A difusão de conhecimentos sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem favorecido diagnósticos mais precoces e contribuído para o aumento da conscientização e a redução do estigma, além de estimular a busca pela avaliação com especialista e suporte adequado. Esses fatores, aliados ao avanço na ciência e ao maior acesso a assistência médica, propiciam o aumento na prevalência de casos.
Atualmente, a Sociedade Brasileira de Pediatra estima que aproximadamente dois milhões de brasileiros convivam com o TEA, o que representa 1% da população. Em Santa Catarina, segundo dados da Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE) até setembro de 2024, 24,9 mil pessoas emitiram a Carteira de Identificação do Autista.
Com o objetivo de promover o conhecimento sobre essa condição neurobiológica, reduzir a discriminação, incentivar a sociedade a discutir o assunto e valorizar as capacidades individuais, foi instituído o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2007.
De acordo com a terapeuta ocupacional do Espaço Pertencer – Centro de Terapias da Unimed Chapecó, Marla da Conceição Fim, esse transtorno neurobiológico é caracterizado por dificuldades na comunicação verbal e não verbal, na interação social restrita, em comportamentos repetitivos e hipersensibilidade ou hipossensibilidade sensorial (reação intensa a sons, luzes, texturas ou cheiros).
O espectro do autismo varia conforme os níveis de suporte:
Nível 1: indivíduos enfrentam dificuldades em seguir normas sociais, apresentam comportamentos inflexíveis e têm dificuldades de interação social desde a infância.
Nível 2: geralmente, mostram comportamento social atípico, rigidez cognitiva e dificuldades com mudanças, além de hiperfoco em interesses específicos. Neste nível, há déficits significativos na conversação, com respostas limitadas e dificuldades de linguagem, mesmo com suporte, e a iniciativa para interagir é restrita.
Nível 3: indivíduos enfrentam dificuldades graves no cotidiano e têm comunicação severamente comprometida, com respostas mínimas a interações. A iniciativa para conversar é muito limitada e podem apresentar comportamentos repetitivos, como bater o corpo ou girar, além de grande estresse ao serem solicitados a mudar de tarefa.
Entre as características, a terapeuta ocupacional destaca: evita contato visual, não fala ou não faz gestos para mostrar o que quer, mexe as mãos de forma peculiar (flapping), não responde quando é chamado pelo nome, reage de forma excessiva a barulhos altos e a contato físico. “Ainda, repete frases ou palavras em momentos inadequados, brinca de forma inusitada, isola-se ou não demonstra interesse por outras crianças. Também, segue rotinas próprias, tem pouca noção de situações perigosas e apresenta interesse exagerado em assuntos específicos”, explica Marla.
O diagnóstico precoce é fundamental. Alguns sinais que os pais e responsáveis devem ficar atentos é o atraso na fala, dificuldade de interação e comportamentos repetitivos. A avaliação é realizada por uma equipe multidisciplinar (psicólogos, neurologistas, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos), que também colabora no tratamento personalizado. De acordo com a especialista, a intervenção é contínua, com foco na melhoria das habilidades sociais, comunicacionais e funcionais.
“Conviver com o autismo requer empatia e compreensão. É importante entender as necessidades individuais e criar um ambiente acolhedor e inclusivo”, ressalta Marla. A especialista destaca, ainda, a importância da conscientização para que ocorra inclusão, autonomia, redução do estigma e suporte às famílias, o que contribuirá para a melhoria da qualidade de vida de todos os envolvidos.
No Espaço Pertencer – Centro de Terapias da Unimed Chapecó, o atendimento é voltado para trabalhar questões de habilidades sociais e funcionais. Segundo Marla, cada paciente é avaliado a partir de protocolos que orientam o que deve ser trabalhado para que ele tenha um desempenho funcional adequado. “A cooperativa médica dispõe de uma equipe multidisciplinar para o atendimento do transtorno do espectro autista, como terapeuta ocupacional, psicóloga, fonoaudióloga e fisioterapeuta. Na terapia ocupacional, por exemplo, atuamos com atividades de rotina, ou seja, alimentação, autocuidado, vestuário e locomoção. E, buscamos com o suporte das famílias para que o paciente tenha independência”, completa.