Deputados vão cobrar explicações de Cristiano Araújo

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Cristiano Araújo diz que não se referiu a corrupção na conversa captada por escuta da Operação Drácon, em que fala sobre ninguém ser “virgem” na Câmara. Colegas não gostaram da declaração.

Por MATHEUS TEIXEIRA-CORREIO BRAZIENSE/Foto: Metrópoles

O deputado distrital Cristiano Araújo (PSD) terá que dar explicações aos colegas deputados. Os parlamentares não gostaram do teor das conversas captadas pela escuta instalada no gabinete dele, como diligência da Operação Drácon. O teor das conversas foi revelado com exclusividade pelo Correio. O Bloco Sustentabilidade, integrado por Reginaldo Veras (PDT), Cláudio Abrantes (Rede), Chico Leite (Rede) e pelo presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PDT), vai exigir formalmente, amanhã, explicações de Cristiano pela frase dita a interlocutores de que ninguém na Câmara é “virgem”.

 

O bloco não descarta tomar uma medida parecida com o distrital Chico Vigilante (PT), que afirmou que o Legislativo local foi “tomado por uma quadrilha”. Apesar de compreenderem a irritação do petista em relação às investigações da distrital Celina Leão (PPS) sobre sua vida pessoal e profissional, os deputados acreditam que a declaração de Vigilante, assim como a de Cristiano, generalizam as críticas de maneira irresponsável.

 

O Correio procurou os deputados para saber a opinião sobre os áudios captados nos 10 dias seguintes à deflagração da Drácon nos gabinetes de Celina e Cristiano. O corregedor da Casa, Juarezão (PSB), preferiu não comentar. Júlio César (PRB), que também teve conversas gravadas na Operação Drácon, não quis dar nenhuma opinião sobre a divulgação de diálogos que mostram os bastidores dos gabinetes de Celina e Cristiano.

 

Já Abrantes, Leite e o deputado Rodrigo Delmasso (PTN) condenaram a frase de Cristiano. “Ele está equivocado em relação a alguns, principalmente, sobre a minha pessoa”, diz Delmasso. “Quando ele diz que não existe mais virgem na questão de fazer negócios e essas coisas, ele está enganado. Não digo que são muitos, mas ainda tem gente interessada na política do bem comum, não dos bens pessoais”, afirma Abrantes. Chico Leite se diz “enojado”. “Só posso dizer: que coisa horrível”.

 

Outro alvo das investigações, Renato Andrade (PR) afirmou que “não concorda” com as colocações do deputado do PSD. Também diz que não cometeu nenhuma irregularidade. “Não sei por que fui envolvido em tudo isso. Qualquer um que estivesse na Mesa Diretora estaria passando pelo calvário como eu”.

 

ENTREVISTA CRISTIANO ARAúJO (PSD)

 

“Não tenho nada a esconder. Juro”

 

Autor da frase que mais chamou a atenção nas gravações da Operação Drácon, o deputado Cristiano Araújo (PSD) garante que não quis dizer que todos são corruptos, quando afirmou: “Vamos ser sinceros. Ninguém aqui é virgem”. O distrital, um dos denunciados pelo Ministério Público pela suposta cobrança de propina para aprovação de uma emenda parlamentar, alega que o contexto é outro.

 

O que você quis dizer quando afirmou que “ninguém aqui é virgem?

Virgem no seguinte sentido: todo mundo já sofreu com alguma reportagem negativa. Publica matéria e cassa o deputado? A cassação tem que ser automática sem investigar a fundo os fatos?

 

Nas gravações, você reclama da relação com o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) e afirma que o secretário de Cidades, Marcos Dantas, vive “queimando” você. Como é a sua relação com o governo?

Estão me tratando bem. Não tem problema. Marcão agora está me tratando bem, de verdade. A gente conversou. Foi muito boa a conversa.

 

O você quis dizer em “vai chegar na gente” quando se referiu a denúncias no Hospital da Criança?

Estava falando que vai chegar na CPI da Saúde. Vai chegar para a gente resolver. O negócio ali é muito grave.

 

Nas conversas, um interlocutor fala que os empresários “têm que ter um deputado” para ajudar no pagamento às prestadoras de serviço do GDF…

Não tenho relação com nenhum empresário. O problema que aconteceu no governo Rollemberg afetou todo mundo. Simplesmente não pagaram as empresas. Então a Câmara virou uma panela de pressão, porque todo mundo tinha que receber para não quebrar. Limpeza, vigilância, publicidade, setor hospitalar. Temos que ser sinceros. Ninguém aguenta trabalhar quatro meses de graça. A gente faz interlocução, encaminha demanda para o governo. Esse é o papel do parlamentar. Não tenho nada a esconder. Juro.