Crise no GDF: Brasiliense vai pagar o ônus. Ônibus, metrô, IPTU… Até o zoo fica mais caro

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Organizações sindicais que decretaram a “greve de alerta” de 24 horas

CORREIO BRAZILIENSE –

Medidas anunciadas pelo Executivo preveem aumento no preço de produtos e de serviços e nos impostos. Tarifas de ônibus e metrô subirão 40%. Gasolina, cosméticos e cerveja também entram no pacote. Nem a prestação da tevê a cabo ficou de fora… Foto de Minervino Junior/CB/D.A Press – 15/9/15

 

Por FLÁVIA MAIA e MATHEUS TEIXEIRA

 

O pacote de medidas divulgado pelo Executivo local atinge diretamente a vida do contribuinte brasiliense. O impacto vai das gôndolas dos supermercados à passagem de ônibus; do lazer em casa à visita em locais públicos. As determinações do governo Rollemberg são as mais duras já anunciadas por um governador do Distrito Federal. Algumas das alterações começam a valer antes mesmo que o consumidor tenha tempo para adaptá-las ao orçamento doméstico. As passagens de ônibus e de metrô, por exemplo, vão subir no domingo — de R$ 2 para R$ 3 ou de R$ 3 para R$ 4. Os restaurantes comunitários também estarão mais caros na sexta-feira: as refeições passam de R$ 1 para R$ 3. A visitação no Zoológico vai de R$ 2 para R$ 10.

 

Outros aumentos, como os de impostos, ainda precisam passar pela Câmara Legislativa. Praticamente todos os tributos sofreram alterações. O Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) terá correção na base de cálculo de até 10%, ou seja, a alíquota será a mesma, porém contabilizado sobre um valor de imóvel mais alto. O Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) também terá a tabela referencial alterada.

 

Os incrementos no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) vão atingir vários produtos e serviços, como bebidas alcoólicas e cigarros — nos quais a alíquota vai passar de 25% para 29% —, e TV por assinatura — que vai subir de 10% para 15%. Gasolina, cosméticos, perfumes, cerveja sem álcool, embarcações e aeronaves também aumentarão em até 5%. Esses produtos foram adicionados na lista dos tributados com percentual adicional destinado a compor o Fundo de Combate à Pobreza.

 

A expectativa é de que o pacote traga R$ 1,8 bilhão para os cofres públicos. Além de citar o deficit orçamentário e a frustração de receita devido ao recolhimento de tributos abaixo do previsto, o secretário de Fazenda, Pedro Meneguetti, justificou que, em muitos casos, as mudanças se tratam de “justiça fiscal”, não aumento nos impostos. “No caso do IPTU, por exemplo, é uma atualização do valor venal dos imóveis. Tem gente que mora em uma casa de R$ 1 milhão e paga imposto relativo a uma residência de R$ 100 mil.”

 

Sobre a tarifa de ônibus, o secretário de Mobilidade, Carlos Tomé, disse que o aumento era inevitável. “O sistema é muito deficitário e, diante do quadro crítico das finanças no GDF, não foi possível adiar mais.” Ele calcula que o novo preço vai gerar uma economia de R$ 60 milhões só este ano.

 

Setor produtivo

As medidas repercutiram mal entre os empresários. Com o faturamento em baixa, estabelecimentos encerrando atividades e aumento de desemprego, os empresários viram a elevação de imposto como mais um elemento para travar o setor. “Infelizmente, todos esses aumentos serão repassados. Mas isso é ruim para o comércio porque, com produtos mais caros e mais impostos, as pessoas vão consumir menos”, explica Edson de Castro, presidente do Sindicato do Comércio Varejista do DF. Para Álvaro Silveira Júnior, presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL-DF), a inadimplência deve aumentar. “É fácil transferir o excesso de gastos do governo para a sociedade. Mas nada garante que o empresário vá dar conta de pagar, porque ele não pode reduzirSALÁRIOS, não pode se desfazer de outras contas.”

 

Para Julio Miragaya, vice-presidente do Conselho Federal de Economia, os aumentos anunciados, principalmente o do transporte, vão impactar na inflação local. “Se a gente considerar que o peso do transporte no custo de vida das famílias é de 5%, o aumento médio de 40% vai impactar em 2% a inflação local, uma porcentagem alta.”

