CNB aprova balanço de dois anos do Governo Agnelo

    0
    12

    A tendência Construindo Um Novo Brasil aprovou durante seu 1º Encontro Regional, realizado no último sábado (8/12), no Auditório da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), o seu balanço sobre os dois anos do Governo Agnelo. As lideranças da tendência entregaram pessoalmente ao governador Agnelo o texto aprovado pelos militantes.

    As lideranças da tendência entregaram pessoalmente ao governador Agnelo o texto aprovado pelos militantes. No texto, o CNB indica

    os erros e os acertos do GDF nos últimos dois anos; cobra do governador uma mudança de atitute em relação à militância do PT; defende

    a política de alianças e o governo de coalizão; reivindica a apresentação de um proposta de reposição das perdas salariais do funcionalismo do

    GDF e manifesta o apoio da tendência à reeleição de Agnelo na disputa de 2014.

     Confira aqui o texto aprovado pelo militantes da CNB:

     Governo Agnelo: Balanço de dois anos de mandato

    Estamos a poucos meses de completar o segundo ano de gestão à frente do GDF. A vitória do PT e dos seus aliados, sob a liderança de Agnelo, nas eleições de 2010, ocorreu por uma singular conjuntura política. As últimas eleições no DF foram marcadas por dois fatos: a crise política desencadeada a partir das revelações da operação policial conhecida como Caixa de Pandora (a prisão e a renúncia de Arruda; a renúncia de Paulo Octávio e a eleição indireta de Rogério Rosso) e o veto à candidatura de Joaquim Roriz – em razão das implicações da Lei da Ficha Limpa. Esses dois fatos impactaram sobremaneira o cenário eleitoral e permitiram ao PT do DF, sob a liderança de Agnelo, desenhar e executar uma estratégia política vitoriosa.

     O PT/DF venceu as eleições com uma frente ampla de partidos. Além do campo tradicional da esquerda (PCdoB, PSB e PDT); estabeleceu uma aliança com o PMDB/DF; montando uma coalizão governamental em torno de Agnelo (governador) e de Tadeu Fillipelli (vice).

     Conquistou também o apoio nas eleições e no exercício do governo de diversos partidos, com distintas ideologias ou posicionamentos políticos (PPL, PRB, PPS, PTC, PRP, PHS, PV, PSL, PR, PP, PTdoB e PTB).

     Ao longo do exercício do mandato houve variações nessa composição partidária. PDT e PPS deixaram a base de sustentação do governo Agnelo. Um novo partido, o Partido Ecológico Nacional (PEN), incorporou-se à base. O PSB prepara o seu desligamento. O GDF discute no momento a possibilidade de ingresso na base de sustentação do PSD tal qual a presidenta Dilma discute no plano federal.

     Esse amplo leque de apoio partidário foi e continua sendo fundamental para o governo Agnelo dar certo.

     A CNB/DF defende aberta e claramente essa política de alianças. A sua amplitude e a sua consolidação. Primeiro porque permitiu ao governo Agnelo uma estabilidade institucional na Câmara Legislativa, reduzindo o alcance e a eficácia de ação dos setores de oposição, alinhando o parlamento local a uma nova agenda de projetos estratégicos para o DF. Diferente da experiência de governo petista entre 1995-1998 (Cristovam), quando a CLDF representou o principal pólo de oposição e contestação as ações do GDF, colocando-se também como caixa de ressonância das contradições entre governo e parcela do movimento sindical cutista.

     Segundo, porque Agnelo assumiu uma Brasília afundada em graves e complexos problemas administrativos, sob a ameaça de uma intervenção. As nuvens tempestuosas de uma das piores crises políticas vividas pela cidade ainda não se dissipou. A situação herdada no DF era de serviços públicos à beira do caos; uma cidade afundada em dívidas e inadimplências, com várias obras paralisadas. Resultado de uma gigantesca engrenagem institucional capturada pelo crime.

