DENÚNCIAS CONTRA AGNELO INICIAM CRISE COM POLÍCIA CIVIL

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Denúncias contra Agnelo iniciam crise com Polícia Civil

 

Nota de esclarecimento assinada pelo pré-candidato petista ataca a Polícia Civil e o MP, além de levantar dúvidas sobre a credibilidade de investigação das duas instituições

 

Uma nota oficial assinada pelo diretório regional do Partido dos Trabalhadores e pelo pré-candidato petista ao Buriti, Agnelo Queiroz, despertou a fúria de representantes, principalmente da Polícia Civil do Distrito Federal. O texto, divulgado no site do partido, é uma resposta às denúncias publicadas pela revista Época desta semana, sobre o possível envolvimento de Agnelo em esquemas de corrupção e de desvio de recursos públicos do Ministério dos Esportes.

Em tom carregado, a nota faz ataques à polícia e ao Ministério Público e coloca em xeque a credibilidade dos agentes públicos ao conduzirem o processo de investigação na batizada Operação Shaolin. “O que está em curso nos intestinos da Polícia Civil do Distrito Federal, e que conta com a anuência de facção do Ministério Público do Distrito Federal, é um procedimento de destruição de reputações que guarda similaridade a atos de barbárie cometidos pelos fascistas”, afirma um trecho do documento. De acordo com o comunicado petista, a investigação tem finalidade política e acusa as instituições de terem sofrido poder de influência de José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal acusado de corrupção, mas que teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral por infidelidade partidária. 

Em outra parte do texto, Agnelo e os integrantes do diretório petista afirmam que a operação Shaolin “é um procedimento investigatório ilegal e clandestino, produzido sob o patrocínio de agentes públicos incompetentes, mas domesticados e adestrados por interesses subalternos para alcançar resultados manipulados, em claro desafio à Constituição Federal”. Ainda segundo a nota, o objetivo da investigação seria de interromper a ascensão de Agnelo Queiroz nas pesquisas de intenção de voto para governador.

As declarações petistas irritaram representantes das categorias policiais. Ex-diretor da Polícia Civil do DF, o deputado federal Laerte Bessa (PSC-DF) afirmou que as declarações petistas são “irresponsáveis” e “inconsequentes”. “O pré-candidato petista precisa ter cuidado com o que fala. Como delegado, sei que todos os bandidos sempre criticam a polícia. Eles não gostam de polícia. O comportamento do pré-candidato parece não estar muito diferente dos meliantes”, ironizou o deputado federal Laerte Bessa (PSC-DF). Delegado aposentado, Bessa condenou a estratégia petista ao afirmar que a Polícia Civil “jamais se curvou para proteger políticos desonestos, sejam eles de partidos de situação ou oposição”.

Outro parlamentar que se incomodou com as declarações do Partido dos Trabalhadores foi o deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF). Mesmo sendo coronel da Polícia Militar, Fraga disparou severas críticas ao comportamento do pré-candidato do PT ao GDF sobre a reputaçao da PCDF. “Como alguém que quer ser governador do Distrito Federal pode tratar dessa forma uma instituição séria como a Polícia Civil, uma das mais preparadas do Brasil? Esse é o estilo PT. Quando a acusação envolve outros, é verdadeira. Quando se volta pra eles próprios, eles tentam desqualificar de qualquer jeito. Isso é falta de vergonha na cara”, esbravejou.

Procurado diversas vezes pela reportagem, o deputado Alírio Neto (PPS), delegado da PCDF, não retornou as ligações até o fechamento desta edição. O deputado distrital Chico Leite (PT), promotor de Justiça e defensor da categoria, chegou a conversar com a reportagem e afirmou que ainda não havia tido acesso à integra do documento. Depois, não retornou as várias tentativas de contato durante todo o sábado.

Nota de esclarecimento

“Sob o comando do ex-governador José Roberto Arruda, que foi preso e renunciou ao mandato em razão das graves denúncias de corrupção que vieram à tona nos últimos meses, uma facção da Polícia Civil do Distrito Federal urdiu um suposto inquérito de investigação destinado a atingir a imagem pública de Agnelo Queiroz, pré-candidato do PT ao governo do DF.

