Com temor de traição, Buriti tem pressa na definição das comissões

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Câmara Legislativa precisa definir os componentes de dez colegiados permanentes. Foto: Myke Sena

Millena Lopes
millena.lopes@jornaldebrasilia.com.br

A pressão vinda do Palácio do Buriti fez com que os deputados do “blocão da base” reivindicasse, ontem, que seja colocada em pauta a votação para escolha dos presidentes das comissões permanentes da Câmara Legislativa. Enquanto o Executivo teme traições no grupo, o presidente Joe Valle (PDT) insiste em criar acordo e, quem sabe, consenso. A votação pode ser que fique só para depois do Carnaval, é o que estima integrantes outros deputados.

O principal ponto de divergência entre os poderes ainda é a indicação do deputado Agaciel Maia (PR) para comandar a Comissão de Orçamento e Finanças. O governador Rodrigo Rollemberg tem dito a aliados próximos que tem uma dívida com o deputado do PR, que não teria conseguido superar a derrota na eleição para presidir a Mesa Diretora, no fim do ano passado.

 

“JÁ CHEGAMOS AO LIMITE DESSAS POSSIBILIDADES DE COMPOSIÇÃO. AGORA, A GENTE TEM QUE VOTAR”, ISRAEL BATISTA (PV), DEPUTADO DISTRITAL

 

Líder do “blocão da base” que se chama mesmo é União por Brasília, o deputado Israel Batista (PV) nega pressão de Rollemberg e diz que quer mesmo é acabar com o que chamou de paralisia da Casa. “Já chegamos ao limite dessas possibilidades de composição. Agora, a gente tem que respeitar a proporcionalidade, publicar os blocos e convocar as eleições no prazo regulamentar”, cobrou, lembrando que assim que as indicações dos blocos forem publicadas, a Casa tem prazo de até cinco dias para votar.

Saiba mais

  • O “blocão da base” apresentou as indicações para as dez comissões da Casa.
  • Apoiam Reginaldo Veras (PDT) para a Comissão de Constituição e Justiça e indicam Agaciel para a Comissão de Orçamento e Finanças.
  • Bispo Renato é o nome do bloco para a Comissão de Desenvolvimento; e Telma Rufino para a de Assuntos Fundiários.
  • Para a Comissão de Educação, Wasny de Roure; Chico Vigilante para a de Defesa do Consumidor; Ricardo Vale para a de Direitos Humanos.
  • Luzia de Paula é indicada para presidir a Comissão de Assuntos Sociais; Lira a de Segurança; e Delmasso para a de Fiscalização e Controle.

A demora na definição das composições das comissões, disse Israel, pode comprometer o trabalho de secretarias de Estado. “Já tem créditos pra serem votados”, menciona. Já foram protocolados, segundo ele, dois ofícios pedindo que as indicações sejam publicadas. “Já se passou muito tempo”, cita.

Quem define é o presidente

Líder do bloco que reúne os deputados do PDT e da Rede, Cláudio Abrantes (Rede) argumenta que quem vai determinar o tempo é o presidente da Casa.

Joe Valle, por sua vez, em resposta aos pronunciamentos dos deputados em Plenário, disse que a lista com a proporcionalidade dos blocos deve ser publicada na próxima semana e que vai obedecer o prazo regimental de que a eleição ocorrerá cinco dias após a publicação no Diário da Câmara Legislativa e que vem depois mais cinco dias para a realização da eleição. Ou seja, só depois do Carnaval.

Presidências para todos os petistas

Os três deputados petistas também compõem o “blocão da base”. Ricardo Vale (PT), Wasny de Roure (PT) e Chico Vigilante (PT) também têm presidências de comissões chanceladas pelo Palácio do Buriti.

Tanto Vale quanto Vigilante ocuparam a tribuna para pedir agilidade na publicação dos blocos e na escolha dos membros das comissões em plenário. “Vou sugerir ao nosso bloco que não se vote nada na Casa enquanto não sejam votadas as comissões”, afirma Ricardo Vale. “Devemos essas resposta à população”, completa ele, que é líder do partido na Casa.

“Estamos debatendo a composição das comissões desde o fim do mês de janeiro. Após muitas articulações, formamos um bloco pluripartidário, composto por 13 distritais”, cita.

Além dos três petistas, de Israel e de Agaciel, fazem parte do bloco União por Brasília os distritais Rodrigo Delmasso (Podemos), Juarezão (PSB), Luzia de Paula (PSB), Agaciel Maia (PR), Bispo Renato Andrade (PR), Telma Rufino (Pros), Sandra Faraj (SD), Lira (PHS) e Julio Cesar (PRB). Com exceção de Sandra Faraj, todos os demais votaram em Agaciel para a presidência.

 

 

Fonte: Jornal de Brasília