     Foi à união dessas diversas forças partidárias e políticas que permitiu um governo de esquerda, liderado por um partido que estava há 12 anos na oposição ao GDF, atravessar tantas adversidades e enfrentar tantos problemas de uma só vez.

     Portanto, a aliança construída até aqui é uma base de estabilidade política-institucional a ser preservada pelo PT e não pode ser entendida como um estorvo a ser carregada por uma mera opção tática, um simples arranjo eleitoral ou político. Mas para tanto, o PT deve discutir e aplicar com contundência, dentro desta estratégia de aliança, uma estratégia concomitante de hegemonia petista do processo de construção do Novo Caminho, desde a sociedade e também dentro do governo. Aberrações no âmbito da relação do PT e seus filiados com outros partidos na estrutura do GDF, com companheiros sofrendo com assédio moral e perseguição política, bem como na relação setoriais-governo e movimento social-governo, devem ser superadas.

     No seu primeiro ano o governo viveu um contexto de emergência, tendo de executar um conjunto de medidas administrativas necessárias para conter o aprofundamento do caos administrativo. Esse contexto capturou quase por completo o trabalho inicial do governo. O primeiro ano de gestão pode ser caracterizado como aquele necessário para “arrumar a casa” e colocar Brasília em ordem.

     Em paralelo a esse contexto mais turbulento e crítico da gestão governamental, Agnelo sofreu intensos ataques políticos. Com menos de um ano à frente do GDF, o governador sofreu severo bombardeio dos grandes veículos de comunicação que se especializaram em criminalizar o partido e os seus governantes.

     O governador passou por uma devassa das suas gestões à frente do Ministério dos Esportes; da Anvisa; das suas relações políticas, pessoais e eleitorais com o PM João Dias; e foi cobrado até pela compra de um imóvel residencial.

     A grande mídia não poupou o GDF por um suposto envolvimento com integrantes da quadrilha de Carlos Cachoeira, imputando ao governo local negócios com a Delta Construtora e demais empresas desbaratadas pela Operação Monte Carlo. Os adversários políticos, sem aguardar qualquer investigação, conclusão ou fundamentação legal, ingressaram com 5 (cinco) pedidos de impeachments do governador na CLDF, um deles liderado pelo então senador do DEM, Demóstenes Torres, posteriormente cassado pelo Senado Federal.

     Esse pesado clima de ataque político só foi contornado pelo apoio irrestrito do PT/DF – e também do PT em nível nacional – ao governador e também pelo corajoso depoimento prestado por Agnelo, perante à CPI em curso no Congresso Nacional; no qual ele desmontou as várias acusações contra a sua pessoa e procurou elucidar o caráter infundado e inverídico das denúncias.

     Agnelo abriu mão do seu sigilo bancário; suas informações financeiras foram colocadas à disposição da CPI e os mais variados parlamentares da oposição obtiveram acesso aos seus dados de comunicação pessoal e vida bancária; uma atitude ímpar entre aqueles que compareceram à Comissão, sendo que as investigações do Congresso Nacional não indicam qualquer irregularidade na vida pública do governador.

     A nova agenda no DF

     Foi sob esse bombardeio político e tendo que contornar um caos administrativo que o Governo Agnelo preparou as bases para colocar em execução uma nova agenda na cidade.

     Há 52 anos, Brasília virou a síntese dos esforços de milhares de brasileiros e de brasileiras. Território das oportunidades; de uma melhor educação; de melhores empregos e de bem estar coletivo. Brasília cresce! Os seus desafios representam os dilemas de qualquer grande metrópole: mais qualidade de vida; maior planejamento urbano; mais segurança às pessoas e ao patrimônio dos cidadãos; educação de qualidade para crianças e jovens; cuidado redobrado com o meio ambiente; uma saúde pública digna e atenciosa aos doentes sob a guarda da rede pública de atendimento, transporte e mobilidade das pessoas.

