Como anda meu ônibus: documentário relata experiência de auditoria cívica

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Brasília, (DF), 05/10/2017 - Fachada do Prédio do MPDFT. Foto: Ricardo Botelho / Especial para o Metrópoles

O projeto reuniu cerca de 3 mil respostas obtidas em terminais rodoviários, dentro dos coletivos, nos pontos de ônibus, em eventos e na internet. A auditoria cívica foi lançada em agosto de 2019, com foco na melhoria da qualidade dos serviços

O projeto “Como anda meu ônibus” lançou um documentário sobre a iniciativa, com registros do trabalho realizado durante um ano. Foram ouvidos usuários do transporte coletivo rodoviário para conhecer as dificuldades e necessidades daqueles que usam o sistema diariamente. No vídeo, integrantes do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), do Instituto de Fiscalização e Controle (IFC) e voluntários falam sobre suas experiências e expectativas.

A promotora de Justiça Lenna Daher lembra que o projeto era um desejo antigo. “Na Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social, sempre quisemos trabalhar com controle social, incentivando a população a fiscalizar os serviços públicos. O projeto tornou esse desejo realidade”.

Marjorie Lynn, do IFC, foi a primeira coordenadora executiva do “Como anda meu ônibus”. Para ela, ouvir a população é fundamental. “Eu aceitei o desafio porque acredito no método. A auditoria cívica é um dos caminhos mais promissores para melhorar a qualidade das políticas públicas no Brasil”, afirmou.

Resultados

Após um ano de trabalho, o relatório final do projeto apontou os principais problemas identificados pelos usuários do transporte coletivo rodoviário no Distrito Federal. O documento foi enviado ao GDF com propostas para a melhoria do sistema. Mais de 2.960 participantes avaliaram o transporte coletivo rodoviário e fizeram sugestões para sua melhoria.

Entre as principais intervenções recomendadas com base na percepção de passageiros e rodoviários estão: atualização constante das informações da plataforma DF no Ponto (linhas, horários, localização por GPS); apresentação de estudo sobre a necessidade do aumento da frota; priorização das políticas de transporte coletivo; incentivo à mobilidade ativa; revisão e atualização do Plano Diretor de Transporte Urbano.

As respostas obtidas demonstram uma percepção majoritariamente negativa sobre a maior parte dos aspectos avaliados. Das 22 questões sobre satisfação do usuário, mais da metade teve resultado negativo. O item mais crítico em todo o período de auditoria foi a lotação dos veículos. A maioria (66,76%) avaliou esse quesito como “péssimo”. As cidades com as maiores porcentagens de respostas negativas quanto à lotação foram Samambaia, Ceilândia, Sobradinho I e II e Recanto das Emas.

O preço da passagem é o segundo item com pior avaliação: “ruim” e “péssimo” somam 74% das respostas. Quando a análise se concentra nos respondentes que recebem até um salário mínimo, esse valor sobe para 79,12%.

Perto da metade dos respondentes (45%) leva de uma a duas horas para chegar a seu destino e a maioria (51,66%) afirmou esperar de 30 minutos a uma hora pelo ônibus. A maior parte avaliou o tempo de espera na parada como ruim (29,29%) ou péssimo (39,9%). A conservação dos veículos também é um problema: 54% dos respondentes afirmaram ter presenciado alguma falha mecânica pelo menos uma vez nos 60 dias anteriores ao preenchimento do questionário.

Outra preocupação dos passageiros é a segurança. “Péssimo” foi a resposta mais frequente nas questões sobre segurança no trajeto até a parada (37,57%) e dentro dos veículos (29,8%). No item sobre segurança contra assédio sexual e moral nos ônibus, a avaliação que mais recebeu respostas foi “regular” (30%). O único item com avaliação positiva nesse tema foi a sensação de segurança quanto à forma de dirigir dos motoristas: a maioria respondeu “regular” (39,46%) e “bom” (28,95%).

 

Fonte: MPDFT

 

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