DENÚNCIAS NA CAMPANHA

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ELEIÇÕES 2010 – DISTRITO FEDERAL
Denúncias sujas na campanha. Agnelo quer investigação da PF

Preso em abril durante a Operação Shaolin, que apurou suposto desvio de recursos do Ministério do Esporte, o contador Miguel Santos Souza denunciou ao Departamento de Atividades Especiais (Depate) da Polícia Civil do DF ter recebido uma oferta de R$ 200 mil para incriminar o candidato Agnelo Queiroz (PT). Em depoimento prestado em 15 de setembro,Miguel entregou aos policiais civis uma gravação com 34 minutos e 24 segundos de conversa em que um advogado se apresenta como intermediário de uma proposta da coordenação da campanha de Joaquim Roriz (PSC) para prejudicar o petista.

Investigado por fraude em notas fiscais, o contador deveria dizer que viu Agnelo“manuseando” dinheiro ilícito. O vídeo foi feito a pedido do próprio Miguel dois dias antes do depoimento, com uma câmera escondida na sala de sua casa, onde recebeu a proposta do homem que chamou de “Glauber”.

Policiais da Divisão Especial de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (Decap), onde tramita sob sigilo o inquérito sobre a tentativa de compra da testemunha, o identificaram como o advogado Clauber Madureira Guedes da Silva. Ele teria se aproximado do contador quando este foi preso com outros quatro investigados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público doDistrito Federal naOperação Shaolin.

Na reunião gravada, Clauber combina com o contador a forma de vender o testemunho falso contra Agnelo. Pede que o interlocutor tenha confiança em seu trabalho e garante proteção caso Roriz vença a eleição. A cena que incriminaria Agnelo deveria parecer uma gravação não autorizada de uma conversa em que Miguel inadvertidamente contaria ter visto o candidato do PT ao Governo do DF com dinheiro nas mãos. Clauber prometeu, além do dinheiro, um cargo em eventual governo de Roriz. O advogado demonstrou que tentaria aumentar a proposta e pediu uma comissão de 5% sobre o valor que ultrapasse os R$ 200 mil oferecidos inicialmente.

A negociação, segundo afirmou, seria feita com a coordenação da campanha de Roriz. Naquele momento,Weslian Roriz ainda não havia substituído o marido na disputa ao GDF.Clauber Madureira não foi localizado ontem pela reportagem. Ele já prestou depoimento e negou ter feito qualquer proposta em nome de Roriz. A Operação Shaolin é um dos principais pontos de desgaste da campanha de Agnelo. Ele sempre negou qualquer participação em denúncias sobre desvios de recursos do Programa Segundo Tempo e sustenta ser vítima de uma ação política. Por decisão judicial, o inquérito foi transferido para a esfera federal, uma vez que o programa envolve recursos daUnião.

Fraude

Agnelo Queiroz vai pedir hoje ao ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, a abertura de investigação da Polícia Federal (PF) sobre a suposta compra da testemunha da Operação Shaolin. A coordenação de comunicação do petista sustenta estar em curso uma orquestração para desacreditar a candidatura de Agnelo.

No requerimento a Barreto, Agnelo pretende incluir outro fato. Nos últimos dias, houve comentários na internet, em blogs e no Twitter sobre uma suposta ligação do ex-ministro do Esporte em caso de pedofilia em Aparecida de Goiânia, Goiás. O episódio teria ocorrido em 1985 e envolvidoumapaciente de Agnelo, que é médico. A pedido da direção da Polícia Civil do DF, no entanto, a Secretaria de Segurança Pública de Goiás apontou indícios veementes de que o suposto inquérito é uma fraude.

Há várias inconsistências. A capa do documento foi digitada emcomputador, com a fonteVerdana. Ocorre que, na época da suposta autuação, as delegacias do interior de Goiás não tinham equipamentos de informática.Os documentos eram preenchidos em máquinas de escrever ou mesmo manuscritos. O logotipo da Polícia Civil estampado no documento também não existia 25 anos atrás e os policiais que assinam a autuação não foram identificados como policiais, tampouco suas matrículas existem.

Há ainda um erro na grafia do nome de Agnelo (Agnelo “do Santo” Queiroz Filho)—seu nomedo meio é Santos.Outra falha: na autuação, o petista seria natural de Itapetinga, em São Paulo, mas ele nasceu no município de mesmo nome, mas da Bahia.

Reações

Para o coordenador de comunicação da campanha de Agnelo, Luís Costa Pinto, trata-se de“duas armações sórdidas”. “Esse é um jeito baixo e abjeto de fazer política, lançando mão de compra de depoimentos e do aparelhamento do Estado”, disse. “Isso é o rorizismo.

Além de corrupto, é sujo”, acrescentou. Embora estejam sob análise de policiais civis do DF, os dois casos serão levados à Polícia Federal por conterem, em tese, indícios de crime eleitoral.

O ataque ao ex-governador do DF foi respondido ontem pelo jornalista Paulo Fona, que coordena a área de comunicação da campanha rorizista. Ele negou qualquer vinculação da coligação liderada por Roriz com as tentativas de prejudicar Agnelo.

E rebateu: “É inacreditável que um jornalista que convive com um candidato de grupo que usa a Receita Federal, a Casa Civil e a Caixa Econômica Federal na campanha venha falar de aparelhamento. Isso é que é um nojo”, sustentou Fona.

Informações do Correio Braziliense.

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