     Os dilemas de Brasília ocupam de forma efetiva a nova agenda do governo Agnelo. O GDF trabalha todos os dias para assegurar novas conquistas e muitas melhorias para a vida de cada um dos brasilienses.

     Saúde

    A saúde pública é um exemplo. O Sistema Único de Saúde (SUS) recebeu aqui, no governo do PT, a atenção merecida e muitas vezes negada por antigos governantes. A rede de atendimento cresceu com a construção e o funcionamento de 4 UPAs; a inauguração do Hospital da Criança (50 mil atendimentos); e a ampliação de mais de 200 novos leitos de UTI nos hospitais públicos. A população reconhece as ações de reformas/reconstrução das instalações prediais dos hospitais e dos centros de saúde; de nomeação 7,5 mil novos servidores concursados para reforçar o atendimento; a regularidade no abastecimento dos insumos da rede hospitalar; os mutirões de cirurgias; o caminhão da saúde da mulher; as Clínicas da Família em Samambaia e Sobradinho; e o funcionamento da nova unidade de farmácia de alto custo; na Ceilândia. Todas essas realizações, dentre outras, compõem um painel expressivo de mudanças e investimentos ocorridos na área.

     Elas preparam o caminho para as novas realizações que virão como a abertura e o funcionamento de mais 10 UPAS; a expansão da cobertura de atendimento pela rede de atenção básica do Programa Saúde da Família e a informatização completa da rede pública.

     Transporte e Mobilidade

    No transporte coletivo as ações do GDF têm por objetivo resgatar um serviço digno para quem utiliza os ônibus e depende do transporte público. O governador Agnelo foi o único governante que teve a coragem e a determinação de realizar o que a cidade aguarda há muitos anos: uma licitação pública para renovar contratos com operadoras e exigir um nova frota de ônibus de mais de 3 mil veículos. Organizou o DF em 5 bacias territoriais, o que permitirá a racionalização e a integração das linhas e dos itinerários. A licitação deve atrair empresas que cumpram com todas as obrigações de prestar um serviço digno, com ônibus limpos, refrigerados, novos e que não deixem os trabalhadores da cidade à espera nas paradas ou nas vias públicas. Finalmente o setor terá uma regulamentação contratual atualizada e plenamente legal.

     A licitação dos serviços de ônibus é uma grande mudança, mas não é a única no setor de transporte. O GDF regularizou o direito ao uso do passe livre dos estudantes; acabou com as filas humilhantes; retomou o controle público da Fácil; estabeleceu o uso de faixas exclusivas para ônibus em diversas vias; estão em reformas ou construção diversos terminais de passageiros e abrigos/paradas de ônibus; modernizou escadas rolantes e elevadores da Rodoviária do Plano Piloto; as obras do Expresso DF (que ligam Santa Maria-Gama ao Plano Piloto) estão em plena execução. Uma extensa rede de ciclovias está sendo implantada no DF, que vai pouco a pouco encorpando o transporte de bicicleta para percursos de curta e média distancias. Junto com a presidenta Dilma foi celebrado o PAC da Mobilidade, com investimentos de mais de R$ 2 bilhões de reais para obras de expansão do Metrô (2 novos ramais Samambaia/Ceilandia; nova estação na Asa Norte); Túnel Rodoviário de Taguatinga e BRT ligando Ceilândia/Taguatinga ao Plano Piloto. O GDF também licita o projeto para a execução da obra o BRT Planaltina-Sobradinho à região central de Brasília.

     Obras paralisadas, que provocavam inúmeros congestionamentos e retenção de tráfego foram retomadas e finalizadas: rodovia entre Recanto das Emas-Samambaia e Setor P Sul/Ceilândia; viaduto de acesso ao Núcleo Bandeirante; duplicação da DF 150 na região da Fercal e dos Condomínios de Sobradinho. Recuperação de toda a pavimentação das avenidas W3 Norte e Sul; os eixinhos e a construção dos acessos das agulhinhas ao Eixão; bem como um vasto programa de construção de ciclovias em diversas cidades do DF. Além disso, uma expressiva intervenção viária será realizada no balão de acesso ao aeroporto internacional de Brasília.

