“Ela queria me chantagear”, diz Celina Leão em entrevista ao Correi

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Deputada diz que Joaquim Roriz não terá herdeiro político e acusa Liliane Roriz de tê-la atacado por inveja, ciúmes e disputa de bastidores

 

Ana Maria Campos , Helena Mader , Isa Stacciarini/Correio Braziliense


A defesa da presidente afastada da Câmara Legislativa, Celina Leão (PPS), vai alegar que houve uma edição mal-intencionada das conversas com a deputada Liliane Roriz (PTB) . Ontem, Celina voltou a atacar a rival e o governo, a quem atribui as acusações sobre o caso. A distrital contratou um perito para analisar as gravações feitas por Liliane e indicou partes que teriam sido recortadas da conversa. “Em um trecho, eu digo ‘Não quero nada de nada’. Isso não foi divulgado”, afirmou.

 
Celina Leão voltou à Câmara ontem para apresentar documentos relativos à Operação Drácon. Segundo ela, Liliane  fez as acusações porque estaria acuada diante do avanço de processos judiciais contra ela. “A Liliane queria me chantagear. Ela sabia que enfrentava um processo de quebra de decoro ”, comentou a parlamentar, afirmando que já pensa na candidatura ao governo do DF.
Por que a senhora atribui as denúncias ao governo?
Sempre falei que existia algo muito maior do que a trama da deputada Liliane. Quando a gente tem acesso aos autos, percebe que o verdadeiro investigado é o GDF.   A gente sabe que existe uma crise na área da saúde, tanto que há inquérito para investigar todo esse problema. E o inquérito não começa com a Câmara, e sim com o G DF, com vários depoimentos. Não posso dar detalhes porque está sob segredo de Justiça. Essa investigação está, inclusive, na Procuradoria-Geral da República.
Que motivação a senhora vê nesta iniciativa de Liliane Roriz?
Ela queria me chantagear. Ela sabia que tinha processo de quebra de decoro. Não era o primeiro, não era o segundo, nem seria o último. São três processos, várias condenações.
As denúncias têm relação com a rivalidade histórica entre vocês?
É muito cômodo para uma pessoa que já tem problemas de ciúmes, de inveja, de disputa política, se associar a outra com o mesmo objetivo. Até os adversários se unem quando os inimigos são os mesmos. Houve conveniência e oportunidade porque ela não tinha competência para armar tudo isso sozinha.
Quem está por trás?
Algumas pessoas que participaram de episódios na cidade, pseudojornalistas, e o próprio esquema do governo que dá suporte para ela. É engraçado como o deputado Chico Vigilante sai me atacando, ele que sempre defendeu o governo. É emblemático como ele poupa a deputada Liliane.
Houve retirada de documentos e computadores antes da operação?
Isso parte de uma presunção de que havia informação da investigação, da possível busca e apreensão, de um vazamento, o que é muito grave. A gente viu as imagens, reviu, chamou um técnico do MP para acompanhar, e aí ele (Chico Vigilante) fica fazendo esse terrorismo político.
Em um áudio, a senhora faz referência à presença de analfabetos em seu gabinete, à possível manutenção de funcionários fantasmas. Também vai se defender disso?
Falo o contrário, não há funcionário fantasma, eu estava cobrando a assinatura da folha de ponto. O cara acha ruim assinar o ponto, tenho que mandar embora. Esse é o contexto. A colocação da deputada Liliane é que foi outra. Quantas vezes você está numa conversa privada e faz uma brincadeira? Tenho pessoas simples no meu gabinete, mas uma equipe não se faz só com doutores.
Algum deputado negociou dinheiro para liberar aquela emenda?
Não tenho notícia disso. A informação que tive é que houve pedido do governo de que recursos fossem para a saúde. A Liliane queria que fosse para a Asbraco. Não acredito nisso, até porque nunca tive esse tipo de conversa com os meninos. Quem insinua isso o tempo todo é a Liliane. Eu digo: ‘Não quero nada de nada’.
O que Valério Neves quis dizer quando mencionou percentuais?
A conversa era dele e dela, não sei sobre o que eles falavam, não sei qual o contexto.
Acredita que Liliane gravou outras autoridades do DF?
Acredito que sim. Como ela estava nesse processo de gravar todo mundo, ela vinha se relacionando com várias pessoas. Ela falou que quer sair de cabeça erguida e que vai mostrar que a família dela é correta. Acho estranho o comportamento, se não falar infantil, uma mulher com três condenações falar em sair de cabeça erguida.
Liliane coloca sob suspeição o Valério Neves, que foi braço-direito do pai dela por duas décadas. Por que acha que ela fez isso?
Acredito que o governador Roriz não tem consciência nenhuma do que está acontecendo. Ele não está nem reconhecendo as pessoas, até porque se ele tivesse consciência, tenho certeza que ele não deixaria a Liliane fazer isso. E eu fico até com dó, porque, às vezes, ela fala isso para as pessoas como se ele tivesse. Sempre reafirmo: é a falta de escrúpulos. O pai dela teve, pelo menos tinha, um legado na cidade. Infelizmente, ele não vai ter herdeiro para deixar.
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