 

Aumento nas tarifas dos ônibus e do metrô começa a valer a partir de domingo: justificativa no período sem alterações nos preços

 

CRISE NO GDF

Ônibus, metrô, IPTU… Até o zoo fica mais caro

Pacote de medidas duras atinge em cheio o bolso do contribuinte. São aumentos que chegarão ao dia a dia do cidadão, além de cortes e mudanças para os funcionários públicos. Vários ajustes dependem da aprovação da Câmara Legislativa

 

Por ANA MARIA CAMPOS

 

“Com lealdade e honestidade, eu me reuni com sindicatos para mostrar nossa situação financeira. Tomei essa decisão por absoluta necessidade. Não há possibilidade de pagar osSALÁRIOS neste ano com os reajustes. Defendo uma grande união por Brasília. Estamos cortando na própria carne e convidamos a todos a se unirem no nosso esforço” Rodrigo Rollemberg (PSB), governador do DF, em entrevista ao lado da governança para anunciar as medidas de cortes e aumento de receitas

 

Depois de várias rodadas de reuniões nas últimas semanas, Rodrigo Rollemberg (PSB) pensou, perdeu noites de sono, digeriu a situação financeira e tomou as decisões que considera fundamentais para evitar um caos na máquina administrativa no fim do ano. Mas, quando se esperava que o pacote viria amargo para conter um rombo de R$ 3 bilhões, certamente poucos imaginavam que seria tão recheado de medidas impactantes na vida do cidadão. O resultado dessa reflexão foi o anúncio ontem de um amplo plano de ajuste fiscal que afeta a vida de cada morador da capital, sem exceção.

 

Para uma economia de R$ 480 milhões até dezembro, funcionários públicos terão o reajuste salarial cortado noCONTRACHEQUE do começo de outubro. Não dá nem para os funcionários de 32 categorias contarem com o aumento no contracheque a partir de 2016. “Com lealdade e honestidade, eu me reuni com sindicatos para mostrar nossa situação financeira. Tomei essa decisão por absoluta necessidade. Não há possibilidade de pagar os salários neste ano com os reajustes”, disse o governador. “Defendo uma grande união por Brasília. Estamos cortando na própria carne e convidamos a todos a se unirem no nosso esforço”, acrescentou.

 

A intenção de Rollemberg é começar a honrar esses compromissos em janeiro. Ele, no entanto, já deixou claro que o pagamento está condicionado à aprovação pela Câmara Legislativa de projetos que atingem o cidadão, como aumento de IPTU, ICMS, Contribuição de Iluminação Pública (CIP), Taxa de Limpeza Pública (TLP) e outros impostos.

 

Com menos dinheiro no bolso por causa desses aumentos que vão vigorar a partir de 2016, o cidadão passa a pagar, no próximo domingo, uma tarifa de ônibus e metrô, em média, 40% mais cara. Rollemberg, havia meses, era aconselhado a assinar o decreto com o reajuste das passagens, que estavam congeladas desde 2006. Mas resistia. Da mesma forma, ele evitava aumentar o preço dos restaurantes comunitários, criados em 2001 pelo então governador Joaquim Roriz. Há mais de 14 anos, os frequentadores pagavam R$ 1, a refeição. Agora, terão de desembolsar três vezes mais. Com um orçamento mais apertado, o cidadão ainda vai sofrer com uma conta mais salgada para se divertir. No Zoológico de Brasília, a entrada também foi reajustada de R$ 2 para até R$ 10.

 

Na carne

Rollemberg vai mexer no dia a dia de toda a população, mas não poupou tampouco a equipe e o próprio orçamento doméstico. O governador cortou em 20% o seu salário, do vice-governador, Renato Santana, de todos os secretários e dos administradores regionais. Quando comunicou ao primeiro e ao segundo escalões sobre a tesourada noCONTRACHEQUE, ninguém reclamou. Já na saída da reunião, no Palácio do Buriti, no entanto, começaram as críticas. Os mais próximos comentavam uns com os outros se valia a pena permanecer na equipe com a redução salarial, sem investimentos e possibilidade de executar projetos pela falta de dinheiro.