     Habitação

    Na habitação uma nova política pública ficou de pé. Viramos a página da farra dos lotes; das invasões; do desrespeito à lista dos inscritos nos programas; e da grilagem das terras públicas. Agora a cidade não tolera invasão. Brasília dispõe de um cadastro limpo, criteriosamente montado e que será rigorosamente seguido pelo GDF. Foi contratada a construção de mais de 30 mil unidades habitacionais. A meta é contratar 100 mil em 4 anos de mandato! A edificação de residências no Riacho Fundo, denominada etapa 4, já é uma realidade. Houve também a entrega de moradias nos Jardins Mangueiral de forma correta e sem fraudes. A regularização do Sol Nascente; a escrituração dos lotes e a legalização da Estrutural já estão em cartório para registro; o mutirão das escrituras; as obras no Por do Sol e de tantas outras localidades avançam de forma concreta e os moradores finalmente poderão ter em mãos a sonhada escritura das suas propriedades.

     As marcas do governo: falta uma cara para o governo Agnelo

    Embora o governo Agnelo tenha um bom legado de realizações em diversas áreas de atuação do estado, o resultado geral do GDF se apresenta de forma muita fragmentada e ilhada. Não há um pólo que unifique o governo, o seu discurso e as suas realizações. Uma narrativa clara e coesa sobre os problemas e quais foram os resultados alcançados pelo GDF até o momento. O GDF não tem um discurso que aqueça as convicções da nossa militância e a mobilize na sua defesa.

     Persiste no imaginário popular as imagens dos estilos de Arruda e de Roriz governar nossa cidade. O governo Arruda, a despeito da crise política e da associação à corrupção, acumulou uma imagem de realizações. A população reconheceu alguns esforços no sentido de organizar a cidade. Condenado por muitos moradores do DF no início, o governo Arruda foi se afirmando com ações de regularização e fiscalização. Antes da crise política, a postura do então governador Arruda em levar a cabo medidas polêmicas, mesmo impopulares, foi destacada e elogiada como mérito de um estilo de governar. Arruda não era um governante amado, mas recebeu por vários meses à frente do GDF admiração e respeito por um bom legado administrativo, calçado na figura imaginária – que sempre trás bons frutos eleitorais – do “tocador de obras”.

     por outro lado, o modo de governar representado por Roriz detinha outra imagem: a de ser um gestor público mais próximo ao povo e preocupado com os humildes. Em contraste a Arruda, o ex-governador Roriz acumulou uma imagem de governante que fez boas ações para as pessoas carentes e não organizados, no entanto, não mediu as conseqüências dos seus programas para toda a sociedade e acabou com isso causando muitos problemas: invasões, farra dos lotes, degradação ambiental, grilagem, precária infra-estrutura urbana, combate ferrenho ao movimento social autêntico, principalmente os sindicatos etc.

     As realizações plantadas pelo governador Agnelo até o momento não lhe permitiram agir de forma mais incisiva, segura e tranqüila na defesa da sua própria gestão. Portanto, o governador precisa superar essas limitações. Unificar o discurso do governo (muitas vezes parece estarmos diante de vários governos dentro de um…); coordenar de forma mais adequada à gestão das áreas e dos órgãos; enquadrar com liderança e autoridade a agenda dos compromissos da campanha 2010 (melhores serviços de saúde; empresas de ônibus enquadradas e prestadoras de serviços eficientes e de qualidade; maior oferta de serviços públicos de creches; regularização territorial e fundiária das cidades e dos condomínios; rede de ensino técnico e profissionalizante em todo o DF; retomada da obras; expansão das oportunidades de geração de renda através da economia solidária e do microcrédito).

