COMPLÔ PARA CONSTRANGER DELATOR

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Mensalão do DEM

Durval Barbosa não vai mais a Conselho de Ética

Em carta enviada à Câmara dos Deputados, seus advogados alegam que um grupo de parlamentares estaria planejando hostilizá-lo

Adriana Caitano

Durval Barbosa, delator do esquema de corrupção conhecido como mensalão do DEM, que derrubou o então governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, desistiu de prestar depoimento no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados. A oitiva estava marcada para a próxima quarta-feira, mas às 18h30 desta quinta Barbosa enviou uma carta se recusando a falar com os parlamentares.

Esta seria a primeira aparição pública do delator desde que esteve na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o escândalo na Câmara Legislativa do Distrito Federal, em março de 2010. No Congresso Nacional, Durval Barbosa falaria somente sobre o envolvimento da deputada federal Jaqueline Roriz (PSC-DF) no esquema.

Inicialmente, o depoimento seria na Polícia Federal, mas, por insistência dos integrantes do Conselho, o delator se convenceu de que estaria seguro na Câmara. “Eu tinha dado todas as garantias de segurança, sentei com os advogados duas ou três vezes para conversar, prometi que a sala não ficaria superlotada, haveria detectores de metal e todas as perguntas seriam direcionadas para mim primeiro, que autorizaria a resposta ou não”, comenta o presidente do Conselho de Ética, deputado federal José Carlos Araújo (PDT-BA).

No meio da tarde de quinta-feira, porém, a advogada do delator, Margareth Maria de Almeida, ligou para o presidente oferecendo um depoimento somente pelo telefone. Como Araújo não aceitou, a advogada prometeu convencer Barbosa e retornar a ligação. A resposta veio na carta.

No documento, a equipe de defesa de Durval Barbosa argumenta que estaria sendo articulado um complô para constrangê-lo, intitulado colaborador. “Informes indicam haver uma movimentação de parlamentares desta casa, inclusive aqueles citados nos depoimentos junto à Procuradoria-Geral da República e ao Departamento de Polícia Federal que, direta ou indiretamente insatisfeitos com as investigações desencadeadas pela Operação Caixa de Pandora, estariam se mobilizando para, de alguma forma, constranger o colaborador, visando de forma oblíqua a atingir o seio das diligências ainda em curso. Essas notícias seriam um projeto de hostilidade durante o transcorrer da diligência”, diz a carta.

Mudança – O presidente do Conselho de Ética se disse chocado e estarrecido com a desistência de Barbosa. “O que está me intrigando é que ele, a princípio, concordou abertamente em ir à PF e poderia agora aceitar o depoimento pelo menos lá, mas descartou por inteiro qualquer possibilidade de conversa e disse não ter nada a acrescentar sobre o caso”, incomoda-se.

José Carlos Araújo ainda levanta outra questão curiosa revelada na carta do delator: quem seriam esses parlamentares da casa citados nos depoimentos de Barbosa à PF e ao Ministério Público? Até o momento, além de Jaqueline, não há outros deputados federais com mandato listados como envolvidos no esquema de corrupção. Como somente integrantes da Câmara poderiam fazer perguntas, quem estaria providenciando o constrangimento do homem que implodiu um governo inteiro com suas denúncias?

Essa não seria a primeira vez que Durval Barbosa estaria dizendo, nas entrelinhas, que ainda há muita coisa a ser descoberta sobre o caso e que outras figuras públicas poderão ser alçadas à fama de mensaleiros. Quando esteve na CPI da Câmara Legislativa, ele permaneceu boa parte do tempo calado, mas aproveitou para deixar um recado: “Se preparem, o rolo compressor nem começou. Quem tiver culpa e quiser dizer alguma coisa…”.

Fonte: Veja

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