 

Muitos aliados de Rollemberg estavam inconformados com a redução de 24 para 16 secretarias. As cinco fusões de várias pastas devem deixar fora do governo coligados próximos, como os secretários de Turismo, Jaime Recena, e de Relações Institucionais, Marcos Dantas, respectivamente, presidente e vice-presidente regionais do PSB. A executiva do partido no DF convocou para hoje uma reunião com o intuito de defender a permanência dos dois dirigentes, assim como a de Marcos Pacco, secretário de Desenvolvimento Humano e Social.

 

Quando mais necessita de apoio político, Rollemberg terá de ser hábil como nunca no trato com deputados distritais, partidos e instituições. Na Câmara Legislativa, ele vai precisar de votos para aprovar medidas impopulares, quando há expectativa de manifestações contrárias do lado de fora do prédio. O reajuste da TLP está parado desde maio na Casa. A atualização da base de cálculo do IPTU sempre enfrentou resistências. Mas não é só a base parlamentar que deve ser convencida. Sindicatos que representam interesses dos servidores não vão aceitar facilmente o adiamento dos reajustes. Preparam paralisações, manifestações e questionamentos no Judiciário.

 

Para buscar um amplo pacto institucional, Rollemberg vai apresentar hoje os números do governo e as medidas de ajuste aos presidentes do Tribunal de Justiça, Getúlio Moraes, do Tribunal de Contas, Renato Rainha, e ao procurador-geral de Justiça do DF, Leonardo Bessa. Para ter sucesso no plano de equilibrar as contas públicas, Rollemberg terá de, enfim, convencer diversos atores da sociedade a aderirem ao “Pacto por Brasília” que pregou no início de sua gestão.

 

Apesar dos próximos capítulos com desgastes e reclamações, da aparência mais magra e abatida, Rollemberg estava determinado ontem. “O que não tem remédio, remediado está”, disse ao Correio sobre o tratamento de choque que teve de anunciar.

 

Uma dívida de

R$ 3

bilhões

foi deixada pela gestão anterior, segundo cálculos do Buriti

 

Houve uma arrecadação

R$ 750

milhões

menor em relação ao

que foi previsto na Lei Orçamentária Anual

 

O GDF ainda briga por

R$ 1,2

bilhão

de diferença do Fundo Constitucional recebido do governo federal

 

O gasto com pessoal chegou a

R$ 19

bilhões

em 2015 e deve passar dos

R$ 20 bilhões no ano que vem

 

O Tesouro local

completou com

R$ 8,7

bilhões

o valor do Fundo Constitucional — o transbordo paraSALÁRIOS de Saúde, Educação e Saúde

 

 

Cerca de 300 protestam

Por THIAGO SOARES

Estudantes da rede pública do Distrito Federal voltaram às ruas para protestar contra o fim da isenção da taxa de inscrição do Programa de Avaliação Seriada da Universidade de Brasília (PAS/UnB). No início da manhã de ontem, com cartazes e bandeiras, cerca de 300 alunos bloquearam o Eixo Monumental, próximo à Rodoviária do Plano Piloto. O grupo também tentou fechar o Eixão Norte. A Polícia Militar, porém, usou spray de pimenta para dispersar os manifestantes. A Secretaria de Educação alega não ter orçamento para bancar o valor de R$ 100 equivalentes às inscrições. Os alunos prometem parar as escolas caso a gratuidade não seja cedida.

 

“Ficamos sabendo que teríamos que bancar as taxas quando foi lançado o edital. Para quem tem dificuldades financeiras, esse montante faz muita falta. Sem a isenção, fica praticamente impossível ter o direito de cursar uma universidade”, afirmou Matheus Natanael do Nascimento, 17 anos, aluno do Centro de Ensino Médio (CEM 417) de Santa Maria. As inscrições começaram em 1º de setembro e seguem até amanhã. As provas serão realizadas em novembro e dezembro.

Esta é a primeira vez em 10 anos que o GDF deixa de arcar com as despesas das inscrições. Em nota, a assessoria de imprensa da pasta disse que “representantes do órgão reiteraram a impossibilidade jurídica e financeira do governo para o pagamento da taxa de inscrição do PAS”.