     É essa atitude de liderança e autoridade que precisa preencher esse vácuo na imagem do seu estilo de governar. A população do DF acompanha de forma criteriosa e sistemática as posturas do governante. Tem manifestado cada vez mais intolerância e impaciência contra decisões governamentais sem critérios técnicos ou justificados; decididas apenas por um jogo de troca-troca de poder; de proteção à rede de relacionamento pessoal; limitada ao mero interesse político e partidário. A ocupação dos espaços públicos; das funções de estado e das responsabilidades administrativas devem combinar o alinhamento partidário de uma coalizão governamental, mas não pode desconhecer o necessário preparo e um mínimo conhecimento de gestão pública; a experiência administrativa e a expertise na área ou setor; com cobrança de resultados e a fiscalização da ética pública.

     A CNB/DF avalia ser esse um problema grave, dentre tantos outros, que ameaçam o governo Agnelo e a possibilidade de renovação para outro mandato.

     Os recados da militância petista para o governador Agnelo:

    Respeitem a militância petista!

    A militância petista não se preocupa apenas com a falta de uma cara militante ao governo Agnelo. Ela também percebe a redução dos espaços democráticos de interlocução e de formulação das políticas públicas. As áreas do governo, a despeito das suas boas realizações até o momento, não incorporaram uma qualidade marcadamente petista no modo de governar: a parceria com a sociedade civil; o envolvimento com as organizações sociais e populares; a construção de fóruns públicos de consensos e a interface entre estado e sociedade organizada.

     Muitas secretarias; muitas autoridades públicas ou dirigentes de órgãos comportam-se como se fossem “donos” exclusivos das ações do GDF; insensíveis à pressão popular e do cidadão; voltados exclusivamente para o atendimento dos interesses mediados por parlamentares, empresários, grupos de apoio eleitoral, etc. Não há agenda, atenção e debate com a militância organizada! Essa atitude fechada e autoritária revolta setores do PT e os afasta do GDF. É necessário um reencontro do governo com a militância. É preciso de forma urgente pôr fim ao isolamento imposto por órgãos e de áreas do GDF contra o PT. Sabemos que nosso governo é composto de forma multipartidária, mas não aceitamos que a nossa militância seja ignorada e até perseguida por elementos que integram hoje o GDF por conta da coalizão de governo.

     Por outro lado, é necessário estimular a intervenção partidária junto à população de Brasília. O PT é um partido de massas com características próprias, sem igual no mundo. O Partido é um instrumento de organização e intervenção da sociedade civil, especialmente trabalhadores e outros setores da população espoliados e marginalizados pelo capital. Temos que ter um protagonismo maior na atuação dos movimentos sociais e nos movimentos territoriais, nas cidades. É totalmente injustificável o Partido se enredar em problemas de falta de estrutura, de falta de profissionalização de dirigentes das instancias partidárias (inclusive zonais e setoriais), quando estamos no Governo!!! É preciso uma atuação proativa do CNB-DF para unir o partido e reverter essa situação.

     Movimentos Sociais: Uma proposta já para o funcionalismo público!

    Outro aspecto importante a tratar no balanço do governo Agnelo é o tratamento dispensado a luta geral dos trabalhadores. O governo Agnelo manteve aberto o diálogo com as organizações dos trabalhadores. No entanto, o avanço no atendimento das pautas reivindicatórias é considerado insuficiente. As mobilizações, paralisações e greves marcaram muitas categorias profissionais ao longo desses dois últimos anos. Importantes segmentos do funcionalismo público estão insatisfeitos com o governo.

     O funcionalismo público é acusado freqüentemente por ser o maior responsável pela o aumento dos gastos públicos. Uma poderosa corrente de opinião econômica, com enorme repercussão nos meios de comunicação não cansa de reclamar contra os aumentos na folha salarial dos servidores e também contra o número cada vez maior de trabalhadores para os serviços públicos.

