DILMA E A FAXINA GERAL

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GOVERNO FEDERAL
Faxina geral

Diante de denúncias de corrupção no Ministério dos Transportes, a presidenta Dilma Rousseff não hesitou e botou para correr quem estava sob suspeita. Agora, a torcida é para que a moda pegue em Brasília

POR KAMILLE VIOLA, O DIA

Muito se falou sobre o estilo durão da presidenta Dilma Rousseff na campanha ano passado. Mas só agora, terminado o primeiro semestre de seu governo, ela faz jus à fama. Diante de denúncias de corrupção no Ministério do Transportes, afastou ou pressionou para que pedissem demissão integrantes da cúpula da pasta — inclusive o agora ex-ministro Alfredo Nascimento. A presidenta acaba de começar a faxina geral da República.

Dilma não quis nem saber se os funcionários suspeitos de envolvimento no escândalo eram do PR, partido da base de apoio ao governo. Para botar ordem na casa, pôs quem estava sob suspeita para correr, ignorando a pressão dos aliados e até os apelos do próprio PT.

Segundo as denúncias que vieram a público, um esquema foi montado no ministério para cobrar propina de empreiteiras e superfaturar preços. Pior: o esquema afetaria diretamente obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), carro-chefe da campanha de Dilma.

E a limpeza pesada que a presidenta começou a fazer nos Transportes pode ser só o início de uma estratégia de combate à corrupção. O comentário em Brasília é que os próximos alvos da faxina geral da República serão os ministérios das Cidades e do Trabalho.

O rigor da presidenta para lidar com a crise parece ter sido aprovado pela população. “A mim parece uma atitude aberta, mais libertária, democrática. É melhor tirar essas pessoas e tentar outra coisa do que ficar insistindo num erro que, às vezes, pode ser irreversível”, analisa a cantora Ângela Rô Rô. “É bem-vindo, mas não é um ato de heroísmo, é de responsabilidade de um político sério”, diz o cantor Tico Santa Cruz.

Mas e se o jeitinho Dilma de ser fizesse escola? Inspirados na atitude da chefe da nação, artistas respondem: se pudessem, em que fariam uma grande faxina no Brasil? O que varreriam para sempre do País?

A vassoura de Jânio

Candidato à presidência em 1960, Jânio Quadros adotou a vassoura como símbolo de sua campanha: ele dizia que iria varrer a corrupção e a desordem do País, um ataque ao presidente na época, Juscelino Kubitschek. Para ele, estavam na conta de JK a inflação alta, a desorganização administrativa e a “dissolução dos bons costumes”. Foi eleito com 48% dos votos válidos. No entanto, só governou o País entre 31 de janeiro e 25 de agosto de 1961, quando renunciou ao cargo. Em 1985, foi eleito prefeito de São Paulo.

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