Chico, um vigilante ou marqueteiro?

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Deputado ganha espaço na mídia e acusa colegas de defenderem cartel dos postos, por terem recebido contribuição na campanha. Agnelo também ganhou. Ele é pró-cartel?

foto: Deputado Chico Vigilanteblog Seabra

Um polêmico projeto que versa sobre venda de combustíveis em Brasília tem tomado muito tempo dos deputados distritais, ocupado um belo espaço na mídia e criando a cada dia novas expectativas no consumidor que sonha em ter gasolina e álcool mais baratos. No fundo, porém, o que se observa é que a iniciativa do deputado Chico Vigilante é uma grande jogada de marketing.

Enquanto o projeto de Chico dá marcha a ré, a imagem dele aparece nas telinhas, em jornais, revistas e blogs. Nessas ocasiões, o líder da bancada do PT na Câmara Legislativa esperneia, fazendo crer que há entre seus colegas um cartel que faz o jogo do cartel dos combustíveis.

Como petista – e homem de confiança, portanto, dos governos local e federal – ele poderia prestar um melhor serviço à sociedade se batesse nas portas da Petrobras e bradasse que a gasolina está cara e que o povo merece um produto mais barato e de melhor qualidade. Ou que fosse ao Conseho Nacional do Petróleo e exigisse uma fiscalização mais rigorosa para colocar fim ao abuso que ele mesmo admite existir.

Porém, o deputado prefere os discursos com recheio de chantagem emocional, colocando determinados segmentos da sociedade contra parte dos seus colegas com assento na Câmara Legislativa.

Chico Vigilante pode não ser o mais instruído entre os parlamentares, isso é verdade, mas ninguém tira dele a grande visão marqueteira que possui. Claro que o marketing pode ser tanto para o bem, quanto para o mal. No caso de Vigilante, é sempre para o mal.

Sem dúvida, o cidadão brasiliense está cansado de esvaziar os bolsos mensalmente graças à máfia dos combustíveis que atua no Distrito Federal. Se um posto vende a gasolina por um preço, todos vendem. Não há diferença. Quando algum posto surge com valor mais baixo que o mercado, logo quebra. É a conseqüência de nadar contra a maré.

Mas Chico Vigilante se aproveita dessa indignação e trabalha em causa própria. Apresentou um projeto de lei que autoriza o funcionamento de postos de combustíveis em supermercados. A justificativa é que, com isso, a concorrência aumentará e o preço irá cair. Falácia, grande falácia.

O parlamentar sabe que qualquer cidadão se cega quando o assunto é o próprio bolso. A ponto de se fechar contra questionamentos básicos, mas que serviriam para trazer à tona a verdadeira intenção desse senhor, o Vigilante. A primeira, e mais importante delas, é sobre a eficácia desse projeto, se realmente, quando aprovado, iria reduzir o preço do combustível no DF.

Qual a garantia que o parlamentar deu até agora para isso? Vários deputados que apoiavam a iniciativa de Chico Vigilante pediram para que o colega apresentasse um estudo para se comprovar a eficácia da medida. Ele não apresentou. Pelo contrário, omitiu-se. Foi quando a bancada buscou informações e descobriu que as cidades que autorizaram a venda de combustíveis em mercados tiveram uma redução temporária nos preços, mas logo depois tudo voltou ao que era.

Qual a chance dos novos postos que podem ser beneficiados por Vigilante não integrarem de fato o cartel que tanto incomoda os brasilienses? Zero. Não existe lei, não existe discurso, não existe contrato para isso. Basta aderir à máfia.

Com uma argumentação fraca e populista, Chico Vigilante sapateia na inteligência popular e tenta, a todo custo, travar uma briga onde os adversários não são reais. Porque no fundo, lá no fundo, ele quer que todos pensem que ele tentou, mesmo que sem sucesso, acabar com a máfia dos combustíveis. E paga qualquer preço, passa por cima de qualquer um para que seu objetivo seja alcançado.

Chico chegou mesmo a insinuar que colegas da Câmara Legislativa não aprovaram a matéria, do jeito que ele apresentou, porque são representantes do cartel. Como se os hipermercados não tivessem grande interesse em ver a lei de Vigilante aprovada. Não seria o caso de se supor que o petista pode estar a serviço das grandes multinacionais?

Chico acusa parlamentares de reprovarem a matéria por terem recebido doação na campanha de postos de combustível. Esquece-se apenas que o próprio candidato majoritário do PT, o hoje governador Agnelo Queiroz, também foi bastante agraciado com fartas quantias vindas de distribuidoras de petróleo.

E agora, Vigilante? Agnelo também defende o cartel dos combustíveis?

Fonte: Blog do José Seabra

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