     Brasília é uma cidade com grande participação de servidores públicos no seu mercado de trabalho. A receita neoliberal, aplicada à risca na capital do país, produz como resultados conseqüências danosas. Os servidores públicos representam para a cidade a locomotiva do consumo, fundamental para o bom desempenho do comércio; do setor de serviços e também pela demanda das unidades habitacionais ofertadas pela atividade da construção civil e no mercado imobiliário. A renda do funcionalismo público local é um ativo precioso para economia da cidade.

     Por isso, Brasília deve e precisa conviver com governos capazes de enxergar essa peculiaridade da estrutura econômica e social da cidade.

    O governo Agnelo executou uma agenda diferente do receituário neoliberal. Ao longo de 2011 e 2012 cumpriu com todos os acordos salariais estabelecidos antes da sua posse, mas com efeitos financeiros durante o exercício do seu mandato. Também nomeou pessoas aprovadas em concursos públicos e abriu novos certames de seleção de servidores. Aprovou o Regime Jurídico Único dos servidores locais.

     O governo Dilma, ao longo de 2012, enfrentou grandes greves do funcionalismo federal. Adotou uma postura inflexível de reajuste zero, o que fez com que a maioria do funcionalismo público federal decretasse greve. A mobilização dos servidores, liderada pela CUT, mudou a agenda inicial. Houve a flexibilização das amarras econômicas e legais para construir uma proposta de reposição das perdas salariais e de recomposição do poder de compra dos salários Contudo, a relação com as representações classistas permanecem tensas, o que impede um maior avanço no processamento das pautas de reivindicações.

     No GDF, o quadro não pode ser diferente. Ao longo desses dois anos, o governo local atualizou monetariamente as suas tarifas públicas e impostos como o IPTU, o IPVA, a CIP (Iluminação Pública) e a taxa de lixo. Além das correções das tarifas das concessionárias públicas na área de energia elétrica e de água e esgoto (CEB e Caesb). A inflação dos últimos anos esteve na casa dos 5,5% anuais. Por isso, não se pode decretar um congelamento dos salários dos trabalhadores do setor público local por 4 anos! Essa postura do GDF pode gerar um passivo com os trabalhadores e uma grande bandeira eleitoral para a oposição, assim como ocorreu ao longo do Governo Cristovam na discussão sobre a reposição dos 28%.

     O governo Agnelo precisa construir uma proposta salarial para o conjunto dos servidores públicos, que recomponha as perdas e vigore a partir de 2013. Essa é a diretriz que deve presidir o debate das finanças públicas locais, a elaboração do orçamento e as discussões na mesa de negociação entre o GDF e os trabalhadores.

     O partido, e os movimentos sociais em que petistas intervém, livres das amarras da atuação no governo, devem propor saídas que transcendam a mera gestão. Devemos propor a relativização dos limites da LRF, que cheira a mofo neoliberal, para tirar do cálculo do famigerado “limite prudencial” a folha de pagamento de áreas prioritárias, como saúde, educação e juventude, por exemplo.

     Ainda em relação à crise com a greve dos professores, mas também em relação ao flerte com as terceirizações e OSS na saúde, e em relação ao rebaixamento de status da Secretaria de Juventude à Coordenadoria, temos que repensar a relação com os partidos aliados, segundo a qual cada liderança deve ter sua estrutura com cargos comissionados à disposição, o que contribui muito para a elevação dos gastos com custeio ao limite prudencial.

     Os caminhos para 2014

     Nosso balanço do governo Agnelo procura encontrar as principais diretrizes para superar os impasses que travam a nossa gestão e também possa construir as nossas fortalezas para o próximo pleito eleitoral.

     É um balanço que valoriza os aspectos positivos da nova agenda pública em construção na cidade; defende a aliança política e partidária construída até o momento e almeja a superação dos erros e das fragilidades aqui elencadas, sem prejuízo de outras visões no interior do partido.

