Eleições 2010 – SERRA ACUSA DILMA

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Deu em O Globo

Serra acusa Dilma por quebra de sigilo da filha

Silvia Amorim

O candidato a presidente pelo PSDB, José Serra reagiu nesta quarta-feira à suspeita de violação do sigilo fiscal de sua filha , Verônica, pela Receita Federal.

Em entrevista ao Jornal da Globo, o tucano culpou a campanha da adversária Dilma Rousseff (PT) pelo ocorrido e acusou a petista de recorrer à mesma tática usada pelo ex-presidente Fernando Collor, em 1989, para ganhar a eleição de Lula.

– Utilizar a filha dos outros para ganhar a eleição eu só me lembrava do Collor ter feito isso com o Lula. O Collor utilizou uma filha do Lula para ganhar do Lula em 1989. Agora a turma da Dilma está fazendo a mesma coisa. Pegando minha filha, que não faz política e é uma mãe de três crianças pequenas e que trabalha muito para poder viver, para meter nesse jogo político sujo e me chantagear porque tem preocupação quanto à minha vitória.

Serra classificou o fato de “ato criminoso” e “jogo sujo e baixo”.

O candidato aproveitou o episódio para associar a imagem de Dilma a de Collor numa tentativa de desgastar a adversária.

– A Dilma está repetindo aquilo que o Collor fez e mais: agora o Collor está do lado dela. Quem sabe ele não tenha transferido a tecnologia – ironizou.

Serra negou que o sigilo de Verônica tenha sido acessado a pedido da própria filha, conforme divulgou nesta terça-feira a Receita Federal.

– É mentira descarada. Essas pessoas são profissionais da mentira.

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Jailton de Carvalho e Roberto Maltchik

A Corregedoria da Receita Federal encontrou indícios de que o mesmo esquema usado para devassar dados fiscais de 140 pessoas também consultou e pode ter vazado as declarações de renda de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB à Presidência, José Serra.

O acesso teria sido feito por uma das quatro servidoras que estão sob investigação e são classificadas pela Corregedoria como acusadas de vazamento. A consulta aos dados de Verônica Serra ocorreu antes do acesso às declarações de renda de quatro tucanos, entre eles o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge.

— Agora é uma questão da democracia. Não é de ganhar ou perder. Isso é muito grave — reagiu o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra.

O acesso às informações de Verônica não ocorreu no terminal em que trabalha a servidora Adeildda Ferreira Leão dos Santos. Por isso, a Receita investiga se os dados teriam sido coletados em outro terminal na delegacia de Santo André.

Autoridades da Receita encarregadas da investigação sobre a quebra de sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, suspeitam que cópias de declarações obtidas por meios ilegais eram vendidas no mercado clandestino de informações por menos de R$ 1 mil.

A Corregedoria da Receita também abriu uma nova frente de investigação, que põe em evidência a Delegacia da Receita em Santo André. É lá que trabalha a servidora Lucia de Fátima Gonçalves Milan, notificada segunda-feira como acusada de envolvimento no caso.

Curiosamente, menos de 24 horas depois de a Corregedoria qualificar a servidora como acusada, a Receita, que alega sigilo para não prestar esclarecimentos, veio a público para informar que Lucia já foi investigada e que o acesso feito por ela ao terminal da Receita foi motivado, o que afastaria as suspeitas.

Mas a Receita não se manifestou sobre a situação de outra servidora também notificada anteontem: a analista do Serpro Ana Maria Caroto Cano, lotada em Mauá.

Ana Maria é uma das três funcionárias da delegacia paulista que teriam usado a mesma senha para acessar informações fiscais que podem ter abastecido um suposto dossiê do PT contra José Serra, candidato tucano à Presidência.

Além de Lucia e Ana Maria, Antônia Aparecida Rodrigues (portadora da senha) e Adeildda Ferreira Leão dos Santos (operadora do terminal em que foram efetivados os acessos) são consideradas suspeitas de acesso imotivado e tiveram contra si representações apresentadas pela Receita ao Ministério Público Federal.

No começo deste ano, as quatro servidoras trabalharam na sede da Receita em Santo André em razão de obras em Mauá.

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