DANÇA DAS CADEIRAS

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Reforma do secretariado inclui saída de um deputado e entrada de suplente; promoção de delegado de polícia e engenheiro; e devolução, aos quadros de origem, de uma professora

O governador do Distrito Federal anuncia entre esta sexta-feira 15 e a segunda-feira 18, a primeira reforma do seu secretariado. O modelito foi desenhado pelo próprio Agnelo Queiroz, mas tem algumas costuras de Tadeu Filippelli. O governador quer contemplar antigos aliados; já o vice, não quer perder espaços com velhos e fiéis seguidores.

Na dança das cadeiras, é tida como certa a saída do deputado federal Luiz Pitiman (PMDB) da Secretaria de Obras. A vaga dele deve ser preenchida por Maurício Canovas, presidente da Terracap e velho aliado de Filippelli. Com a volta de Pitiman para a Câmara, sai o suplente Ricardo Quirino (PRB), que deve ter como prêmio de consolação a presidência da Codeplan.

O delegado Miguel Lucena, ex-tesoureiro da campanha de Agnelo, troca a Codeplan pela Secretaria de Assuntos Estratégicos, na vaga de Newton Lins (PSL), ex-candidato ao Palácio Buriti em 2010 e primeiro a correr para os braços da coligação PT-PMDB ainda no primeiro turno. Dentro dessa mesma aliança que colocou Agnelo Queiroz no governo, o ex-candidato Eduardo Brandão, do PV, será substituído na Secretaria do Meio Ambiente por Messias de Souza (PCdoB), atual administrador de Brasília.

Agnelo Queiroz também vai mexer em uma área sensível: a secretária da Educação Regina Vinhaes (sem filiação partidária) deixará o cargo. O substituto deve ser Marcelo Aguiar, indicado pelo senador Cristovam Buarque (PDT). Se conseguir emplacar seu pupilo, o senador, principal cabo eleitoral do governador, estará recebendo um sinal significativo para voltar a apoiar Agnelo, de quem está afastado desde janeiro.

Para fechar a reforma, deixará o governo, por fim, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Jacques Pena (PT). Ele será substituído pelo deputado distrital Cristiano Araújo (PTB), com o aval do senador Gim Argello, presidente regional da legenda. Uma espécie de coringa de Agnelo, Pena ficará circulando pelos corredores palacianos até ser nomeado para nova função.

Os já quase ex-seretários Eduardo Brandão e Newton Lins, não sabem onde serão acomodados, mas há a promessa de que os dois não ficarão desempregados. Já Regina Vinhaes voltará para a UnB, onde é uma conceituada professora.

As mudanças atendem à pressão da militância do PT – como a Base Petista Socialista – para que o governador comece a colocar em prática as promessas de campanha. Depois de acomodar o secretariado, Agnelo se voltará para as administrações regionais e empresas públicas.

No desenho traçado com Filippelli, ficaram em aberto os cargos de presidente da Novacap e Adminstrador de Brasília. Mas os currículos são muitos e nada impede que mais gente entre na brincadeira da dança das cadeiras promovida por Agnelo.

Fonte: Blog do José Seabra

ANÁLISE DO BRASILIA EM OFF

Se for confirmada esta mini-reforma divulgada pelo conceituado jornalista José Seabra, o governador Agnelo Queiroz perderá uma boa oportunidade para por ordem e definir os rumos de seu governo.

A reforma não pode ser algo superficial e se transformar numa mera troca de secretários e administradores. Precisa ir além de nomes. É necessário reformar a postura e a conduta de todo o governo, sem dar espaço para aquelas velhas práticas condenáveis do fisiologismo, nepotismo e do “ é dando que se recebe”.

Porém, antes de tudo, o governador Agnelo precisa refletir sobre o que andou prometendo aos seus eleitores durante a campanha eleitoral. Até mesmo lembrar-se de sua origem humilde. Precisa reconhecer e corrigir os erros que andou cometendo nestes primeiros seis meses de governo, para, a partir daí, voltar a trilhar o caminho da moralidade e da ética.

Trocar secretários não deixa de ser importante para o bom funcionamento da máquina governamental, mas zelar pela ética e pelos bons princípios norteadores da administração pública, propagados nas eleições passadas, são imprescindíveis para a sobrevivência desse governo junto à opinião pública.

Fonte: Brasília em OFF

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