DUAS PRINCIPAIS CHAPAS AO GDF TENTARAM RESOLVER SUAS CRISES INTERNAS

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Duas principais chapas ao GDF tentaram resolver suas crises internas PT decide manter em seus quadros dirigente da legenda acusado de pedofilia. Já o DEM analisa hoje os rumos do partido, após Alberto Fraga desembarcar da campanha e abrir fogo contra Joaquim Roriz

Ana Maria Campos/Correio Braziliense

As duas principais chapas ao Governo do Distrito Federal tentaram resolver suas crises. No grupo do ex-governador Joaquim Roriz (PSC), o problema é a guerra aberta com o candidato ao Senado pelo DEM, Alberto Fraga, que pode provocar desgastes principalmente no horário eleitoral. Na coligação de Agnelo Queiroz (PT), a preocupação está relacionada à denúncia de pedofilia que envolve o secretário de Assuntos Institucionais e Políticos do PT, Hélio José da Silva Lima, líder da corrente Base Petista e Socialista. Com cerca de 15% dos votos nos convencionais da legenda, ele tem influência interna para provocar estragos nas campanhas do PT e principalmente do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB), autor da denúncia, que concorre ao Senado.

Após um dia de muitos debates e duas longas reuniões, a executiva regional do PT manteve Hélio José no cargo de direção e nos quadros do partido. Pelo estatuto da legenda, são necessários dois terços dos votos para afastar cautelarmente um dirigente. Dos 17 integrantes da executiva, 11 votaram a favor da suspensão. Cinco foram favoráveis à permanência de Hélio José — houve uma ausência. Os votos a favor de Hélio são de representantes do deputado distrital Chico Leite, do deputado federal Geraldo Magela e do próprio ao secretário de Assuntos Institucionais — que inclusive participou da votação. Para que ele fosse afastado, eram necessários 12 votos.

O caso foi encaminhado à Comissão de Ética do partido. “Conseguimos maioria, mas não obtivemos quorum para afastar”, afirmou o presidente regional do PT-DF, Roberto Policarpo. Mesmo assim, hoje a direção do PT deve ingressar no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) com um pedido de destituição do suplente da chapa encabeçada por Rodrigo Rollemberg, com base no fato de ter obtido maioria simples na votação de ontem.

Preocupado com o reflexo da permanência de Hélio José na chapa de Rollemberg e na direção do PT, Policarpo vai submeter a decisão à executiva nacional do PT. “Acredito que a direção do partido vai tomar uma medida rápida”, aposta o deputado distrital Paulo Tadeu. O ex-presidente do PT Chico Vigilante reclamou da postura do partido. “Isso é uma vergonha. Como essas pessoas ainda podem defender a ética na política?”, questionou.

Os dirigentes do PT fizeram uma primeira rodada de debates na manhã de ontem, mas não conseguiram chegar a um consenso. A discussão foi remarcada para a noite. Houve uma tentativa de convencer Hélio José a tomar a iniciativa de sair do cargo e da candidatura de suplente de Rollemberg para evitar uma exposição pessoal do petista e da campanha do PT. Mas ele não cedeu. Afirma ser inocente e se diz vítima de calúnias com o objetivo de tirá-lo da chapa de Rollemberg.

A denúncia chegou ao deputado do PSB por meio de uma conselheira tutelar que conhece a família da garota que teria sido molestada. A própria jovem, hoje com 23 anos, sobrinha de Hélio José, contou detalhes sobre os supostos abusos a integrantes do PT e para Rollemberg. Ontem outros sobrinhos do petista divulgaram um manifesto em defesa do tio.

Isolamento
Os reflexos da posição de independência anunciada pelo deputado Alberto Fraga, candidato a uma vaga de senador, em relação à campanha do ex-governador Joaquim Roriz (PSC) serão tema de discussão na executiva regional do DEM nesta manhã. O presidente regional do partido, senador Adelmir Santana, convocou os democratas para avaliar o impacto de a legenda seguir isolada na disputa eleitoral. Fraga não pretende mais fazer campanha ao lado de Roriz e os demais concorrentes a deputado distrital e federal temem consequências diretas em seus pleitos.

Adelmir Santana afirma que as críticas de Fraga a Roriz, publicadas na edição de domingo do Correio, pegaram os integrantes do partido de surpresa. “Vamos examinar as posições do (ex-) governador e do Fraga. Fazemos parte da coligação e as declarações nos deixaram apreensivos. Não fomos consultados”, disse Adelmir. Durante muito tempo, ele acalentou o plano de ser candidato à reeleição ao Senado, mas na última hora perdeu essa posição justamente por vontade da base rorizista. “Sou um soldado do partido, mas não há espaço mais para troca de candidaturas. Somente Fraga pode desistir, caso se sinta desconfortável”, sustenta Adelmir.

Assessores de Roriz convenceram o ex-governador de que Fraga seria um candidato melhor ao Senado pelo perfil combativo. Tê-lo como adversário significaria um problema. Agora, no entanto, mesmo na coligação, Fraga representará um risco de desgaste para Roriz no horário eleitoral. O coordenador de comunicação da campanha do ex-governador, Paulo Fona, afirma que ataques serão respondidos com ações judiciais de direito de resposta. Fraga sustenta que apenas vai mostrar suas realizações como secretário de Transportes do governo Arruda.

Por causa da crise no DEM provocada pela queda de José Roberto Arruda e de Paulo Octávio, a maioria dos candidatos do partido tem sentido dificuldades na campanha. Os candidatos a deputado distrital temem a redução da bancada. Fraga afirma que o momento é de encontrar uma unidade entre todos os concorrentes. “Se não ficarmos unidos, seremos isolados”, acredita. Ele aposta que os candidatos do DEM não são prioridade para Roriz.

“Sou um soldado do partido, mas não há espaço mais para troca de candidaturas. Somente Fraga pode desistir, caso se sinta desconfortável”
Adelmir Santana, presidente regional do DEM

Termina hoje o prazo para candidatos, comitês financeiros e partidos políticos apresentarem a primeira parcial da prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral

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