“Ele não parou mesmo vendo meu desespero”, relata carioca estuprada pelo próprio marido

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Aos 36 anos, a bancária Júlia* sofreu abusos dentro de casa e pediu o divórcio 4 meses depois de ser violentada

Julia foi abusada pelo próprio marido aos 23 anos (Foto: Marie Claire)

Você já sofreu violência sexual? A cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil. Acontece com celebridades e anônimas, em todas as classes sociais, em casa, na rua, numa festa e até no trabalho. Há casos em que a vítima está consciente, outros em que não. Para chamar a atenção para essa dolorosa –  e tão frequente realidade – publicaremos um relato de estupro por dia.

“Me casei aos 23 anos, com o meu namorado da adolescência, e tínhamos uma filha de um ano. Um dia, depois de um passeio em família, cheguei em casa e fui tomar banho. Meu marido me seguiu até o banheiro. Pedi pra ele sair, para ir olhar nossa filha na sala. Ele disse que ela estava brincando e entrou no chuveiro comigo. Eu repetia o pedido para que ele saísse, que eu não queria sexo naquela hora. Falei ainda que a bebê estava acordada e eu não queria que ela ouvisse. Ele disse que ela não entendia nada e me prendeu contra a parede. Ele era muito forte e me penetrou contra a minha vontade. Comecei a chorar, pedi o tempo todo pra ele parar. Ele não parou mesmo vendo meu desespero.

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Fiquei muito abalada com isso. Não conseguia parar de chorar por horas. Sentia muita raiva.

Ele sabe o que fez. Me pediu perdão. Disse que achou que eu “estava de palhaçada”, que estava exagerando, mas que queria e ia acabar gostando. Ele pedia perdão, mas eu não conseguia nem deixá-lo encostar em mim, me sentia péssima. Esse foi o início do fim do nosso casamento. Nos separamos quatro meses depois. Fazem 13 anos e até hoje não consigo nem apertar sua mão.

Ele sempre foi um abusador, me humilhava constantemente, sofri muito com as coisas que ele me dizia para me diminuir. Ele falava que  eu “gostava muito de sexo para uma mulher, que era doente”, ou jogava na minha cara que ele era mais bem sucedido do que eu e que eu não conseguiria me virar sem ele. Como nunca aceitei passivamente essas declarações, nossas brigas eram terríveis. Eram apenas discussões, mas as palavras me feriam como socos.

Eu era perdidamente apaixonada por ele. Casei acreditando que isso seria uma prova de amor, que nossas brigas cessariam com essa união, tinha muita esperança na nossa relação, mas ela só ficou mais difícil e desgastante. A violência sexual me mostrou que eu vivia com um monstro, um pscicopata, que achava que era meu dono, que podia controlar a minha vida e o meu corpo.

Sempre tive a consciência de que aquilo tinha sido um estupro, mas nunca tive coragem de contar pra ninguém. Fiquei com aversão até a presença dele, nem dormia mais na mesma cama. Mandei ele embora mesmo sem saber como sustentaria a casa.

Nunca considerei fazer uma denúncia por causa da nossa filha, não queria que ela soubesse isso sobre o pai dela.

Depois dessa separação não consegui me envolver com outras pessoas. Fiquei com forte bloqueio emocional e intolerante à qualquer sinal de conflito. Não consigo me entregar nem dar continuidade a um relacionamento e nunca mais me apaixonei. Confiava no meu marido e ele abusou de mim física e emocionalmente.”

* O nome foi trocado a pedido da entrevistada.

Fonte: Marie Claire

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