Carta à presidente Dilma sobre combustíveis

0
10

Carta à presidenta Dilma

Em primeiro lugar gostaria de parabenizar a presidenta pela ação sábia e firme na direção dos destinos de nosso país.  Esta carta tem o objetivo de sugerir  uma maior reflexão sobre uma importante decisão para o bem do Brasil: a manutenção do preço dos combustíveis no mercado interno.

A Petrobras concedeu um aumento de 3,94% para o diesel e o de 7,83% para a gasolina em 25 de junho deste ano. Numa decisão sábia VS Excelência e sua equipe econômica decidiram zerar tributos sobre os combustíveis para evitar que o aumento chegasse às distribuidoras e aos consumidores. Em 16 de julho, o diesel foi novamente reajustado, desta vez em 6%.

A medida alcançou seu objetivo. As distribuidoras não repassaram estes aumentos aos postos de gasolina o que geraria, obviamente, um aumento indesejável ao consumidor nos preços da gasolina e do gás de cozinha.

Desde o ano passado acompanhamos o posicionamento da presidenta como a maior opositora para eventual reajuste dos preços da gasolina, porque tem consciência do que isso representará, neste momento, para a sociedade brasileira.

A presidenta da Petrobras, Graça Foster, tem defendido um novo reajuste no preço da gasolina e do diesel no mercado interno. Conhecemos suas alegações de que como a estatal compra combustível com preço mais alto do que o de revenda, a defasagem de preços é um dos fatores responsáveis pelo prejuízo de R$ 1,3 bilhão da companhia no segundo trimestre deste ano.

Entendemos a preocupação e a busca de soluções por parte do conselho de administração da empresa, mas acreditamos que um aumento do preço da gasolina para o consumidor final além de não representar a solução para o problema da Petrobras, trará um impacto bastante negativo nos resultados das eleições municipais de outubro.

Estamos atentos ao fato de que os setores da imprensa que engrossam o coro para a urgência de um aumento da gasolina neste momento são os mesmos que frequentemente atacam o PT e o nosso governo por nunca haverem se conformado com nossa vitória e o sucesso na direção deste país nos últimos anos.

O que eles não estão interessados em frisar é que um aumento da gasolina no mercado interno neste momento vai gerar uma pressão inflacionária acima dos índices projetados por nossa equipe econômica. E depois dirão : a inflação está fora do controle, o PIB esta caindo, o governo da presidenta Dilma, está perdendo o controle da situação.

Com as notícias de um reajuste de gasolina os economistas brasileiros começam a calcular o impacto sobre a inflação. Segundo cálculos do departamento econômico do Bradesco, se for zerar a defasagem atual da Petrobrás, calculada em 18%, o efeito sobre a inflação neste ano seria de 0,6%, o que faria com que a inflação fechasse em 5,8%.

Renomados consultores de economia têm afirmado que não olham com tranquilidade um aumento de combustíveis neste momento. Afirmam que a ele se somará o aumento dos alimentos e isso certamente causará um aceleramento geral da  inflação.

 

Com o tempo Isso poderia gerar movimentos e paralizações  reivindicando aumentos salariais de acordo ou acima da inflação. E este filme já vimos outras vezes e os brasileiros ainda não se esqueceram de seu roteiro.

 

Os resultados da CPI dos Combustíveis, da qual participei em Brasília como relator, em 2003, demonstraram que o combustível (óleo diesel e derivados) é o fator mais inflacionário que existe. Naquele ano ao provar a existência do cartel dos  combustíveis no DF conseguimos baixar o preço da gasolina de R$2,37  para R$ 1,99 o que fez com que houvesse deflação por três meses consecutivos.

 

Não podemos ignorar da pressão inflacionária gerada pelo aumento dos combustíveis para uma frota de caminhões responsável por 60% de toda a carga transportada no Brasil.

Rogamos à presidenta que não autorize o novo aumento de preços que está sendo discutido pelos ministérios da Fazenda e de Minas e Energia. Acreditamos que o papel de uma estatal é também o de garantir os interesses estratégicos de uma Nação, e nosso interesse agora é o de combate à inflação. Este é o imposto mais alto que existe porque atinge a sociedade como um todo.

Se a presidenta tomar esta decisão, certamente o coro de sempre vai dizer que Dilma está interferindo na estatal. E dai ? que digam ! o governo brasileiro é o acionista majoritário da Petrobras. Temos o direito de decidir !

Atenciosamente,

Deputado Chico Vigilante

 

 

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui