Composição das comissões em aberto na Câmara Legislativa

0
12

Eleição está prevista para as 15h de hoje, mas distritais ainda não chegaram a um consenso de como os colegiados serão formados. As projeções, porém, é que os mais tradicionais ficarão com o bloco apoiado pelo governador

Por ANA VIRIATO-Correio Braziliense –

 

As tradicionais costuras políticas dos deputados distritais nos bastidores dos pleitos da Câmara Legislativa deixarão as definições da composição das comissões permanentes da Casa para os minutos prévios às indicações oficiais dos blocos parlamentares e às votações para a presidência dos colegiados — a eleição está prevista para as 15h de hoje. Segundo as projeções, entretanto, a linha de frente das comissões tradicionais do Legislativo local deve ficar nas mãos do bloco União por Brasília, apoiado pelo governador Rodrigo Rollemberg (PSB).

 

Apesar do compromisso firmado entre os 13 integrantes do referido grupo e o chefe do Palácio do Buriti, nos corredores da Casa, outras hipóteses são consideradas. Uma delas é a de Sandra Faraj (SD) romper o acordo e integrar um novo “blocão”, que seria formado pelos parlamentares da oposição, liderados por Celina Leão (PPS), e do bloco Sustentabilidade e Trabalho (PDT e Rede), assim como na eleição da Mesa Diretora. O placar de 12 x 12 causaria uma reviravolta nas estimativas governistas.

 

Em contrapartida, se o discurso dos distritais permanecer coeso, o União por Brasília colocará a Comissão de Economia, Orçamento e Finanças (Ceof) sob o comando de Agaciel Maia (PR) e o colegiado de Assuntos Fundiários (CAF) ficará nas mãos de Telma Rufino (Pros). Além disso, em razão de um acordo firmado com o bloco Sustentabilidade e Trabalho, Reginaldo Veras (PDT) presidiria a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e Wasny de Roure (PT) seria o líder do segmento de Educação, Saúde e Cultura (Cesc).

 

Embate

Ao Correio, logo após a tumultuada eleição da cúpula da Casa, em dezembro de 2016, os distritais destacaram a importância da equidade no momento de composição das comissões. Dois meses depois, o racha visto à época na Câmara pode voltar a acontecer. A investida de Rodrigo Rollemberg (PSB) nas negociações é um dos pontos que causam desconforto no Legislativo local.

 

O vice-presidente da Mesa Diretora e oposicionista do governador, Wellington Luiz (PMDB), por exemplo, alegou que a interferência do chefe do Executivo local afetará a relação entre os poderes. “É uma decisão que deveríamos tomar internamente. Se ele não tivesse investido de forma tão nociva, teríamos chegado a um acordo. Agora, ainda que o governador vença nas principais comissões, sairá derrotado. Novamente, ele erra e cria um isolamento”, criticou o peemedebista.

 

Outro fator propulsor do mal-estar é a indefinição das alianças. A quantidade de deputados que cada grupo poderá emplacar por colegiado ainda não é conhecida, porque alguns distritais não se distribuíram entre os blocos. Eles realizaram, ontem à tarde, uma reunião para tentar estabelecer o consenso nas indicações — os diálogos perduram porque a escolha dos líderes é realizada em votações distintas de cada comissão. Durante o encontro, inclusive, parlamentares sugeriram que se adiasse o pleito para quarta-feira.

 

A alternativa não foi vista com bons olhos por alguns distritais. Entre eles, o líder do PT no Legislativo local, Ricardo Vale, que classificou o pedido como “desejo de protelação”. “Fica claro que há deputados que só desejam realizar o pleito quando conquistarem a maioria. Dizem que buscam por equidade, mas, após vencerem a eleição da Mesa Diretora, apresentaram à outra parte a proposta de ocuparem, ainda, as comissões de maior destaque”, criticou.

 

Ao contrário do petista, o líder do bloco Sustentabilidade e Trabalho, Claudio Abrantes (Rede), defendeu a necessidade das articulações para o bom funcionamento da Casa. “Precisamos de equilíbrio. Se a divisão de poderes não ocorrer, haverá conflitos internos muito fortes”, apontou. Em último caso, se não houver acordo até as 15h de hoje, a eleição será transferida para amanhã.