 

CRISE NO GDF: Arrocho com os servidores

Briga entre funcionários públicos e o governo deve acabar na Justiça %u2014 com direito a paralisação geral de 24 horas. Além do adiamento dos reajustes, alterações na licença-prêmio e cortes em cargos comissionados revoltaram a categoria

 

Por ADRIANA BERNARDES e MATHEUS TEIXEIRA

Parte da conta das medidas divulgadas ontem pelo governo será paga pelos servidores públicos do Distrito Federal. Além de adiar os reajustes a 32 categorias previstos para este mês, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) anunciou a implementação do programa de demissão voluntária, a suspensão de novos concursos, as mudanças na cessão de empregados e as novas regras para a licença-prêmio, entre outras ações. A disputa entre governo e funcionalismo está só começando: a queda de braço entre a exigência dos aumentos em dia e a justificativa da falta de verba deve acabar na Justiça.

 

Na coletiva de ontem, a equipe jurídica do Palácio do Buriti estava com o discurso ensaiado em relação ao adiamento dos reajustes. Embora o Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT) tenha derrubado ação direta de inconstitucionalidade (Adin) do Ministério Público do DF contra os aumentos, o consultor jurídico do GDF, René Rocha, alega que as decisões tomadas pela gestão de Agnelo Queiroz (PT) não têm amparo legal. “A lei só valeria se realmente houvesse previsão no orçamento para que ela fosse aplicada. E isso não foi feito. Então, o governo entende que as leis não têm eficácia”, argumenta.

 

Capacitação

A licença-prêmio dos servidores públicos, que vem dando o que falar há meses e também foi parar na Justiça, mudou de perfil. O benefício acabou e agora passa a se chamar licença capacitação. Isso quer dizer que o empregado, em vez de gozar de folga remunerada, terá de fazer algum curso de formação profissional no período em que estiver afastado da repartição. Outro ponto polêmico diz respeito ao programa de demissão voluntária, que alcançará todas as empresas públicas. O governo pretende estimular servidores a se desligarem do Estado. Assim, calcula que pode desinchar a folha salarial.

 

A cessão de funcionários terá novas regras. A partir dos próximos dias, o GDF não vai mais arcar com oSALÁRIO de servidor que estiver em outro órgão. Ocupantes de cargos comissionados que não são do quadro do governo e que ganham acima do teto serão devolvidos automaticamente à instituição de origem.

 

Demissões

O dia foi longo para aqueles que ocupam cargos de livre provimento. O corte de 20% do salário, no início da terça-feira, seria para todos aqueles que não têm vínculo com o GDF. Mais tarde, no entanto, o Buriti anunciou a redução de vencimento apenas para o governador, o vice, secretários e administradores regionais. O salário do chefe do Executivo local cairá de R$ 23.499 para R$ 18.759.

 

A medida de cortar o próprio salário serve mais para Rodrigo Rollemberg dar o exemplo do que a queda eficaz das despesas. A fim de alcançar o corte de 20% de despesas com comissionado, como havia prometido o Buriti mês passado, gestores terão de demitir 20% dos funcionários sem vínculo com o Estado. A redução de secretarias deve ajudar na economia. As 24 secretarias foram reduzidas para 16. As pastas de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Trabalho, Agricultura e Ciência e Tecnologia fazem parte do mesmo órgão a partir de agora; o mesmo vale para Educação e Esporte. Regiões administrativas também foram fundidas e as administrações caíram de 31 para 24.

 

Todo o esforço com o intuito de aumentar a receita e conseguir terminar o ano com os gastos com pessoal dentro do permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) é válido, segundo a equipe de governança. O balanço do segundo quadrimestre mostrou o GDF além do limite permitido: bateu em 50,8%. O secretário de Fazenda, Pedro Meneguetti, afirmou que a redução com pessoal vem sendo feita. Tudo para retomar o patamar permitido pela LRF. “Desde o início do ano, excluímos 4.077 cargos comissionados de livre provimento. Fizemos um grande esforço para reduzir nossos gastos, fomos até onde dava, mas não havia corte que fosse suficiente. Por isso, precisamos aumentar a receita”, explica.

