CHANTAGEM, VINGANÇA E JOGO POLÍTICO

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DISTRITO FEDERAL
Chantagem, vingança e jogo político

Ricardo Callado, Jornal da Comunidade

A briga de bastidores entre os grupos do governador Agnelo Queiroz (PT) e dos ex-governadores Joaquim Roriz (PSC) e José Roberto Arruda (sem partido) está levando a política brasiliense à lama. São gravações, depoimentos antigos, chantagens e retaliações que pouco contribuem com a cidade, já que muitos dos expedientes usados não traduzem fielmente a verdade.

É uma disputa arquitetada nas sombras, onde cada um usa as suas armas. O PT conta com o poder de ocupar o Palácio do Buriti para destroçar os inimigos. Rorizistas dispõem de informações privilegiadas e tentam atingir petistas e aliados de Agnelo. Já Arruda busca uma delação premiada e ameaça enlamear muita gente, mesmo que para isso crie fantasias. O importante, para eles, é que a vingança seja feita.

É preciso passar a política do DF a limpo, mas para isso se deve filtrar o que é denúncia verdadeira e o que é jogo político, vingança e chantagem. Do contrário, políticos com boa reputação e novatos com disposição de mudar o quadro que está aí podem ser confundidos com pilantras do passado e do presente.

Nesta semana, o tiroteio dos três grupos atingiu os distritais Liliane Roriz (PRTB), Celina Leão (PMN), Chico Vigilante e Chico Leite, ambos do PT. Mas, o que é verdade ou exagero em cada um dos casos?

O caso de Chico Leite é o que beira mais o absurdo. Tentando se vingar do deputado que pediu o seu impeachment na Câmara, Arruda prestou um depoimento no Ministério Público afirmando que Leite teria lhe pedido dinheiro para ser candidato ao Senado. A citação foi feita em 2010, mas só agora veio a público.

Na época, o DEM e siglas aliadas de Arruda disputavam a tapas as duas vagas para o Senado. Eram pelo menos uns oito candidatos que gozavam da confiança do ex-governador e ele iria arrumar dinheiro logo para um político que lhe fazia oposição? E, ainda mais filiado ao PT?

Arruda teria dito que Leite havia lhe pedido R$ 5 milhões, soma muito superior aos trintinha ou cinquentinha que pagava aos distritais aliados, segundo a Caixa de Pandora. É uma história pelo menos fantasiosa. O deputado não passou recibo e partiu para o ataque. Além de chamar Arruda de mentiroso contumaz, ainda irá processá-lo.

Vigilante recebeu R$ 25 mil da Engebras, empresa que tem contrato milionário com o Detran, renovado agora em fevereiro. É dificil acreditar que a renovação do contrato tenha a haver com a mísera contribuição recebida pelo petista. Das duas uma, ou Vigilante anda se vendendo por muito pouco ou se trata apenas de estratégia de defesa da sua desafeta Celina Leão para trazer Vigilante ao ringue. Já a Engebras é acusada de fazer parte da máfia dos pardais e é investigada pelo MP, denúncia feita aqui no Comunidade na semana passada. Se conseguiu um novo contrato, deve ter sido por outros meios, republicanos ou não.

Celina, que encaminhou a ação contra Vigilante, também está tendo que dar explicações aos colegas e à opinião pública. Entre outras coisas, ela é acusada de favorecimento de uma empresa de um cunhado com a Administração de Samambaia.

Na época, Celina era chefe de gabinete de Jaqueline Roriz (PMN) – essa sim muito enrolada. Foi a filha de Roriz que indicou o administrador da cidade. Se Celina conseguiu os contratos, é um caso raro de um chefe de gabinete que manda mais que o parlamentar. Outra coisa: nomeações de administradores e outros cargos no GDF, além da intermediação de contratos são práticas corriqueiras dos deputados. Se Celina for cassada por isso, seria uma tremenda hipocrisia. Mesmo assim, o Buriti age pesado contra ela usando sua influência junto aos meios de comunicação.

Liliane carrega nos ombros o peso do sobrenome da família e, por isso, os adversários de seu pai descarregam nela toda a histórica rivalidade política. Ela e a filha são acusadas de ser beneficiadas com dois apartamentos em Águas Claras, fruto de um negócio feito por Joaquim Roriz entre o BRB e uma construtora enrolada na cidade.

Liliane nega, pede provas e diz que não tem nada em seu nome. Até agora ninguém conseguiu documento algum que atinja a deputada. São mais manchetes, que provas. Já Joaquim e Jaqueline, esses sim, precisam explicar muita coisa.

Em tempo: Liliane pediu esta semana que não se faça comparações e disse que é a “ovelha negra da família”. Não sei, mas acho que isso quer dizer uma coisa boa.

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