ENVOLVIDO NA OPERAÇÃO SHAOLIN ABRE COMITÊ PARA AGNELO EM SOBRADINHO

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Baixe foto 2.jpg (649,2 KB) Através da Justiça, a imobiliária Geobra está tentando obter o despejo por falta de pagamento de aluguéis de imóvel situado em Sobradinho, que alugou ao soldado João Dias Ferreira de Faria, da Polícia Militar do Distrito Federal. No imóvel funciona um comitê da coligação Novo Caminho, do candidato petista Agnelo Queiroz. De acordo com o processo 2008.06.1.005466-9, que tramita na 2ª Vara Cível de Sobradinho, do Tribunal de Justiça do DF, a dívida com os aluguéis atrasados totaliza R$ 20.049,00.

            O comitê é um conjunto de salas situadas no subsolo do prédio no lote 25 da Quadra 7, de Sobradinho. De acordo com o Cartório do 7º Ofício de Registro de Imóveis, em Sobradinho, o imóvel pertence à Geobra.

O caso liga Dias ao candidato Agnelo. Em passado recente, o militar foi uma das cinco pessoas presas pela Polícia Civil do DF, na Operação Shaolin, que investigou fraude e desvio de dinheiro público através do Programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte. Entre 2003 a 2006, Agnelo foi ministro da pasta. Após a operação policial, Agnelo deu declarações à imprensa alegando que não conhecia Dias e que desconhecia as fraudes.

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Mas, atualmente Dias é um coordenadores da campanha eleitoral de Agnelo Queiroz na região de Sobradinho e cidades vizinhas. O policial militar até participa de reuniões com líderes comunitários e pessoalmente faz campanha para o candidato Agnelo. Inclusive o carro de Dias, um vistoso Honda Civic, se destaca nas reuniões com um grande adesivo de Agnelo.  

Quando a reportagem visitou o comitê, sol a pino, poucas pessoas foram encontradas no local. Lá dentro, um homem grandalhão fazia a entrega de material de campanha a militantes.

À  alguns metros do portão de entrada do imóvel existe um grande cavalete com a fotografia de Agnelo e o lema da campanha eleitoral petista.

Antes de ser transformado em comitê, no local funcionava uma academia de lutas marciais de propriedade de Dias. Inclusive, o nome do militar continua escrito no portão vermelho que dá acesso ao imóvel. Apesar de ter recebido dinheiro público através de convênios com o Ministério do Esporte, Dias não pagava o aluguel do imóvel, como mostra a ação de despejo que tramita na Justiça.     

O imóvel tem seu interior repleto de material de campanha de Agnelo e de outros políticos da coligação Novo Caminho.

“Nós alugamos o imóvel ao João Dias. Agora, estamos brigando na Justiça para reaver o imóvel e receber o dinheiro dos aluguéis atrasados”, confirmou Rose, gerente da Geobra, cujo escritório fica no Bloco “G” da QI 9 do Lago Sul. A gerente não quis dar detalhes do caso à imprensa, alegando que não tinha autorização do proprietário da empresa.  

“Intimidação” – Diante da notícia do seu envolvimento no caso, Queiroz resolveu confrontar o delegado Zuliani, movendo uma ação judicial contra o policial. “Não adianta tentarem intimidar o trabalho da polícia”, disse o delegado à reportagem.

VEJA NOVAMENTE  MATÉRIA PUBLICADA NO CORREIO BRAZILIENSE:

Operação Shaolin prende cinco suspeitos de desviar R$ 2 milhões do Ministério dos Esportes

 

Ary Filgueira/Lilian Tahan

Publicação: 01/04/2010

Cinco pessoas estão presas na Divisão Especial de Combate ao Crime Organizado (Deco) suspeitas de participar de desvio de dinheiro repassado pelo Ministério do Esporte. O policial militar João Dias Ferreira, Demis Demétrio Dias de Abreu, Flávio Lima Carmo, Miguel Santos Souza e Eduardo Pereira Tomaz foram detidos às 6h da manhã desta quinta-feira (1º/4) por agentes da Polícia Civil do Distrito Federal, numa operação chamada Shaolin, que tem a participação do Ministério Público do DF.

O grupo, que era liderado pelo PM, falsificou 49 notas frias para retirar o dinheiro repassado pelo Ministério dos Esportes a entidades sociais conveniadas com o Programa Segundo Tempo do Governo Federal. A verba aproximada, ao longo de três anos (2006/07 e 08), foi de R$ 3 milhões. O dinheiro seria destinado a programas sociais, em atividades esportivas para 10 mil atletas carentes de núcleos situados em Sobradinho, mas pouco menos de R$ 1 milhão foi realmente destinado a eles.

Fachada da academia This way Fitness, em Sobradinho, de propriedade do soldado da PM João Dias - (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )  
Fachada da academia This way Fitness, em Sobradinho, de propriedade do soldado da PM João Dias

O derrame de verba pública saia da Federação Brasiliense de Kung-Fu (Febrak) e da Associação João Dias de Kung-Fu, Esportes e Fitness. Esta última é uma organização não-governamental e leva o nome do soldado da 10ª Companhia de Polícia Militar Independente. Ele é dono de duas academias em Sobradinho: Thisway Fitness e Wellness Ltda., usada para lavar dinheiro desviado, situada no primeiro piso do Sobradinho Shopping.

Além das academias, os agentes cumpriram mandandos de busca e apreensão, autorizados pela 3ª Vara Criminial de Brasília, nas residências dos acusados, entre elas, na luxuosa casa onde reside o casal João Dias e Ana Paula Oliveira de Faria, 33, também apontada como integrante da quadrilha. O imóvel do PM fica num condomínio luxuoso de Sobradinho e foi arrestado pela Justiça.

A investigação surgiu em junho de 2008 com o cumprimento de mandado de busca e apreensão no escritório de um dos apontados no esquema: o contador Minguel Santos Souza, 54, situado na 711 Norte. Na ocasião, os policiais localizaram 49 notas fiscais emitidas pelas empresa Infinita e Serviços Gerais Ltda. e JG Comércio de Alimentos Preparados e Serviços Gerais Ltda. administradas por Miguel. Os documentos foram emitidos em favor da Febrak e da Associação João Dias de Kung-Fu. Elas descreviam a venda de kimonos da luta marcial, jogos de xadrez, dominó, dama, varetas e gêneros alimetícios no valor de R$ 1.999.850,58. Foram apresentadas na prestação de contas ao Ministério dos EsportesApós análise na Seção de Perícias Contábeis do Instituto de Criminalística da Polícia Civil, descobriram que tais notas eram consideradas frias.

Segundo a PCDF, as duas entidades receberam um total de R$ 2.962.998 milhões do convênio com o Programa Segundo Tempo do Ministérios dos Esportes. Destes, o grupo do soldado João Dias é acusado de desviar R$ 1.999.850,58 milhão. Os acusados estão detidos por força de um mandado de prisão temporária com validade de cinco dias. Mas, com o avanço das investigações, pode ser que a pena provisória dobre ou até seja comutada para uma preventiva de 30 dias.

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