 

“A lei (de reajustes dos servidores) só valeria se realmente houvesse previsão no orçamento para que ela fosse aplicada. E isso não foi feito. Então, o governo entende que as leis não têm eficácia”

René Rocha, consultor jurídico do GDF

 

O que muda no funcionalismo

» Suspensão do reajuste previsto para este semestre

» Criação de programas de desligamento incentivado e voluntário das empresas públicas dependentes

» Redução doSALÁRIO do governador, vice-governador, secretários e administradores regionais

» Corte de 20% das despesas com cargos comissionados e funções de confiança

» Redução de 80% para 60% do valor pago ao servidor efetivo em cargo de confiança

» Suspensão de novos concursos públicos

» Transformação da licença-prêmio em licença capacitação válido somente para novas concessões

» Devolução dos requisitados que não são do governo de Brasília e que ganham acima do teto, exceto os cargos de natureza política e especial 1 e 2

» Cobrança de ônus pela cessão de servidores

» Indenização de transporte passará a ser por deslocamentos efetivamente ocorridos, e não um valor fixo ou percentual sobre a remuneração

» Implantação do teletrabalho limitado a 30% dos servidores efetivos. Quem trabalhar de casa deveráREGISTRAR ganho de produção 5% superior à média

» Diminuição de secretarias de 24 para 16

» Redução das administrações regionais de 31 para 24

 

“Greves de alerta” na próxima semana

 

Por ADRIANA BERNARDES

A reação dos sindicatos dos servidores do GDF ao pacote anunciado pelo governo foi imediata. Eles classificaram as medidas de contenção de despesas como “calote”. Em reunião na tarde de ontem, o Fórum em Defesa do Serviço Público no Distrito Federal, que reúne 19 sindicatos e três centrais sindicais, decretou “greve de alerta” de 24 horas em 24 de setembro. Todas as categorias farão um protesto em frente ao Palácio do Buriti às 10h. Paralelo a isso, cada entidade vai tentar negociar com governo. Se até 7 de outubro não houver acordo, a greve geral por tempo indeterminado no serviço público é dada como certa.

 

Coordenador do Fórum e secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Rodrigo Rodrigues disse que os sindicatos não tiveram tempo de analisar o real impacto de todas as medidas anunciadas para os servidores. Algumas, segundo ele, representam o descumprimento da lei por parte do governo. “Além disso, várias categorias convivem com atrasos no pagamento do 13º salário e das horas extras”, ressaltou.

 

Para Cláudio Antunes, diretor do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), a tendência é de greve generalizada. “Não vamos aceitar o calote. Garantimos na Justiça o direito ao reajuste e receberíamos a terceira parcela em setembro, fechando um ciclo do plano de carreira”, explicou. Para Antunes, outro ponto crítico é o da licença-prêmio. “Os professores já têm uma formação alta, com pós-gradução. Quem opta pelo mestrado e doutorado tem outros meios para fazê-los. Então, para nós, a transformação em licença capacitação, na verdade, representa o fim da licença-prêmio”, avalia.

 

O sindicalista antecipa que a categoria vai pressionar os parlamentares a não aprovar as medidas do pacote que dependem de projeto de lei. “Nossos advogados já estão trabalhando na perspectiva de judicializar de novo. A suspensão do serviço é o último recurso da luta e não está descartado, em função da gravidade das medidas adotadas”, avisa.

 

O que preocupou Ibrahim Yousef, presidente do Sindicato dos Servidores públicos da Administração Direta do DF (Sindireta), foi a possibilidade de perdas de direitos assegurados em lei, como a aposentadoria especial e a participação no conselho do Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprevi-DF). A exemplo de outras categorias, o Sindireta não descarta a greve geral a partir de outubro — entram aí funcionários das defensorias públicas, dos postos do Na Hora, do sistema penitenciário e do Instituto de Medicina Legal (IML), entre outros.

 

Saúde

Presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), Gutemberg Fialho diz que a categoria recebeu o pacote de ajustes que afeta o servidor com perplexidade e indignação. “Até agora, o governo ficou só no discurso da dificuldade financeira, mas não apresentou uma proposta concreta”, afirmou. Ele diz esperar uma proposta alternativa do governo, em reunião marcada para a próxima segunda-feira. Caso isso não ocorra, os médicos vão aderir à paralisação do dia 24. Se nada mudar e o pagamento do reajuste não for depositado até 7 de outubro, a categoria entrará em greve geral por tempo indeterminado. “Em setembro, receberíamos a terceira parcela do reajuste. Temos 13º não pago, horas extras e licenças-prêmio que também estão atrasados”, cita Gutemberg. Entre os servidores do SindSaúde, a luta contra o pacote do governo terá até rap: “Para dar certo pra você, tem que dar certo pra mim”, diz o refrão.

