho Fundo II, que tinha até dezembro apenas 19.359 eleitores. “Com o recadastramento biométrico e o cadastro de novos eleitores, o número já deve ter aumentado”, informa o TRE-DF.
Para Antônio Flávio Testa, cientista político da UnB, essas cinco cidades podem influenciar o resultado na hora da contagem de votos. “Juntas, essas regiões administrativas podem representar uma força eleitoral significativa, se mobilizada corretamente o candidato pode se dar bem. Mas, isso vai depender das regras vigentes, das alianças partidárias, pois é preciso ter um desempenho eleitoral significativo”, analisa.
Na visão do especialista, Ceilândia, Taguatinga, Samambaia, Recanto das Emas e Riacho Fundo II compõem grande contingente de votos e isso pode impactar o resultado das eleições, porém, se houver intensificação nas campanhas em outras regiões, o resultado pode ser positivo. “O candidato pode ser eleito com votos de outras regiões, mas vai depender de qual mandato: distrital, federal, senador ou governador”, diz.

 

Raio X de cada uma das cinco cidades
Ceilândia
A população de Ceilândia foi estimada em 442.865 habitantes, de acordo com a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios 2013 (PDAD), divulgada pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan). A taxa de crescimento anual foi de 4,66%. A cidade mais populosa do DF criou 12.843 empregos em dois anos – alta de 25% – e seu mercado de trabalho consegue absorver 36,80% de seus moradores.
A pesquisa mostrou também que a população ativa da cidade que trabalha na própria RA supera à que trabalha no Plano Piloto (28,33%) e em Taguatinga (10,97%). Outro dado que mostra a crescente autonomia da cidade em relação a Brasília é o comércio: as compras realizadas na região pelos moradores referentes à alimentação, serviços pessoais, roupas, calçados, eletrodomésticos e serviços em geral variam de 94% a 98%.

Taguatinga
De acordo com a PDAD 2013, realizada pela Codeplan, a população estimada de Taguatinga é de 214.282 habitantes. Quase metade da população de trabalhadores de Taguatinga (43,95%) tem o emprego na própria região administrativa. A pesquisa mostra que 96,44% da população ocupada trabalha no setor de serviços, 28,38% no comércio, 22,21% nos serviços públicos (Federal e GDF) e 20,78% nos serviços gerais. Os dados trazem, ainda, outras características da cidade, como o número de pessoas que utilizam os postos de saúde da própria região – 97,11% – ou/e utilizam o Hospital Regional de Taguatinga – 89,62%.
Do total de estudantes da localidade, 84,43% utilizam as escolas da própria RA, e 7,20% estudam no Plano Piloto. Quanto ao nível de escolaridade, apenas 1,47% são analfabetos. A população concentra-se na categoria dos que têm o ensino fundamental incompleto (25,36%) e médio completo (24,37%). Os com ensino superior completo, incluindo especialização, mestrado e doutorado, somam 18,24%. A renda domiciliar é de R$ 5.138,58. Já a renda per capita é de R$ 1.639,04, com acréscimo real de 10,93% em relação a 2011.

Samambaia
Com uma população estimada de 220.806 habitantes, Samambaia apresenta uma taxa média geométrica de crescimento anual de 4,6%, com renda domiciliar média mensal de R$ 2.633, equivalente a 4,23 salários mínimos e renda domiciliar per capita de R$ 742, correspondente a 1,19 salário mínimo, segundo a PDAD 2013.
Os dados apontaram que 72,46% dos residentes de Samambaia têm domicílio próprio e 23,10% moram de aluguel. Na parte de ocupação, 89,41% estão nos postos de serviços, 27,35% no comércio, 27,41%, nos serviços gerais, 9,24%, na construção civil e 10,36%, na administração pública. Os ocupados com carteira assinada tiveram a seguinte evolução: em 2004, eram 33,41%, em 2011, passaram a 50,46% e em 2013, atingiram 51,55%.
Samambaia teve ascensão social da população, apresentando um declínio de 15.143 (26,4%), em 2011, para 10.680 (17,3%), em 2013, no número de domicílios de baixa renda. Em termos de número de pessoas, caiu de 57.936 (30,4%) para 46.686 (21,1%) pessoas de baixa renda. O percentual de domicílios abaixo da linha da pobreza (renda mensal per capita entre R$ 70 e R$ 140), em 2012, era de 6,8%, onde residiam 8,4% da população de Samambaia. Em 2013, os mesmos índices apresentaram queda de 2,1% e 3,0%, respectivamente.

Recanto das Emas
De acordo com a PDAD 2013, o Recanto das Emas obteve aumento na renda domiciliar e per capita e registrou crescimento no comércio e no setor de serviços durante o último ano. A população estimada da cidade é de 133 mil habitantes. Na análise da distribuição da renda domiciliar, a pesquisa verificou que a classe econômica mais expressiva é a que apresenta ganhos de dois a cinco salários mínimos, faixa que concentra 47,48% dos moradores.
A PDAD ainda mostrou que o Recanto das Emas começa a demonstrar independência em relação às atividades comerciais. Cerca de 90% das famílias residentes na região adquirem localmente alimentos, roupas, calçados, eletrodomésticos e serviços pessoais. Metade delas procura cultura e lazer na própria região; 17% vão até Taguatinga, 11% buscam diversão em Brasília e o restante, em outras regiões administrativas.
O Recanto das Emas é uma região com população jovem: cerca de 50% dos moradores estão na faixa de 0 a 24 anos. O levantamento mostrou, ainda, que a cidade teve crescimento geométrico de 3,5% em relação a 2010, quando a população era estimada em 124 mil habitantes. Essa expansão populacional é resultado da migração interna, uma vez que cerca de 50% do total de moradores do Recanto das Emas são procedentes de Ceilândia, Samambaia e Taguatinga.
Riacho Fundo II
Considerada uma cidade nova, o Riacho Fundo II está em processo de expansão. Sua ocupação foi iniciada em 1995. De acordo com a PDAD 2013, a cidade coleciona avanços econômicos e sociais, como o incremento da renda familiar, o acesso ao ensino superior e a computadores. Segundo o levantamento, em média, cada família recebe 4 salários mínimos, percentual 21% maior que o registrado em 2004. A estimativa é que o Riacho Fundo II tenha 44 mil habitantes.
A ocupação predominante da população economicamente ativa é essencialmente voltada para o comércio e os serviços gerais, prevalecendo-se empregos com carteira de trabalho assinada. A educação foi outro destaque da cidade; o analfabetismo caiu para menos da metade, de 3,33% para 1,25%, enquanto o número de moradores com ensino superior mais que dobrou, passando de 2,3% para 5,24%. O aumento da renda e da escolaridade se somou ao maior acesso a produtos e serviços por parte dos moradores do Riacho Fundo II; atualmente, 56,1% das famílias da cidade têm carro próprio, um aumento de 116% em relação a 2004, quando os veículos estavam em 25,5% das casas.

 Fonte: Jornal da Comunidade

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui