Denúncia de pagamento de propina na Câmara coloca pressão na CPI da Saúde

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Envolvimento da cúpula da Casa pode ameaçar os trabalhos do grupo, uma vez que, entre os parlamentares citados nos áudios, Cristiano Araújo (PSD) e Bispo Renato Andrade (PR) integram a comissão

Isabela Alencar

As novas gravações que revelam indícios de participação de integrantes do Legislativo local em um suposto esquema de desvio de recursos na área da saúde coloca mais pressão na CPI criada para investigar os fatos no setor. Além disso, pode ameaçar os trabalhos do grupo, uma vez que, entre os parlamentares citados nos áudios, Cristiano Araújo (PSD) e Bispo Renato Andrade (PR) integram a comissão. Na tarde de ontem, nos corredores da Câmara Legislativa do DF, o assunto não era outro: discutia-se o rumo das investigações, o futuro dos distritais citados, a composição da Mesa Diretora e avaliava-se a renúncia da deputada Liliane Roriz da vice-presidência da Casa.

Para o presidente da comissão, deputado Wellington Luiz (PMDB), caso o nome dele fosse citado, por uma questão de ética, ele pediria para sair dos trabalhos. “Se fosse eu, eu renunciaria. Mas cada um age conforme a sua consciência.” O bloco Sustentabilidade e Trabalho, o qual integra o deputado Cláudio Abrantes (Rede), reuniu-se para os integrantes manifestarem as posições em conjunto, além de apresentarem sugestões e ações. “Acho que a gente tem que apurar com rigor. Os desdobramentos disso a gente vai discutir em bloco.”

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Suplente do 1º secretário da Mesa Diretora, Raimundo Ribeiro (PSDB), o distrital Agaciel Maia (PR) disse que foi surpreendido com as gravações. “Qualquer matéria dessa natureza é ruim para todos os deputados, independentemente se está sendo citado ou não. Desgasta a imagem da instituição. Espero que, com o desenrolar das investigações, as coisas fiquem mais claras. É muito precoce fazer análises.”

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Para o deputado Chico Vigilante (PT), a própria Câmara tem obrigação de apurar e punir quem estiver praticado irregularidade. “Brasília não suporta outra Caixa de Pandora. Todo mundo que foi citado, se está em cargo de direção na Câmara ou em CPI, tem que sair para que possa ser feita uma investigação isenta.”

Do mesmo partido, Wasny de Roure destacou que conversou com o presidente da CPI da Saúde sobre a necessidade de repensar a substituição dos parlamentares citados em denúncias. “Seria mais confortável para a comissão atuar sem a presença deles e, consequentemente, dar desdobramentos ao trabalho, que é extremamente importante. Tem muita coisa para ser revelada daqui pra frente. As denúncias são gravíssimas, feitas por uma colega da Mesa Diretora, que gravou os próprios colegas.”

Fonte: Correio Braziliense

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