     Estamos a um mês do início de 2013. Ao virar o ano, os próximos dez meses encerram o prazo legal para as transferências de domicilio eleitoral e as trocas partidárias, consolidando o quadro político. Ao final do primeiro quadrimestre de 2014, inicia-se propriamente o período eleitoral, em razão dos prazos de desincompatibilização dos cargos públicos e das ações de pré-convenções dos partidos. Portanto, temos 17 (dezessete) meses de trabalho até o começo de um novo período eleitoral. Em paralelo a essa contagem, teremos o processo de eleição direta para a renovação das direções regional e das zonais do PT no DF. Portanto, é oportuno e necessário começar a discutir nossas opções e cenários para 2014.

     É preciso reunir o partido nos fóruns coletivos de debates. Provocar as instâncias partidárias para a realização do balanço de governo e o debate dos cenários eleitorais. Iniciar um trabalho de coleta de informações sobre os possíveis pré-candidatos (as) do PT/DF aos cargos de deputado federal e distrital; à disputa do senado federal. Ampliar a discussão no sentido de permitir uma ampla pluralidade no diagnóstico dos erros e dos acertos do governo; e também traçar um unitário conjunto de ações com vistas a fortalecer o PT.

     O CNB/DF defende a renovação do mandato do governador Agnelo. Defende a atual política de alianças. Sustenta a necessidade de um governo de coalizão. Requer a correção das falhas e das limitações já apontadas no nosso balanço de governo, mas não vamos titubear na defesa da manutenção desse projeto político e partidário.

     A reeleição de Agnelo terá de enfrentar grandes obstáculos. Dentre elas, a força do espólio eleitoral de Roriz; e/ou uma eventual divisão no campo tradicional da esquerda no DF. Pólos políticos adversários ao projeto do PT/DF como os rorizistas; o PSDB-DEM-PPS; o PSOL; e as eventuais divisões no interior da nossa aliança, provavelmente lideradas por PDT-PSB constituem a projeção de um cenário de disputa duro e sem favoritos de véspera.

     Esses obstáculos exigirão grande unidade do PT. Sob a liderança do governador estamos contornando sérios e históricos problemas que afligem o DF. Essa união é à base do nosso compromisso!

     É lamentável assistir partidos aliados, parceiros históricos do PT/DF na luta contra Roriz e contra Arruda, defenderem abrir uma divergência no campo progressista. Por ambições pessoais; por cálculo eleitoral; por análise circunstancial do humor da população em relação ao desempenho do governo nas pesquisas de opinião; quererem isolar o PT; agredir a pessoa do governador e fragilizar suas decisões administrativas.

    O PT não quer isolar nenhum aliado do seu campo político no DF, nem aliados novos e nem aliados antigos; mas também não aceitaremos ser isolados!

     As dificuldades de Brasília, seus problemas na área de saúde, educação, transporte e segurança; é responsabilidade coletiva das várias competências públicas recrutadas no diferentes partidos da base e que hoje comandam secretarias de estado e órgãos públicos.

     Há uma agenda de trabalho em execução. Portanto, é açodado, é covarde cobrar da pessoa do governador por resultados de uma gestão que nem chegou a metade do seu mandato. É claro que se pode criticar, abrir divergência sobre uma ou outra medida de gestão, mas não é esse o comportamento mantido por alguns dos nossos aliados. O que temos assistido são provocações sucessivas com o claro objetivo de forçar um rompimento político, o que é algo lamentável.

     Nossa responsabilidade é com Brasília, com o povo humilde e trabalhador, com a ética e a moralidade pública. Nossa cidade necessita continuar com tranqüilidade e segurança a trilhar o novo caminho. Não será com açodamentos ou covardias que vamos superar os grandes problemas do DF. 

    DEIXE UMA RESPOSTA

    Por favor digite seu comentário!
    Por favor, digite seu nome aqui