Corregedoria da Secretaria de Saúde investiga 129 médicos

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    Erros que custam vidas e desolam famílias do DF

     

    Fábio Magalhães
    fabio.magalhaes@jornaldebrasilia.com.br

     


    A conduta dos médicos da rede pública de saúde do Distrito Federal tem sido alvo de reprovação por parte da população e está na mira da Corregedoria da Secretaria de Saúde que, atualmente, investiga 129 médicos. As reclamações sobre o exercício profissional desta categoria são referentes, principalmente, ao mau atendimento, e inclui casos de erro médico, como o fato ocorrido com uma menina de 1 ano e 7 meses. A criança morreu, supostamente, por causa de uma superdosagem de adrenalina, receitada por uma médica do Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib). Também com denúncias constantes, no Ministério Público do DF, cerca de 30% das reclamações   são referentes a erros dos profissionais.

     
    A vítima deste caso recente, Rafaela Luiza Formiga Morais, foi levada pelos pais à unidade de saúde no último domingo por causa de uma crise alérgica. No atendimento, que, conforme consta no prontuário, foi feito por uma médica residente, a criança foi diagnosticada com urticária e deveria tomar uma injeção. Porém, a dose de adrenalina receitada, de 3,5 ml, para uma criança de apenas 12 quilos, é considerada alta, e provavelmente causou o óbito da menor.

     
    “Quando foi aplicar a injeção, o enfermeiro desconfiou da dose. Disse que estava errada e pediu que eu confirmasse com a médica. Conversamos com ela, e ela garantiu que estava certa e autorizou a aplicação. Cinco minutos depois, a minha filha começou a agonizar, a gritar de dor”, lembra, emocionada, a mãe da menina, Jane Formiga, de 31 anos.

     

    Após a aplicação do medicamento, a criança   apresentou efeitos colaterais como falta de ar, convulsão e, também, cinco paradas cardíacas, sendo a maior delas de 1h15. Por causa da falta de leitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a paciente foi transferida para o Hospital Regional de Santa Maria, onde recebeu tratamento paliativo e veio a falecer na tarde da última quarta.
    Segundo a mãe da criança, em momento algum, mesmo com a opinião de outros profissionais, a médica  recuou com a medicação que supostamente foi administrada em dose maior que o recomendado. Chorando a perda da filha, ela pede justiça. “Ela sofreu muito, agonizou e teve muita dor. Além da dor da perda, neste momento, me sinto revoltada por causa do erro de uma médica residente que custou a vida da minha filha”, desabafa. Desolada, Jane conta que já perdeu um filho no segundo dia de vida.

     
    O fato foi registrado na 32ª DP (Samambaia), que aguarda o laudo com as causas da morte. Sobre o incidente, a Secretaria de Saúde informou  que abriu sindicância para apurar se os procedimentos adotados  foram corretos.

     
    Embora a família tenha em mãos o prontuário em que mostra todos os medicamentos administrados, exames e os médicos que atenderam a criança, inclusive com o nome de uma residente, a pasta afirmou que “as prescrições   foram feitas por profissionais do quadro efetivo da secretaria e não por residentes que participaram do atendimento em outros momentos”.

     
    A médica envolvida no caso seria filha do presidente do Conselho Regional de Medicina do DF (CRM), Iran Augusto Cardoso. Por conta disso, ele não vai participar das investigações. O conselho  limitou-se a informar que os fatos  vão ser apurados e “serão solicitados  esclarecimentos por parte dos profissionais envolvidos, da família da paciente e da direção do hospital”.

     

    Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br

     

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