ELEIÇÕES 2010 – DISTRITO FEDERAL: NA ONDA DOS INFIÉIS

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ELEIÇÕES 2010 – DISTRITO FEDERAL
Na onda dos candidatos infiéis

Ricardo Taffner, do Correio Braziliense

A cabeça do eleitor brasiliense está embaralhada. As movimentações políticas, sempre muito intensas no Distrito Federal, ganharam mais força neste ano. Antigos rivais se uniram em torno de projetos eleitorais e velhos aliados romperam parcerias históricas. Quem achava que a confusão causada pelas novas configurações partidárias seria resolvida no decorrer da disputa percebe que ela só está piorando por conta das mudanças de lado (1)e das traições. Está cada vez mais comum o troca-troca de apoio e as chapas de Agnelo Queiroz (PT) e Joaquim Roriz (PSC) contabilizam baixas e adesões a cada dia.

O arranjo político feito para as eleições deste ano causou descontentamento de muitos grupos políticos. Alguns postulantes têm preferido deixar o partido para apoiar o candidato do outro lado. Enquanto certos candidatos fazem a troca de forma transparente e oficial, outros preferem a clandestinidade. Afirmam participar de uma coligação e pedem votos para o cabeça da chapa adversária ou então apenas deixam de fazer propaganda para o próprio grupo. Alguns membros de coligações diferentes, mas que concorrem a cargos distintos, chegam a fazer dobradinhas informais.

O primeiro beneficiário oficial das trocas foi Agnelo. Abandonando o ninho tucano, em 25 de julho, o primeiro presidente da Câmara Legislativa, Salviano Guimarães, pediu licença do PSDB para se tornar cabo eleitoral do petista. Ele foi o primeiro membro a deixar a coligação Esperança Renovada para fazer, publicamente, campanha para o adversário de Roriz. “A crise no DF deixou muita gente descrente na política. A união com Roriz gerou uma certa frustração em alguns filiados”, argumentou Salviano.

A crise alegada pelo tucano foi deflagrada pela Operação Caixa de Pandora. A investigação de um suposto esquema de corrupção envolvendo a antiga base governista do DF derrubou o então governador José Roberto Arruda e motivou a renúncia do vice Paulo Octávio. Os dois eram os principais nomes para as próximas eleições e conseguiram agregar, no ano passado, a maioria das legendas brasilienses. Após as denúncias, a debandada foi geral e cada sigla se arranjou da forma mais pragmática possível (veja quadro).

A rearrumação foi tão grande que o PMDB do deputado Tadeu Filippelli rachou de vez com seu expoente histórico, o ex-governador Roriz, para se juntar ao maior rival, o Partido dos Trabalhadores. Do outro lado, aliados de Arruda tiveram de se conformar com a aliança em torno do ex-peemedebista.

O PTB tem um considerável quadro de insatisfeitos devido à aliança com o grupo de Agnelo. O presidente do partido, senador Gim Argello, era suplente de Joaquim Roriz e conquistou o cargo no Congresso graças à renúncia do mandatário. Acabou se tornando membro da base de apoio do governo federal e resolveu trabalhar pela candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff, arrastando o partido consigo. A primeira a se rebelar foi Lourdinha Araújo (PTB), mãe do distrital Cristiano Araújo (PTB).

Ela tentava uma vaga de deputada federal pela chapa de Agnelo, mas decidiu renunciar à candidatura para apoiar Roriz. Dessa forma, mãe e filho apoiam, oficialmente, candidatos concorrentes. “A posição dela não altera a minha”, diz o distrital, que concorre à reeleição, mas está impugnado. Na prática, a situação é mais complexa, uma vez que Lourdinha é o principal cabo eleitoral do filho e pede votos para ele e Roriz, deixando de lado a coligação Novo Caminho (liderada pelo PT). Já o deputado distrital Dr. Charles (PTB) não chega a participar dos comícios do ex-governador, mas seus cabos eleitorais são vistos em todos os eventos de Roriz devidamente uniformizados, distribuindo o material de campanha.

Entre os peemedebistas, alguns candidatos se esquecem de pedir votos a Agnelo no corpo a corpo. Nos redutos eleitorais de Roriz, muitos declararam apoio ao ex-governador. Petistas se queixam da postura dos aliados, além da ausência deles nos eventos de Agnelo e Filippelli. Os distritais Rôney Nemer e Benício Tavares, ambos do PMDB e o segundo impugnado, são as faltas mais sentidas.

E as mudanças não param. Tadeu Roriz (PSB), primo em segundo grau do ex-governador, e a candidata a distrital Elany Leão (ex-DEM) deixaram a Esperança Renovada pela Novo Caminho. Elany presidia a Juventude Democrata e pediu desfiliação da legenda para apoiar Agnelo. Do outro lado, Bete Guilherme (PMDB), ex-administradora da Estrutural, deixou a legenda e a candidatura à Câmara Legislativa para se juntar a Roriz.

1 – Divergências
Segundo o cientista político David Fleischer, as traições são fruto das divergências históricas dos políticos que agora fazem parte de uma mesma coligação. “Cada um tenta resgatar o que é melhor eleitoralmente para ele ao perceber de que lado terá mais vantagens”, diz. O professor aposentado da Universidade de Brasília afirma que a fidelidade partidária não faz diferença para o eleitor e que esse fato prejudica o sistema político.

Até as 22h do dia anterior à votação, são permitidos carreata, caminhada, passeata e carro de som divulgando jingles de candidatos, desde que os microfones não sejam usados para transformar o ato em comício.

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