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Número de organizações sindicais que decretaram a “greve de alerta” de 24 horas

 

CRISE NO GDF: Câmara entre união e críticas

Distritais dividem-se no apoio ao pacote de medidas anunciado ontem pelo Governo do Distrito Federal. Horas antes da divulgação, Rollemberg entregou pessoalmente a Celina Leão o projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA)

 

Por GUILHERME PERA

Tinha a possibilidade de recebermos um orçamento deficitário, e isso não aconteceu. Os aumentos dos impostos são polêmicos e devem passar por negociação

Celina Leão, presidente da Câmara Legislativa

O pacote de medidas apresentado pelo Palácio do Buriti até sofreu críticas de distritais, que reivindicavam maior participação no desenvolvimento das iniciativas e citaram falta de comunicação por parte do Executivo, mas os ataques não foram tão incisivos como no primeiro semestre. Se antes a tônica do discurso era a impossibilidade de aumentar impostos, a história agora é negociar. Com o anúncio da reforma administrativa e nomes de parlamentares ventilados nos bastidores, entre prováveis futuros integrantes do primeiro escalão do GDF, a conversa ficou mais amena que nos seis primeiros meses de mandato.

 

Acompanhado do secretário de Fazenda, Pedro Meneguetti; da secretária de Planejamento, Leany Lemos; do secretário de Gestão Administrativa, Alexandre Lopes; e do chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio, Rollemberg esteve na Presidência da Câmara Legislativa para entregar pessoalmente o projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) e o Plano Plurianual (PPA). Cerca de 1h antes de anunciar o pacote de medidas, no Palácio do Buriti, pediu “união” por Brasília e entregou um ofício, no qual explicou o porquê da suspensão do reajuste dos servidores. No documento, citou um deficit de R$ 6,5 bilhões da atual gestão, chamou de “irresponsável” o governo anterior e citou o estouro do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) com os gastos de pessoal.

 

A crítica mais contundente é do PT. Segundo o distrital Chico Vigilante, líder da oposição na Casa, o governo está “perdido” e repete o discurso desde a posse. “O governador apenas reiterou o que vem dizendo desde o primeiro dia. Falta comunicação com os deputados da base. Nós vamos lutar contra aumentos e suspensão de reajustes”, afirmou. Para Cláudio Abrantes (PT), o motivo de questionamento se estende à tarifa de transporte. “Parece mais justo fiscalizar melhor a área do que elevar os preços mais uma vez”, afirmou. O também petista Ricardo Vale afirmou que o GDF “deveria negociar dívida ativa de aproximadamente R$ 17 bilhões com empresas e sociedade”. “Talvez se o governo tivesse se concentrado desde o início nessas negociações, não sacrificaria a sociedade com esse pacote que, certamente, vai aumentar a recessão do DF”, reclamou.

 

Dinheiro

A presidente da Câmara Legislativa, Celina Leão (PDT), elogiou o envio do Orçamento. “Tinha a possibilidade de recebermos um orçamento deficitário, e isso não aconteceu. Os aumentos dos impostos são polêmicos e devem passar por negociação”, adiantou. Sobre a suspensão dos reajustes, defendeu que falta dinheiro ao GDF e pediu “calma” aos sindicatos e à população.

 

Os correligionários de Celina na Casa, Reginaldo Veras e Joe Valle, fizeram discursos distintos. Enquanto o primeiro pregou que “tudo precisa ser discutido”, o segundo foi incisivo nas críticas. “Tinha de fazer alguma coisa, mas com mais conversa com a Câmara. Precisa ficar claro o que foi feito”, defendeu Joe, que deixou o encontro com Rollemberg insatisfeito.

 

Raimundo Ribeiro (PSDB) era um dos mais amenos. Apesar de dizer que a “Casa é resistente em aprovar projetos de aumento de impostos”, o tucano defendeu o GDF. “(O governador) falou sobre o pacote, que as medidas são extremamente necessárias. E, realmente, não se trata de escolher, é porque não tem recurso”, disse.

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