ELEIÇÕES 2010: ENTREVISTADO DO DIA: JULIO URNAU

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“Pela renovação no Distrito Federal”

Ele concorre às eleições diretas para deputado distrital pela primeira vez, mas vem com a bagagem de um veterano. Criado em Brasília, Julio Urnau

Julio Urnau tem 40 anos e é filiado ao PSL.

completa duas décadas na política local. Atuou no Senado e nas câmaras Federal e Legislativa. Nessa última, exerceu diferentes funções e trabalhou com ninguém menos que o ex-deputado distrital Jorge Cauhy, falecido em 2005 e conhecido pela postura ética e inúmeras obras sociais que realizou.

Depois de ingressar no Executivo para um melhor entendimento da máquina de governo, Julio exerceu o cargo de secretário-adjunto da Secretaria de Transportes do GDF entre 2007 e 2010. Deixou a pasta sem que sua imagem fosse arranhada pelos respingos da crise política que se abateu em Brasília no último governo. Agora, candidato a deputado distrital pela coligação Quero Mudar PSL-PTN, levanta a bandeira da renovação e da moralização da CLDF. Nesta entrevista, confira quais são suas propostas.

BDS – Quem é Julio Urnau?

Julio Urnau é um cidadão comum que está cansado da situação política em que se encontra o Brasil e, em especial, o Distrito Federal. Acho que podemos dar a nossa contribuição e não esperar mais de forma passiva. Por isso, decidimos formar um novo grupo e é nessa nova força política do bem que eu acredito.

BDS – Qual a principal razão para pleitear uma vaga na CLDF?

A principal razão é chamar para você e para mim a responsabilidade de uma representatividade do DF. Historicamente, a gente viu que a Câmara Legislativa se tornou um grande balcão de negócios e isso não sou em quem está falando. Os inúmeros escândalos amplamente divulgados pela mídia atestam isso. Eu, particularmente, nunca fiz nada na vida com reclamação porque sempre preferi tomar uma atitude. E o faço mais uma vez ao pleitear uma vaga na CLDF junto à população da nossa cidade.

BDS – Que perfil de eleitor o senhor busca?

Busco o eleitor como um todo, mas, principalmente, o cidadão que está consciente de que não podemos mais errar o voto. Outro dia, na Ceilândia, uma senhora me disse ‘Julio, ainda não sei em quem vou votar, mas tenho a certeza de quem não vou votar’. É esse o perfil que eu busco, do eleitor consciente que está cansado de falsas promessas e da politicagem que se instalou no DF.

BDS – Depois dos escândalos que ocorreram em Brasília, o eleitor ficou mais exigente. Isso é positivo?

É positivo, sim. No meu caso, por exemplo, digo que tenho 22 anos de vida pública e que, nesse tempo, passei pelo Senado, Câmara Federal, Câmara Legislativa e também fui secretário-adjunto no governo passado. Essas duas décadas me atestam primeiro pela experiência e, segundo, pela possibilidade de avaliar a minha vida pregressa. Não há nada que desabone a minha conduta e sempre deixo as pessoas à vontade para procurarem qualquer coisa que seja. Isso me credencia a pedir de peito aberto o voto e a confiança do eleitor.

BDS – Como o senhor pretende contribuir para a renovação da política no DF?

Proponho trazer o legislativo para o eixo central. E o que é esse eixo? Eu, como representante da comunidade, tenho a obrigação única de estar junto dela para ouvir suas reais necessidades e problemas. Cada região tem uma realidade diferente. Ceilândia não é igual ao Núcleo Bandeirante, que por sua vez não é igual a Sobradinho, que não é igual à Santa Maria e assim por diante. O representante tem que estar presente na comunidade que o elegeu porque, afinal de contas, ele foi escolhido para isso. Se assim não fizer, será como um professor que vai à escola e não ensina o aluno. Ou como um médico, que vai ao hospital e não atende o paciente. A minha contribuição será a de resgatar o nosso legislativo junto à comunidade.

BDS – Quais são as suas demais propostas de campanha?

Tenho que defender obrigatoriamente três bandeiras. Primeiro, venho de uma família de educadores e meu pai sempre disse que não existe solução que não passe pela educação. Temos que investir maciçamente em educação, um tema prioritário para o completo desenvolvimento de qualquer cidade, estado ou nação. Então, sou educação sempre, com metas a curto, médio e longo prazo. A minha segunda bandeira é a da saúde, hoje a maior preocupação dos nossos governantes, principalmente, no DF. Sempre digo que a nossa saúde não é de toda ruim, mas precisamos, olhando, claro, para a nossa realidade, investir também nas cidades do Entorno com o objetivo de desonerar os serviços básicos de atendimento daqui. Somente assim vamos conseguir trazer uma solução adequada para a saúde. A minha terceira bandeira é a do idoso. Permitindo Deus, todos nós chegaremos à terceira idade ou melhor idade, como chamamos. Vejo que o idoso está extremamente discriminado no DF, à margem mesmo, e precisamos oferecer a eles um incremento na melhoria da condição de vida.

BDS – Por falar nisso, é impossível não lembrar do ex-deputado Jorge Cauhy, que defendeu em vida a causa do idoso…

Verdade, e posso dizer que aprendi muito com ele. O Cauhy foi, para mim, um mentor, um professor, um amigo, uma pessoa com a qual tive o prazer de trabalhar durante sete anos e que abriu a minha visão para o social. Político exemplar, ele foi para o social o que o Oscar Niemeyer foi para a arquitetura e Juscelino Kubitschek, para Brasília. Essa referência social aqui é do Cauhy. Para quem não sabe, ele foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz, pela França, em 2002. São em bons exemplos como esse que a gente tem que se espelhar. Aprendi muito com ele, eu o considerava como um segundo pai. Aliás, tive a felicidade de ter dois pais e, ao mesmo tempo, a tristeza de ter perdido os dois.

BDS – Em que medida a sua atuação política está ligada ao espólio do ex-deputado Jorge Cauhy?

Vejo que, depois que o Cauhy faleceu, o social do DF se perdeu um pouco. Precisamos fazer esse resgate e refiro-me às obras não apenas do Cauhy, mas de uma forma geral. As obras sociais estão sem uma liderança maior, sem uma representatividade política, e são elas que fazem a diferença porque cumprem um papel que deveria ser do Estado. Não existe uma atitude mais nobre do que incentivar e defender as entidades que cuidam dos menos favorecidos, sejam eles idosos, crianças, pessoas abandonadas, gestantes ou dependentes químicos.

BDS – O senhor se considera um sucessor do Jorge Cauhy?

Não um sucessor exatamente. Para esse posto, eu precisaria ser muito mais do que sou hoje e ter mais chão. Ele foi um exemplo para todos nós, tinha uma alma muito elevada. Posso dizer que sou um seguidor do Cauhy.

BDS – Que mensagem o senhor deixa para os nossos leitores?

Primeiro, parabenizo a você,  jornalista Donny Silva,  por oferecer essa oportunidade de nos mostrar mais para o leitor e eleitor. Também quero dizer que é preciso renovar. Se não por nós, pelos nossos filhos. Temos que deixar para eles um DF melhor. A política da nossa cidade encontra-se doente e a cura está nas urnas, no dia 3 de outubro. A mudança que almejamos depende de mim e de você.

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