Versões desse suposto inquérito, que na verdade é um procedimento investigatório ilegal e clandestino, produzidas sob o patrocínio de agentes públicos incompetentes, mas domesticados e adestrados por interesses subalternos para alcançar resultados manipulados, em claro desafio à Constituição Federal, começam a chegar à imprensa. O objetivo é interromper a ascensão de Agnelo Queiroz nas pesquisas de intenção de voto para governador.

A falsa investigação, escorada em métodos fascistas, moveu-se com desvio de finalidade ao forjar premissas inverossímeis. Agnelo Queiroz não foi investigado, nem ouvido e, mais grave, sequer indiciado pelo fajuto inquérito. Mas o objeto estava fabricado para que surgisse como protagonista.

Trata-se da tentativa de rescaldar denúncias velhas, que não estão amparadas nas auditorias que o Tribunal de Contas da União e a Corregedoria Geral da União empreenderam na gestão de Agnelo Queiroz no Ministério dos Esportes, a fim de tentar equiparar a biografia política do pré-candidato do PT e de seus aliados ao prontuário policial ostentado por nossos adversários.

O que está em curso nos intestinos da Polícia Civil do Distrito Federal, e que conta com a anuência de facção do Ministério Público do Distrito Federal, é um procedimento de destruição de reputações que guarda similaridade a atos de barbárie cometidos pelos fascistas. Um governador que foi preso e renunciou ao mandato para não ser cassado, seus sócios, asseclas, herdeiros e criadores políticos creem-se capazes de manipular procedimentos policiais, influenciar a imprensa e dirigir decisões do Poder Judiciário com o fim exclusivo de produzir uma vitória eleitoral destinada a lhes devolver o poder político na capital da República. Não conseguirão. Não voltarão. Resistiremos lutando com todas as armas legítimas da legalidade. Medidas judiciais e administrativas, verdadeiras e legítimas, em ambientes institucionais, serão movidas para que se punam os agentes que desconhecem as garantias constitucionais do Estado Democrático de Direito.”

Agnelo Queiroz

ENTENDA O CASO

Na edição desta semana de Época, o ex-ministro Agnelo Queiroz (PT) é acusado de participação em um golpe milionário envolvendo recursos do Ministério dos Esportes. Investigação deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal no início de abril, batizada de Operação Shaolin, prendeu cinco pessoas, apreendeu documentos e colheu depoimentos sobre o destino de quase R$ 3 milhões repassados pelo ministério a duas associações de kung fu de Brasília.  Por causa dessa matéria, Agnelo e o PT soltaram nota de esclarecimento sobre a reportagem.

A revista sustenta que “de acordo com a apuração da polícia, empresas de fachada cobravam 17% do valor das notas para emitir os papéis frios, sacar os recursos depositados pelas associações em suas contas e devolver o dinheiro para as ONGs”. Os investigadores afirmam que o suplente de deputado distrital, João Dias (PCdoB), que preside uma associação, desviou recursos para a compra de uma casa avaliada em R$ 850 mil para construir duas academias de ginástica e financiar sua campanha para deputado distrital em 2006.

João Dias e seu assessor, Eduardo Pereira Tomaz, foram presos temporariamente durante a Operação Shaolin. Um manuscrito encontrado na casa de Dias chamou a atenção dos policiais por relacionar o número “300.000” ao nome “Agnelo”. O papel foi submetido à perícia, que identificou João Dias como o autor do bilhete.

O relatório final da PCDF pede que seja feito um rastreamento dos telefones celulares usados por Agnelo e pelos outros envolvidos e propõe que sejam pedidos os extratos telefônicos que contêm as chamadas geradas e recebidas pelas linhas usadas pelos suspeitos, inclusive Agnelo. Para a revista, tanto o petista quanto João Dias negaram com veemência as acusações. 

Fonte: O Distrital

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